CAPÍTULO 209 LAURA NARRANDO Eu nem sei por que aceitei. Talvez fosse o álcool ainda queimando na garganta, talvez fosse o orgulho machucado que pedia alguma resposta física, alguma prova de que eu ainda podia. Tudo o que eu sei é que, num impulso que me assustou, eu deixei a quadra pra trás com aquele moleque agarrado na minha mão. A moto já tava ali, o vento cortando a noite quando a gente saiu da quadra. A pista ficou pequena, as luzes do baile viraram rastro no retrovisor. Ele riu, satisfeito, e eu senti um nó estranho no peito: raiva, vergonha, desejo — tudo misturado e queimando junto. — Vai me levar onde? — perguntei, tentando soar fria. — Pra rua, pra um lugar tranquilo. — ele respondeu, sem rodeios. — Lá eu te mostro que tu ainda é mulher. A resposta era vulgar, direta, e po

