Capítulo 3

2024 Palavras
Por Isabel... Atravesso a rua com passos apressados sentindo meu coração batendo forte e descontrolado dentro do peito. Meu braço e segurado com força fazendo assim eu virar e bater contra uma parede de músculos. A ação é rápida e com isso ele se aproveita para grudar em minha cintura. — O que você está fazendo? — questiono, olhando nossos corpos colados. Tento me afastar. — Você saiu daquela maneira, eu confesso que fiquei bastante preocupado. — Diz. — Estou bem Eduardo, agora por gentileza pode me soltar, obrigado mas não precisa se preocupar. — agradeço. — Oh! Claro me desculpe. — Me solta se afastando, demonstrando está envergonhado. Ajeito o vestido. — Nos vemos na academia, boa noite, eu só não estou me sentindo bem mesmo. Me viro e continuo meu caminho tentando entender como uma pessoa como eu, que tento sempre está bem e forte sofre com essa coisa chamada amor. Sorrio com o meu pensamento i****a. Ninguém, nem mesmo forte ou fraco, rico ou pobre, n***o ou branco e assim por diante está livre disso. É algo que nos pega sem que possamos reagir, nos prende, nos faz sofrer em alguns momentos, nos faz ter raiva e ao mesmo tempo não ter. É confuso... O amor... Eu amo Saulo e nem mesmo o tempo foi capaz de apagar esse sentimento que habita dentro de mim. Porém a mágoa sobressai e não me deixa ir vê-lo outra vez. Ele mentiu. Toda vez que fecho os olhos vejo ele sendo algemado e os policias com as drogas. Meu Deus, eu nem sabia que ele era... Era traficante. Ele escondeu dentro da minha casa, se aproveitou da minha ingenuidade, da amizade do meu irmão e fez aquilo. Não sou capaz de perdoa-lo, é uma questão de princípio, pelo menos para mim sim. Por isso não faço questão de saber sobre ele. Não me interessa mais. Eu só peço que um dia esse amor seja arrancado e eu possa seguir em frente. É o que eu mais desejo. Ao chegar em casa me livro dos sapatos e vou em direção a cozinha, mais uma vez estou sozinha. Me acostumei a ficar sozinha por isso não é surpreendente. Kaio tem a sua vida misteriosa, amizades que não aprovo e desconfio que seja envolvido em coisa r**m. Porém, sou sua irmã e única família, a única coisa que posso fazer é aconselha-lo. Enquanto abro a geladeira vejo o quão ingênua ainda sou, não n**o isso e as vezes me dá vontade de bater a cabeça na parede para vê se enxergo as coisas de outra maneira. Procuro pela garrafa de vinho e assim que acho vou até o armário pegar uma taça, encho-a até a borda, sento em cima da ilha deixando a garrafa ao meu lado. Olho para cima respirando fundo tentando impedir que as lágrimas saiam, e, mais uma vez consigo. Trago a taça até meus lábios sorvendo todo o líquido que desce suavemente em minha garganta, e é focando nisso que seco a garrafa rapidamente. *** Minha cabeça gira e eu não consigo mais descer da ilha. Talvez eu durma por aqui mesmo. Penso. Minha b***a dói de tanto ficar sentada então desisto da ideia absurda de dormir aqui na cozinha. Conto até três e pulo, não caio de cara no chão e isso é motivo para comemorar com uma dancinha ridícula. Gargalho. — Você é demais Isa. — Me elogio sussurrando um "f**a!" no fim da frase. Estou indo para o quarto quando meu celular toca e sou obrigada a voltar para pega-lo. — Hmm... Alôooo? — Atendo com a voz arrastada e a tontura se intensifica me fazendo pegar em algum lugar para não ir ao chão. Espero a pessoa do outro lado falar mas não ouço nada. — Quem está falandoo? — ouço um xingamento do outro lado da linha. — Isabel! — Essa voz... Não. Não. Não! Eu só posso está ficando louca, é isso! Bebi tanto que estou escutando vozes. A voz dele. Meu Deus, isso aí já é ser masoquista. — Vai para o infernooo! — Merda, você está bêbada? — a pessoa grunhi em descrença. Não é possível que a minha mente possa está formando tudo isso. A voz está um pouco mais grossa, mais ainda assim é a dele. Sento no chão e encaro o celular. — O quão no fundo do poço eu estou ham? Me diz. Ao ponto de criar isso na minha cabeça, você está preso Saulo. Longe da minha vida, longe de mim. — Grito — Por favor me deixa em paz, sai da minha mente. Por favor... — Dou risada, então gargalho alto sentindo lágrimas rolando pelo meu rosto, mas ainda assim não me rendo ao maldito choro, deitando ali mesmo no chão porque como diz a Beca. Está f**a! ◇ Na manhã seguinte acordo com o som estridente do meu celular. Isso é coisa do meu irmão! Que ódio! O som do funk pesadão soa por todo o quarto e eu não preciso olhar para saber que são seis horas da manhã. Ele colocou de propósito, desgraçado. Minha cabeça dói muito, minha garganta está seca e eu me sinto a pior pessoa desse mundo. Pego o aparelho e desligo, levanto da cama ainda sonolenta e vou para o banheiro. Tamar um banho com toda certeza renovará minhas forças. Me livro do vestido e calcinha, entro no box e ligo o chuveiro deixando a água escorregar pelo meu corpo pensando o quão na merda eu estou. ◇ No café da manhã eu não encontrei o meu irmão para agradecer por não me deixar dormir no chão da cozinha, e depois estapea-lo por me fazer acordar tão cedo. Aproveito e deixo o almoço quase pronto até porque quando chegar da faculdade tenho que voar para a academia. Analisando agora essa situação não sei mais se quero ganhar massa muscular, em pensar que tenho faculdade, depois malhar, trabalho da faculdade e a noite trabalho no bar me deixa com preguiça e vontade de chorar. Mas não desanimo, as sete e meia saio de casa e vou para a faculdade. As provas finais se aproximam e eu não lutei tanto para esmurecer aqui. Foco em todas as aulas escrevendo qualquer detalhe que agora parece insignificante mas que depois pode ser a minha salvação. As vezes fico parada olhando para o celular lembrando de ontem a noite, talvez eu precise mesmo me dá a chance de conhecer outra pessoa, porque a minha situação já passou dos limites. Talvez eu devesse marcar com Beca e os meninos outra vez, me desculpar e vê no que dá. E isso! A manhã seguiu tranquila e demorada, cheguei em casa morta de fome e o que encontrei foi uma panela de macarronada com queijo no forno e asinhas de frango em um refratário com papel toalha. Sempre que queremos nos livrar da tentação o inimigo vem e te arma essa cilada. — Kaio, eu vou te matar p***a! — Grito alto e vou até o armário pegar um prato e me acabar nessa massa maravilhosa. Na academia, Eduardo se manteve o mais profissional possível, porém sempre com seus olhares nada descentes e bastante desconcertantes. Estava me sentindo estranha desde que chegara, uma sensação de ser observada a todo instante, e não era por conta dos olhares do instrutor. Não vi Beca o dia inteiro e temo que tenha ficado com raiva de mim. Mas não posso fazer nada, não poderia ficar naquele lugar me sentindo daquela maneira, era demais para mim. Saio da academia e pego o celular dentro da mochila discando o número da minha amiga e esperando até que ela atenda. — Hmmm — Murmura com a voz sonolenta. — Está onde? — Em casa dormindo... Aliás, estava dormindo. — Resmunga — Depois que você saiu dor bar daquela maneira eu fui atrás de você, porém Eduardo falou que ia te encontrar e levar pra casa. E aí como foi a noite? — Não teve noite Rebeca! Teve eu na minha casa sozinha secando uma garrafa de vinho. — Digo enfática. — Oh! Me desculpa amiga, se eu soubesse teria ido para secarmos dois litros. — Diz e sou obrigada a rir. — A noite foi maravilhosa, mais ainda assim eu me sinto vazia e perdida. — Desabafa e eu entendo por parte o que ela tá querendo dizer. — Entendo bem. — A noite! — Exclama e eu fico atenta— Eu vou no bar e vou afogar as mágoas do lado de cá do balcão e você do lado de lá. — Da risada então de repente começa a chorar — Eu odeio a vida. Oh meu Deus! — O que você tomou no café? — Pergunto. — Eu ainda não tomei café. — Choraminga. — Então é esse o motivo. — Dou risada — Vai lá que eu preciso ir pra casa depois nos falamos. Beijos. Desligo. ◇ Coloquei os trabalhos da faculdade em dia e acabei dormindo vendo um filme qualquer na televisão. O cansaço foi imenso que só levantei no horário de me vestir e ir para o bar. Tomei um banho rapidamente porque já se passava das sete, vesti uma calça e uma blusa preta, me sentei na cama e calcei o tênis rápido. Coloquei minhas coisas essenciais dentro da bolsa e levantei pegando a jaqueta e caminhando em direção a porta. Trabalho no bar a mais de três anos e isso tem sido maravilhoso, o fato de não querer dinheiro do meu irmão me impulsionou a fazer isso. E também desconfio da origem do seu dinheiro. Quando nossos pais morreram deixaram uma quantia significativa para nós, a qual a minha parte eu uso para poder pagar a faculdade. Então trabalho, porque com esse dinheiro eu posso gastar com trivialidades. Me apresso ao descer da moto no estacionamento, adentro o bar pela entrada dos fundos reservada apenas para os funcionários e me direciono para o banheiro onde cada um possui um armário no qual contém o pequeno uniforme. Depois de pronto me olho no espelho enquanto passo o obrigatório batom vermelho, o uniforme é composto por uma blusa vermelha de botões e um short saia preto, porém fica ao seu critério o uso da sandália, eu opto pelo meu famoso e habitual tênis. Cumprimento às demais pessoas e me direciono para o balcão. O movimento está a todo vapor, e daqui posso ver como eles estão agoniados. O fato de ser um bar famoso o luxuoso piora as coisas, porque não tem um dia em que não esteja assim. Atendo os clientes e não vejo o tempo passar. — Isa. — Melissa uma das atendentes encosta no balcão com uma bandeja na mão e me diz. — Tem um cliente na área vip que diz que só vai se atendido por você. — A amargura ao falar é notável, porém não presto atenção nisso e sim no que ela acabara de dizer Acho estranho. — Pede para alguém que esteja desocupado, não tem como eu sair daqui agora Melissa. — Aponto o óbvio. — Se você quiser eu fico até você ir lá. Não fica amarrando, o chefe disse que quando coisas assim acontecerem não podemos exitar até porque ele é cliente. Ele manda nós obedecemos. — Diz e eu reviro os olhos. Pego o pedido e subo a escada, tentando me esquilibrar para não rolar a mesma abaixo. Os seguranças abrem a porta e eu agradeço com um manear de cabeça. Um, dois, três passos para eu sentir meu mundo cair diante de mim. A bandeja escorrega das minhas mãos sem que eu tenha controle e eu vejo tudo em câmera lenta a partir daí. Saulo está sentado olhando diretamente para mim, o seu corpo dobrou de tamanho e ele agora tem barba. Minhas pernas travaram no lugar e as lágrimas começaram a sair. É real? — Vo... Você... — Sussurro e ele se levanta caminhando como um predador em minha direção. Giro meus pés com uma força e rapidez inédita e saio dali correndo o mais rápido que consigo. Ele está aqui, e agora mais perto do que nunca.
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