- Lev, Abby, esta é a Ellie de Seattle. – Apresentou Dina enquanto desmontou o seu cavalo e dava as rédeas a Lev.
- Olá Ellie. – Cumprimentou Abby com um sorriso de orelha a orelha, estendendo-lhe uma mão.
- Bem-vinda ao Woodward Ranch. – Lev ia preparando os cavalos, mas também estendeu uma mão dando as boas vindas à recém-chegada. – A nossa filha anda por aí algures.
- ANNIE! – Chamou Dina e uma pequena garotinha loira apareceu a correr vinda de dentro do chalé. – Lá está ela.
- Lá está ela! – confirmou Lev. – Annie, esta é a Ellie.
A menina deu um aperto de mão a Ellie e esboçou um sorriso de orelha a orelha, ela era uma fofura, aparentava ter uns 8 anos, com os seus longos cabelos loiros sempre atados numa ou duas tranças, tinha pele morena e olhinhos rasgados.
- Moram todos aqui? – questionou Ellie olhando em redor.
- Sim, lar doce lar. – Respondeu Abby colocando o seu braço por cima dos ombros de Lev encostando a sua cabeça na dele.
- Lev e Abby mantêm a herdade em ordem e a funcionar, eu estaria perdida sem eles. – Explicou Dina com o seu sorriso doce cheio de carinho pelos amigos. – Bem, vou levar-te ao teu cantinho e Lev, podes guardar os cavalos?
- Sim, senhora! – Afirmou Lev fazendo sinal de continência o que levou Annie a dar uma grande gargalhada.
Dina pegou na mala de Ellie fazendo-lhe sinal para a seguir e começou a caminhar à frente dela conversando;
- A noite aqui é bem tranquila, apenas se ouvem lobos e coiotes.
- Lobos e coiotes? – Questionou Ellie meia nervosa com a novidade.
- Não te preocupes, o Pluto assusta-os. – Continuou Dina sempre sorrindo, mas Ellie não estava com cara de muitos amigos. – Pluto, o nosso leão residente da montanha.
- Ah? – Ellie estava cada vez mais confusa e assutada. – Têm um leão?
- Não te preocupes, provavelmente ele não te fará nada.
- Provavelmente? – Ellie perguntou, mas não obteve resposta, Dina apenas sorria.
- Chegámos! – Anunciou Dina. A casinha era pequena, mas muito simpática, toda revestida em pedra com porta e janelas em madeira clara.
- A que horas vem a camareira? – Perguntou Ellie enquanto Dina abria a porta.
- Ah, a empregada está de férias, creio que vais ter de limpar e arrumar sozinha. Portanto, a casa é pequena, mas aconchegante. Tens uma geladeira e microondas. – Dina apontou para um espaço que fazia de mini cozinha, com um balcão e bancos altos. – Não há TV nem telefone, mas o espaço de lazer é relaxante – Logo ao lado da mini cozinha, estava um sofá de dois lugares virado para uma parede de madeira com um quadro, realmente deu para perceber que ali não havia televisão ou qualquer outra tecnologia. – Tens tudo o que precisas e tudo o que não precisas não há. – Dina abriu os braços dando uma pequena pirueta e terminando com uma vénia. – Boa estadia.
- Ah! – Ellie tirou o telemóvel do bolso abanando-o no ar. – Onde consigo arranjar sinal?
- O serviço de rede telefónica é um pouco irregular aqui, o melhor lugar para apanhar sinal é nas traseiras do celeiro, mas boa-sorte com isso.
- Ok, perfeito, obrigada. – Ellie agradeceu e Dina virou costas indo em direção à porta. – Dina? Como são as entregas por esta zona?
- Entregas? Entregas de quê?
- Comida... não quero incomodar a chefe.
- O jantar é servido às oito horas, vou avisar a ... - Dina sorriu. – Bem, a chefe que temos uma convidada extra.
Ellie assentiu com a cabeça confirmando que se juntaria a eles para jantar – Ah, Dina? E a chave para trancar a porta?
- Ninguém tranca as portas por estes lados. – e saiu fechando a porta, sem deixar Ellie responder ou manifestar-se.
Ellie tirou o blazer e quando se ia descalçar, reparou que os seus sapatos estavam cheios de terra, achou por bem coloca-los no lado de fora no alpendre para não sujar a casa já que esta estava completamente imaculada com um cheirinho agradável a flores no ar. Voltou a entrar e decidiu tomar um duche para relaxar depois da sua chegada atribulada. Quando terminou o duche, deitou-se em cima da cama ainda enrolada na toalha e com os cabelos molhados, acabou por fechar os olhos e adormecer.
Acordou com o som de um sino a tocar, olhou para o relógio que estava preso na parede em frente reparando que já eram quase oito horas. Levantou-se rapidamente, foi até ao espelho da casa-de-banho e prendeu algumas mechas do seu cabelo castanho-avermelhado num coque deixando as mechas de baixo caírem sobre os ombros. Vestiu um top cinzento por baixo de um terno azul escuro. As calças tinham corte direito, mas vincado e o casaco era meio largo. Ellie não era fá de roupas justas, mas também não usava roupas muito largas, tudo no meio termo. Calçou uns sapatos escuros, pegou no telemóvel e saiu em direção ao chalé.
Quando lá chegou pensou em bater à porta, mas lembrou-se no que a Dina tinha "aqui ninguém tranca portas" então optou por entrar.
- Ei Ellie, entra. – Convidou Lev. – Já estávamos à tua espera. – A mesa já estava posta, Lev, Abby e Annie estavam sentados e um cheiro delicioso pairava no ar.
- Peço desculpa, acabei por adormecer. – Ellie olhou em volta, ficou meia atrapalha pois reparou que Annie e Abby já vestiam o pijama, Lev e Dina ainda estavam com roupas do dia-a-dia, mas bem relaxadas – Aah, não me apercebi que o clima era informal para o jantar. – Riu e tirou o casaco ficando só com o top de alças o que fez com que Dina olhasse duas vezes para o corpo de Ellie mas logo baixou o olhar. Ellie sentou-se – Jantar pesado, hidratos de carbono...
Abby começou a servir todos. Ellie gostava de comer, mas estava habituada a jantares mais leves, na verdade, a maioria dos dias ela chegava a casa cansada e comia apenas uma sopa ou uma salada.
- A vida no campo é pesada. – Explicou Lev enquanto servia um copo de vinho tinto a Ellie – Trabalhamos durante o dia e à noite celebramos com boa comida.
- Obrigada. – Ellie agradeceu pelo vinho e pela comida, o seu prato estava cheio até não caber mais nada.
- Dina, como o aeroporto vai ficar fechado durante uns dias, talvez possas levar a Ellie a fazer umas compras? – Abby olhou para Dina e piscou-lhe o olho. Dina bebeu um gole de vinho para nem responder à amiga, a última coisa que ela queria era levar Ellie fosse onde fosse.
- Na verdade, seria ótimo. Tenho de comprar alguns produtos de higiene. Só fiz as malas para uma noite. – Ellie explicou enquanto metia uma garfada de puré de batata na boca. – huum, isto está delicioso. Não tinha uma refeição caseira como esta faz... sei lá... na verdade, acho que nunca tive uma refeição caseira assim. Abby, muito obrigada, está uma delícia.
- Obrigada, come à vontade, comida não falta, mas hoje não foi a minha noite de cozinhar, hoje quem fez a comida foi aqui a nossa querida Dina. – Abby apontou com a cabeça para a colega fazendo com que Ellie ficasse envergonha, ela lembrou-se da conversa que tivera sobre o "chefe".
- A chefe agradece. – Dina riu e continuou a comer.
- Ellie, de onde tu vens há cavalos? – Questionou Annie.
- Não... Quer dizer, deve haver algum parque de equitação, mas não sei, nunca vi lá nenhum.
- Deve ser h******l viver num lugar onde não há cavalos. – Todos riram – eu adoro cavalos, um dia queria ter um negócio com cavalos. A mãe diz que trabalhas em negócios.
- É verdade. – Ellie confirmou, achava imensa piada àquela menina pequena, mas com um ar de mini-adulta.
- Por falar em negócios. – Começou Lev – A Dina diz que estás aqui para comprar o rancho.
- Bem, a minha empresa tem planos de investir no futuro de Castroville e o rancho da Dina, aliás, o vosso rancho é uma grande parte desse negócio. – explicou Ellie enquanto comia.
- Eu disse a Ellie que ouviria a sua oferta, mas que temos intenções de manter o nosso rancho. – disse Dina fazendo com que Lev confirmasse afirmativamente com a cabeça.
- A Dina tem uma ideia.... – Abby começou, mas logo foi interrompida pela amiga.
- Silencio. Essa minha ideia é minha e eu quero mante-la para nós.
- Entendo. – Todos trocaram olhares entre si.
- Bem, temos todo o prazer em ter-te por cá. – Abby era uma mulher forte, mas simpática e ao mesmo tempo carinhosa – Seja por que motivo for.
- Claro que enquanto estás por cá, tens de seguir as regras da nossa casa. – Dina estava determinada – Não toleramos lapas aqui sem pagar nem fazer nada, portanto Ellie, vais ter de fazer para merecer a tua estadia e comida.
Ellie sorriu, na verdade já estava à espera de ajudar com o que pudesse enquanto estava ali. – Parece-me justo.
- Ótimo, então hoje lavas a loiça. – Ambas trocaram um olhar, mas rapidamente baixaram para o seu prato. Ellie gostava de ver Dina sorrir, aquele sorriso maroto e mandão causava-lhe borboletas na barriga.