Pré-visualização gratuita Capítulo 1. O amor de Amélie
Querido, Leitor.
Para entender essa história sugiro que leia primeiro o livro VENDIDA PARA O INIMIGO. Esse livro aqui é o segundo da trilogia, aqui vamos acompanhar a história de Henrique antes de encontrar Amélie. Boa leitura.
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Amélie acordou mais cedo aquele dia, virou-se de lado e ficou observando seu marido dormir.
Henrique agora dormia ao seu lado todas as noites, tranquilo, com o rosto relaxado, o cabelo castanho caia sobre a testa de forma desarrumada mas incrivelmente charmosa aos olhos de Amélie. Aquele homem inteligente, forte, decidido, se tornou um marido extremamente carinhoso, atencioso, protetor. Amélie chegou naquela casa amedrontada, não sabia o que poderia vir pela frente, imaginou inúmeras possibilidades, mas, nunca aquilo, amor.
Henrique abriu os olhos profundamente castanhos, piscando algumas vezes, quando encontrou Amélie apoiada no cotovelo olhando para ele, sorriu pequeno.
— Bom dia, meu amor.
— Bom dia.— Amélie respondeu sorrindo de volta
— Acordada a muito tempo ?
— O suficiente para admirar você dormir tranquilo.
Henrique sorriu para ela. Um sorriso aberto, sincero, coisa que a meses atrás era praticamente impossível. Henrique sempre foi cavalheiro e atencioso, mas Amélie raramente via ele sorrir.
— Gosto quando sorri assim.
Henrique passou o braço pela cintura de Amélie e a puxou contra si, ela se apoiou em seu peito o acariciando.
— Sabe que tenho que levantar, não é?
Amélie resmungou.
— Não pode ficar um pouco mais ?
Henrique beijou o topo da cabeça dela.
— Tratei de encontrar um comerciante logo cedo, mas prometo que amanhã fico mais uns minutos te admirando.
Amélie afundou o rosto na curva do pescoço de Henrique e respirou fundo.
— Tudo bem...— Respondeu manhosa.
Henrique se levantou e Amélie ficou observando ele se vestir. Estava apressado para sair, Amélie admirava ver como Henrique era rigoroso com seus compromissos e não gostava de se atrasar.
— Coma pelo menos uma maçã, querido. — Alertou ele.
Henrique se aproximou e beijou ela levemente.
— Obrigada pela preocupação, querida.— Henrique saiu pegando o sobretudo e seguindo para o andar de baixo da casa.
A manhã ainda respirava preguiçosa quando Amélie encostou-se ao batente da janela. A névoa fina repousava sobre o jardim como um véu discreto, e o sol ensaiava sua entrada entre as copas das árvores antigas.
No pátio, Henrique ajustava as luvas com a calma de quem conhecia cada gesto de cor. Não usaria a carruagem naquele dia ela repousava inútil ao lado do estábulo, enquanto o cavalo batia o casco contra o chão úmido, impaciente.
Amélie sorriu sozinha.
Henrique sempre fora assim. Mesmo depois de tudo, mesmo com o peso do nome, das responsabilidades e das expectativas… ainda preferia o contato direto com o mundo. O couro das rédeas nas mãos, o vento no rosto, a estrada aberta diante de si.
Ela o observava sem ser vista.
O jeito como ele falava baixo com o animal, como se fosse um velho amigo. A postura firme ao montar, elegante sem esforço. Havia algo profundamente tranquilizador em Henrique uma força silenciosa que não precisava ser anunciada.
Amélie sentiu o aperto familiar no peito.
Amava aquele homem não apenas pelos grandes gestos ou pelas decisões que moldaram suas vidas, mas pelos detalhes pequenos, quase invisíveis. Pela forma como ele sempre olhava para trás antes de partir. Pelo cuidado que tinha mesmo quando acreditava que ninguém o observava.
Henrique ergueu o olhar, como se sentisse.
Os olhos deles se encontraram por um instante breve, mas suficiente. Ele inclinou levemente a cabeça em sua direção, um cumprimento simples, íntimo, que dizia volto logo sem precisar de palavras.
Amélie levou a mão ao peito.
Amar Henrique era isso: observar à distância e ainda assim sentir-se profundamente parte de tudo. Era confiar que, mesmo seguindo caminhos próprios, eles sempre retornariam um ao outro.
O cavalo partiu em trote firme, afastando-se pelo portão de ferro.
Amélie permaneceu ali, até que o som dos cascos se dissolvesse na manhã. Só então se afastou da janela, com um sorriso sereno desses que nascem do amor já vivido, testado e ainda assim inteiro.