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O Império Da Viúva

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Sinopse

Acalezia tinha tudo: poder, dinheiro, um império e o homem que amava.

Até que Ronaldo, seu marido e pai de seus filhos, é brutalmente assassinado.

Dois anos depois, ela acredita estar pronta para seguir em frente — até os irmãos Martins entrarem novamente em sua vida.

Um casamento começa como uma estratégia para conquistar seu patrimônio. Mas o que deveria ser apenas manipulação se transforma em sentimentos reais.

Enquanto Acalezia se entrega novamente ao amor, segredos começam a surgir.

Uma carta.

Um cofre.

Uma gravação.

E uma verdade capaz de destruir tudo o que ela acreditava saber sobre a morte de Ronaldo.

Porque o assassino não estava tão longe quanto ela imaginava.

E quando Acalezia descobrir quem realmente está por trás de sua maior tragédia, ninguém estará preparado para conhecer a força da mulher que ela se tornou.

Entre poder, dinheiro, paixão e traição, até onde você iria para descobrir a verdade?

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Capítulo 1 — A última opção
Aquela tarde começou como qualquer outra na sede dos Martins. Silêncio. Tensão. Homens armados circulando pelos corredores, seguranças de terno escuro parados em cada entrada e três escritórios ocupados pelos homens mais temidos daquela região. Os irmãos Martins. Dom Lombadine Martins, aos trinta e quatro anos, era o mais velho. Um metro e noventa e cinco de pura força. O corpo parecia esculpido em pedra. Braços tatuados, barba perfeitamente desenhada, cabelos pretos e lisos penteados para trás e olhos cor de mel que raramente demonstravam qualquer coisa além de frieza. Lombadine não precisava levantar a voz. Quando entrava em uma sala, os outros simplesmente calavam a boca. Dom Roivan Martins, trinta e dois anos, tinha dois metros de altura. O corpo enorme fazia qualquer terno parecer pequeno nele. Barba desenhada, cabelos lisos e loiros, olhos cor de mel e tatuagens espalhadas pelos braços, mãos e pescoço. Roivan tinha uma personalidade ainda pior que a do irmão. Explosivo. Arrogante. Impaciente. Era o tipo de homem que primeiro quebrava a cara de alguém e só depois perguntava o motivo da discussão. E então havia Dom Aurélio Martins. Trinta anos. Dois metros e cinco de altura. O mais novo dos três, mas talvez o mais assustador. Corpo gigantesco, musculoso, barba desenhada, cabelos ruivos e lisos, olhos cor de mel e tatuagens cobrindo braços, mãos e pescoço. Aurélio era frio. Extremamente frio. Quando ficava irritado, não gritava. Sorria. E aquele sorriso geralmente significava que alguém estava prestes a ter um problema muito sério. Os três estavam trabalhando quando a porta principal dos escritórios foi aberta violentamente. O patriarca entrou. Dom Reginaldo Martins. Mas havia alguma coisa errada. O homem que normalmente caminhava pelos corredores como um rei parecia... atordoado. Lombadine ergueu os olhos dos documentos. — Que p***a aconteceu? Roivan largou o telefone sobre a mesa. — Pai? Aurélio tirou lentamente os olhos do computador. Reginaldo respirou fundo. — Estamos falidos. Silêncio. Os três se entreolharam. Lombadine franziu a testa. — O quê? — Você ouviu. Reginaldo fechou a porta atrás de si. — Estamos quebrados. Roivan soltou uma risada seca. — Isso é alguma piada? — Eu pareço estar brincando, por acaso? Aurélio levantou-se. A cadeira recuou alguns centímetros com o movimento do homem enorme. — Quanto? Reginaldo passou a mão pelo rosto. — O suficiente para colocar todos nós em uma situação que vocês três não vão gostar. Lombadine cruzou os braços. — Fala logo. O patriarca encarou os três filhos. — Vocês três casaram e decidiram se separar das esposas de vocês como se casamento fosse uma merda qualquer. Roivan bateu a mão na mesa. — Não foi atoa, pai. — Não? Reginaldo apontou para ele. — Você ficou casado com Vanessa Lopes por um ano e três meses. Depois apontou para Lombadine. — Lombadine ficou oito meses com Bárbara Monteiro. Por fim, encarou Aurélio. — E você ficou dez meses com Mônica Valadares. Aurélio apertou a mandíbula. — E daí? — E daí que isso virou manchete! Reginaldo perdeu a paciência. — Três divórcios em sequência! Três famílias poderosas rompendo alianças com os Martins! Perdemos contratos, proteção política, parceiros comerciais e aliados! Lombadine permaneceu imóvel. — As mulheres eram um problema. — Vocês transformaram as três em inimigas públicas! — Elas que se fodam — Roivan rosnou. Reginaldo bateu as duas mãos sobre a mesa. — E agora são vocês que vão se f***r! Silêncio. Até Roivan ficou quieto. O patriarca respirou pesadamente. — Só nos resta uma opção. Lombadine estreitou os olhos. — Qual? Reginaldo demorou alguns segundos antes de responder. — Aceitar cuidar da viúva Acalezia Rodimelie. Os três ficaram imóveis. Aurélio foi o primeiro a falar. — Não. — Eu nem terminei. — Não preciso ouvir. — Vocês vão cuidar da fazenda dela. Roivan soltou uma risada incrédula. — Está de s*******m comigo? — Vão proteger os negócios dela. Lombadine começou a andar lentamente pelo escritório. — Não. — E vão ser bons maridos. Os três pararam. — Não. Reginaldo apontou para os filhos. — Vocês não têm escolha. Roivan cerrou os punhos. — Pai, não me obrigue a— — Ou é isso... Reginaldo fez uma pausa. — Ou é cadeia. A sala congelou. Lombadine virou o rosto lentamente. — Explica. — As ex-esposas de vocês estão processando a família. Estão exigindo indenizações absurdas. Se perdermos esses processos, não teremos dinheiro para pagar. E, pior, algumas das acusações podem levar vocês três diretamente para a cadeia. Roivan passou a língua pelos dentes. — Filhas da p**a. — Elas estão nos destruindo — Reginaldo continuou. — Eu e sua mãe somos velhos. Não temos mais força para reconstruir esse império. Aurélio permaneceu calado. Reginaldo respirou fundo. — Acalezia pode ajudar. Lombadine riu sem humor. — A viúva. — Sim. — A mulher que sempre consideramos inimiga? Reginaldo quase perdeu a paciência. — Inimiga? Ele olhou para os três como se estivesse diante de três completos idiotas. — Vocês são uns tolos. Roivan bufou. — Nós nunca tivemos contato com ela. — Exatamente! Reginaldo apontou para os três. — Vocês nunca sequer viram uma fotografia dessa mulher e decidiram que ela era inimiga porque ela herdou uma propriedade que vocês queriam controlar. Aurélio cruzou os braços. — E o que ela tem de tão especial? Reginaldo soltou um suspiro. — Beleza. Classe. Inteligência. Dinheiro. Poder. E, principalmente, uma reputação impecável. Lombadine arqueou uma sobrancelha. — Depois que ficou viúva? — Depois que ficou viúva, ela mudou. — Como? — Ficou mais reservada. Mais calma. Mais madura. Roivan soltou uma risada. — Claro. Ficou sozinha com um monte de filho. Reginaldo o encarou. — Vocês realmente não sabem de nada. Ele se aproximou. — Acalezia tem apenas vinte e cinco anos. Os três se entreolharam. Aurélio franziu a testa. — Vinte e cinco? — Sim. Roivan descruzou os braços. — E ela tem quantos filhos? — Dois. Lombadine ficou em silêncio. — Um menino de dois anos — Reginaldo continuou. — E uma menina de nove meses. Dessa vez, os três arregalaram os olhos. — Só isso? — Roivan perguntou, incrédulo. — Só isso. Aurélio passou a mão pela barba. — Ela foi casada com quem? — Ronaldo Matos. O nome fez Lombadine ficar sério. — O empresário? — Sim. — Achei que ele tivesse morrido. — Morreu. — Quando? Reginaldo baixou o tom. — Quando Acalezia estava grávida da menina. O ambiente ficou pesado. Aurélio olhou para o pai. — E ela quer se casar novamente? — Quer. Roivan soltou uma risada curta. — Por quê? Reginaldo olhou para os três como se aquela pergunta fosse a coisa mais absurda que já tinha ouvido. — Porque ela não quer ficar sozinha criando duas crianças, seus idiotas. Ele respirou fundo. — Ela é jovem. É bonita. Tem dinheiro. Tem uma propriedade enorme. Tem influência. E quer um marido que possa ajudá-la a proteger a família e administrar tudo. Lombadine estreitou os olhos. — E por que nós? — Porque ela conhece o nome Martins. — Então ela sabe quem somos. — Sabe. Roivan deu um passo à frente. — E mesmo assim aceitou? Reginaldo assentiu. — Aceitou. Aurélio soltou um riso baixo. — Essa mulher é maluca. — Não. Reginaldo encarou os três. — Ela é inteligente. Ele fez uma pausa. — E vocês três estão encurralados. Silêncio. Lombadine olhou para os irmãos. Roivan estava furioso. Aurélio parecia estar calculando todas as possibilidades. Nenhum dos três queria aquilo. Nenhum deles aceitava receber ordens de mulher alguma. E, principalmente, nenhum deles queria casamento. Mas cadeia era outra história. Reginaldo caminhou até a porta. Antes de sair, virou-se. — Preparem as malas. Roivan soltou um palavrão. — Que p***a? — Vocês vão para a fazenda amanhã cedo. Lombadine fechou os olhos por alguns segundos. Aurélio soltou uma risada sem humor. — Isso só pode ser uma brincadeira. Reginaldo abriu a porta. — Não é. — Pai. — Sim? Lombadine encarou o homem. — E se nós não gostarmos dela? Reginaldo sorriu de canto. — Problema de vocês. — E se ela não gostar da gente? O sorriso do patriarca aumentou. — Aí, meus filhos... Ele saiu. — Vocês estão fodidos. A porta se fechou. Silêncio. Os três irmãos ficaram olhando para ela. Roivan foi o primeiro a falar: — Eu não vou me casar. Aurélio pegou o paletó. — Eu também não. Lombadine permaneceu parado. — Vamos conhecer a mulher primeiro. Roivan virou-se para ele. — Você está falando sério? Lombadine encarou os irmãos. — Temos duas opções. — Quais? — Casamento. Ele fez uma pausa. — Ou cadeia. Aurélio respirou fundo. — Merda. Roivan passou a mão pelo rosto. — Eu odeio essa família. Lombadine pegou as chaves do carro. — Amanhã descobrimos quem é Acalezia Rodimelie. Nenhum dos três sabia. Nenhum deles fazia ideia de que aquela viagem mudaria completamente a vida dos Martins. Porque eles estavam indo até a fazenda acreditando que encontrariam uma viúva frágil, desesperada e fácil de controlar. Mas Acalezia Rodimelie não estava esperando três homens para salvá-la. Ela estava esperando três homens que precisavam desesperadamente dela. E quando os três mafiosos finalmente conhecessem a mulher... descobririam que talvez a verdadeira dona daquele jogo não fosse nenhum deles.

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