Tatuagens

1313 Palavras
Ponto de Vista de Alana Eu estava na galeria dando alguns retoques em um quadro triplo. Acabei pendurando-os, pois queria ver o que faltava. Uma grande pintura de oceano na parte de trás da galeria, onde o público ainda não podia ver. A minha exposição era exclusiva, por isso o segredo sobre os quadros. Enquanto retocava alguns pontos no quadro, pensei em Gabe. Não acredito que ele foi preso. Por isso sabia que aquele lugar era m*l frequentado e soube o que fazer pra me socorrer. Caras como ele são espertos. Preciso me afastar, por mais doce e lindo que ele seja... E por mais atraída que eu esteja. – Alana? – Era a voz de Gabe. Deixei a porta da galeria destrancada de novo, não acredito. – Estou aqui nos fundos. – Falei. – Tranca a porta, por favor? – Ouvi barulho de chave. Acho que ele me obedeceu. – E aí, gatinha. – Ele se aproximou de mim e eu desviei minha paleta de pintura e também o pincel abrindo os braços. – Ah, isso é um convite para um abraço? – Ele me abraçou, e eu o abracei com cuidado para não sujá-lo. Senti um beijo demorado em minha bochecha, e percebi que ele estava bem perfumado. Cheiro de homem.... Ah, meu Deus. Ele é uma droga de uma obra de arte. – Como está, Gabe? – Perguntei, me afastando dele e voltando minha atenção para o quadro. – Bem. E minha artista favorita? Vai me tatuar hoje a noite? – Concordei com a cabeça. – Claro! Estou ansiosa pra isso. – Dei mais algumas pinceladas no quadro e me afastei dele. Finalmente parecia terminado. – O que acha, Gabe? – Eu acho que você transformou o mar em uma jóia. – Eu abri um sorriso tão sincero que ele sorriu ao me ver. – Foi o elogio mais legal que alguém já fez para meus quadros. Coloquei a paleta e o pincel em uma pequena mesinha de apoio que eu mesma levei para a galeria. Gabe pegou minhas duas mãos e as olhou. Eu estava com as mãos coloridas de tinta azul. – Acho que alguém precisa lavar as mãos. – Ele deu risada ao falar. – Sempre acabo me sujando... – Não sei o que houve nesse momento, mas não consegui terminar a frase. Prendi a respiração. Era isso que Gabe Sanders fazia comigo. – Estou ansioso por hoje a noite. – Eu assenti ao ouví-lo. – Preciso ir, o Oliver tá me esperando provavelmente. – Até mais tarde, Gabe. – Abri um sorriso e ele saiu. Eu o acompanhei até a porta e fiquei olhando ele se afastar da galeria. Grande, musculoso, cheio de tatuagens... Onde e o que vou tatuar nele? Preciso pensar nisso. E, bom... O que meu pai pensaria em me ver saindo com um ex-presidiadio? Sou do tipo que gosta de se manter longe de problema, mas o Gabe parece... Inevitável. Passei o dia arrumando alguns quadros na galeria. Falta menos de três semanas para a inauguração da minha exposição. Hoje, para aliviar a tensão, eu e Gabe vamos a um tatuador. Eu não tenho tatuagens, mas vou fazer minha primeira. Pensei em uma pequena ondinha no ombro. E bom, ele vai ganhar uma tatuagem nova... Que eu vou desenhar. Ainda não sei o que fazer. Combinamos de nos encontrar na estação de metrô. Eu estava com uma calça jeans, um tênis branco e uma blusa regata também branca. Minha jaqueta cinza estava aberta e eu usava um lenço no pescoço. Segurava minha pequena bolsa azul ansiosa para que Gabe chegasse, e cerca de dois minutos depois, vi o homem enorme chegar com um sorriso expondo sua covinha na bochecha. – Lavou as mãos? Ele perguntou, dando risada. Levantei as mãos e mostrei que elas não estavam mais azuis. Ele as puxou e deu um beijo em cada uma. Fiquei vermelha. – O estúdio do meu amigo é aqui em frente. Olha o que ele me deu. – Ele ergueu um molho de chaves. – Caramba, não vai ter ninguém lá? – Ele sorriu ao me ver assustada. – Na sala dele não. Mas não se preocupe, é um estúdio compartilhado. Tem bastante gente trabalhando hoje e fica em cima de um bar. Não estaremos sozinhos. – Assenti. Andamos pela rua cerca de dois minutos até chegar em um bar cheio de caveiras, e com ambiente escuro. Muita gente bebia alegre, e pelo fato de eu estar com Gabe, não fiquei com medo. Subimos uma grande escadaria até os estúdios e ele cumprimentou alguns tatuadores. Depois, fomos até a salinha do amigo dele, onde ele abriu a porta e me deu passagem para entrar. Arte com tatuagens é diferente. O pincel é uma agulha, e a tela é uma pessoa viva. Eu estava empolgada porque nunca havia pensado na possibilidade de tatuar alguém. Isso também é uma arte. Tirei um pequeno papel do bolso e entreguei ao Gabe. – O que acha desse desenho? – Ele sorriu. – Totalmente fora da sua zona de conforto. Você pinta sereias e mar... E fez uma caveira com armas pra mim. Muito obrigado. – Ele estava ligando os equipamentos, e sentou-se em uma cadeira. Pediu que eu sentasse em frente a ele. Como ele estava de bermuda, ergueu exibindo a coxa inteira, colocando o dedo em um ponto específico. – Vai querer aí? – Ele assentiu com a cabeça. Me entregou algumas folhas de papel e um lápis. – Contorna o desenho... E depois nós vamos aplicar esse produto e passar o desenho pra pele. – Assenti. Eu estava tão ansiosa que parecia ser minha primeira apresentação de arte na faculdade. Novos métodos artísticos sempre fizeram meu coração bater mais forte. Eu bati palmas pra mim mesma e ele riu. Não foi muito difícil fazer a primeira tatuagem na coxa de Gabe. Ele sabia ensinar bem, e eu sempre tive a mão bem firme. Ele reclamou que eu estava apertando muito a agulha algumas vezes, mas no final das contas, deu tudo certo. Ficou um pouco tremido, mas ele disse que para uma primeira vez, havia ficado ótimo. Gabe trocou as agulhas e jogou a tinta fora, pegando um novo pocinho de tinta e equipando a máquina novamente. – Agora minha vez de te tatuar. Eu já fiz isso outras vezes, então relaxa. Onde vai querer? – Meu coração estava pulando de ansiedade. – Estou com um pouco de medo. – Respirei fundo e me sentei de costas para ele. – Quero no ombro. Uma surpresa bem legal. – Ele assentiu. Eu tirei minha blusa e fiquei apenas de regata. Ele desceu a alça da regata a deitando caída em meu ombro e passou o produto ali. Ouvi a máquina ligar e meu coração disparou. A dor não era muita. Durou uns três minutos. Quando estava pronta, Gabe tirou as luvas e me levou na frente do espelho. – O que acha, princesa? – Um grande sorriso surgiu nos meus lábios. E também nos dele. – Perfeita. Acho que você captou minha essência.- Era apenas uma onda, em uma linha pequena, em meu ombro. Eu estava de costas pra ele. Gabe me puxou pela cintura, ainda de costas, e deu um beijo ao lado da tatuagem. Senti meu corpo inteiro arrepiar com esse simples toque. – Acho que tenho direitos nessa obra de arte agora. – Ele sorriu de forma maliciosa. Senti minha respiração falhar e me vi no espelho tão vermelha quanto uma pimenta malagueta. Me virei de frente pra ele, buscando palavras para respondê-lo, mas não consegui. Os olhos esverdeados de Gabe estavam sobre os meus e eu paralisei. – Eu vou te beijar, Alana. ❤️❤️ Notas da Autora ❤️❤️❤️ Gostaram do capítulo? Me siga no i n s t a Calilignack para ver os personagens.
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