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ALÉM DO MURO: O PREÇO DO SANGUE

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Sinopse

Lorena Vaz aprendeu que o inferno não queima; ele sufoca. Criada sob o chicote moral de um pai pastor e marcada pelo julgamento de uma igreja que a apedrejou por ser mãe solo, ela sobrevive entre a escassez e a humilhação. Para Lorena, o sistema prisional não é um emprego. É o último suspiro de uma mulher moída pela vida que aceita descer ao abismo para não ver o filho passar fome.

Mas o abismo tem nome, vulgo e um trono: O Maestro.

No Setor de Segurança Máxima, a luz do sol é um mito e o Estado é uma piada. Ali, quem rege a sinfonia do caos é Henrique Falcão. Estrategista, frio e perverso, ele não precisa de gritos para ser obedecido; ele comanda o crime com a precisão de um cirurgião e a crueldade de um carrasco. Do Morro do Alvorecer até o isolamento da cela treze, sua vontade é a única lei que não pode ser quebrada.

Quando o Maestro fixa o olhar em Lorena, ele não vê uma mulher. Ele vê um desafio. Ele quer corromper o que a Bíblia tentou proteger. Ele quer a alma dela, pedaço por pedaço, até que não reste nada além de submissão.

O jogo se torna mortal quando o Maestro descobre o segredo que Lorena guardou com o próprio sangue: a existência do seu filho. Para um monstro que transforma amor em moeda de troca, ele encontrou a nota perfeita para fazê-la dançar conforme sua música macabra.

Esta não é uma história de amor. É um relato brutal de sobrevivência. Encurralada entre a opressão da cruz e a batuta do crime, Lorena terá que escolher: manter seus princípios ou salvar a vida de seu filho. No jogo do Maestro, ou você aprende a reger o caos, ou será a próxima a ser esmagada pelo silêncio das grades.

Bem-vinda à Segurança Máxima. Onde a esperança é a primeira a ser executada.

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PRÓLOGO
PRÓLOGO: A ORQUESTRA DO INFERNO PERMANENTE O ar dentro da Penitenciária de Segurança Máxima de Porto n***o não era uma promessa de vida, mas um sopro fétido de decadência. Para mim, Lorena Vaz, cada inspiração era um ato de profanação. Era uma mistura densa de poeira de concreto desintegrado, fluidos corporais secos há muito tempo e o cheiro metálico e pegajoso de sangue que parecia ter impregnado até as fundações daquela instituição. Sentia que aquele ar estava me contaminando, corroendo a última camada de pureza que meu pai, o Pastor Silas, tentara me impor com sermões cuspidos e castigos físicos que deixaram marcas invisíveis na minha alma desde a infância. Meu nome é Lorena Vaz. Eu deveria estar em qualquer lugar, em qualquer outro emprego, longe dali. Eu era apenas uma mulher de vinte e poucos anos, com o rosto pálido e marcado pelas olheiras de incontáveis noites sem dormir. Fui criada sob a égide de uma igreja hipócrita e vivia sob o desprezo constante do meu pai, que me acolhera de volta apenas para me transformar em uma sombra, uma serva humilhada. Mas o desespero tem uma voz que abafa qualquer mandamento divino. As contas se acumulavam, a despensa da pequena casa onde eu morava sob a supervisão paterna ecoava o vazio, e o futuro do meu filho, meu segredo mais bem guardado, dependia de mim. O concurso para o sistema prisional, com seu salário que prometia uma fuga, fora minha única saída. Uma porta para longe da tirania religiosa de Silas. Mas eu não imaginava que, ao cruzar o limiar, encontraria o próprio demônio sentado em um trono de ferro. Ajustei minha farda azul-marinho, sentindo o tecido áspero e barato irritar minha pele suada, mas o desconforto físico era insignificante perto do frio que subia pela minha espinha. Caminhava pelo Corredor do Esquecimento, e cada passo de minhas botas baratas parecia um prego sendo batido no meu próprio caixão. O Agente Rocha ia à minha frente, mas ele não era mais um homem; era uma casca vazia, seus ombros encolhidos, segurando o fuzil com as mãos trêmulas, como se fosse um pedaço de graveto inútil. — Escute bem, Vaz — ele sussurrou, e eu vi o suor escorrendo pelo pescoço dele, apesar do frio glacial que emanava daquele pavilhão. A voz dele era um sussurro rouco, um fiapo de som que m*l chegava aos meus ouvidos. — Na cela treze não mora um detento comum. Mora o cão. O inferno tem um regente aqui dentro. Não ouse olhar em seus olhos. Não respire perto da grade. Se ele sentir o cheiro do seu medo, ele vai te desmembrar psicologicamente antes que você consiga sequer registrar o ponto de saída. O portão hidráulico se abriu com um som estridente, um lamento metálico que parecia o grito de mil almas condenadas sendo esfoladas vivas. O barulho fez o chão tremer sob meus pés. Entramos. O corredor do Bloco V era uma galeria de horrores que nenhuma mente sã poderia processar. Nas primeiras celas, o caos era uma sinfonia ensurdecedora. Homens com olhos injetados de ódio e privação se penduravam nas grades, os dedos como garras projetando-se para fora, tentando alcançar qualquer pedaço de carne que passasse perto. Ouvi as obscenidades sendo disparadas como projéteis, sentindo o rosto queimar de vergonha e pavor. O cheiro de fezes queimadas, misturado ao odor de suor rançoso e urina, formava uma barreira quase física, dificultando minha caminhada. Os presos batiam canecas de alumínio contra o metal, produzindo um ritmo caótico que entrava pelos meus ouvidos e parecia ecoar dentro do meu crânio. — Olha a carinha da novata! — um deles gritou, e o som de sua risada era um raspado de gilete. — Ei, freirinha, o que você esconde debaixo desse uniforme? Deixa eu te mostrar o que é um homem de verdade! — outro rugiu, e sua gargalhada gutural me seguiu como uma sombra. Eu mantinha meus olhos fixos no chão, onde manchas de fluidos desconhecidos e sangue seco desenhavam mapas de violência antiga. Apertava a prancheta contra os s***s, tentando em vão ocultar a pequena cruz de prata que balançava no meu pescoço um símbolo que, naquele lugar, parecia mais uma sentença de morte do que uma proteção divina. Sentia que se fizesse contato visual com qualquer um daqueles predadores, seria arrastada para dentro daquelas grades e nunca mais veria a luz do sol, nunca mais sentiria o calor de uma mão inocente. Mas, à medida que avançávamos para o final da galeria, o fenômeno mais bizarro e aterrorizante aconteceu. O barulho morreu. Os gritos cessaram em uma sincronia perfeita, como se uma mão invisível tivesse cortado as cordas vocais de cada detento daquele setor. O silêncio que se instalou era predatório, um peso opressor que me sufocava. Os presos das celas dez e onze recuaram para as sombras dos cantos, agachados, como animais selvagens que sentem a proximidade de um predador de topo. Eles não tinham medo da guarda; eles estavam aterrorizados pelo vizinho do final do corredor. O medo deles era uma névoa que eu podia sentir, espessa e fria. — Por que eles pararam? — sussurrei, a voz tão fraca que parecia pertencer a outra pessoa. Rocha não respondeu. Ele estancou a cinco metros da cela treze, a mão tremendo perto do coldre de sua arma, embora seus olhos vazios revelassem que ele não ousaria usá-la. Ele apenas indicou o final do corredor com um aceno de cabeça trêmulo, forçando-me a avançar sozinha. A cela treze não era uma cela comum; era um palco de horror, um centro de comando grotesco. Estava impecavelmente limpa, organizada e exalava um frio que não vinha da temperatura ambiente, mas da presença que a habitava. Henrique Falcão, o Maestro, estava sentado em uma cadeira de ferro que parecia um trono forjado em ossos e desespero. Ele é um homem de traços aristocráticos, porém pervertidos pela violência das ruas, com uma mandíbula quadrada e olhos de um cinza gélido, desprovidos de qualquer centelha de alma. Estava sem camisa, exibindo tatuagens que cobriam seu peito e braços, uma coroa de espinhos que envolvia o nome de seu domínio: Morro do Alvorecer. Mas o que me fez perder o chão foi o que estava acontecendo no centro da cela. Preso a uma cadeira de ferro por correntes feitas de arame farpado, havia um homem. Não era apenas um preso; era um dos guardas que eu vira mais cedo, o Agente Silva, um homem que tinha me oferecido um café na entrada do presídio. O rosto dele era agora uma massa irreconhecível de sangue vivo. O Maestro segurava um objeto longo e afiado, uma espécie de estilete cirúrgico improvisado com uma colher de metal e arame farpado. Com uma calma que me causou náuseas, ele estava realizando uma "cirurgia" macabra. Ele se virou devagar, e o horror que vi me fez cair de joelhos no chão imundo. Nas mãos do Maestro, brilhando sob a luz fraca e doentia da lâmpada, estavam dois globos oculares. Inteiros. Ainda conectados por finos fios de nervos sangrentos. Eles pingavam um líquido viscoso e vermelho no chão de concreto. — Você está testemunhando isso, Lorena Vaz? — A voz dele era um barítono aveludado, mas com uma lâmina oculta em cada sílaba, um sussurro melódico que me congelou até a alma. — Este pobre infeliz, o Agente Silva, achou que poderia desviar o olhar dos meus negócios, da minha autoridade lá no Morro do Alvorecer. Achou que eu não saberia. Mas na minha orquestra, ninguém atravessa a nota sem pagar o preço. E a visão é um preço muito alto, não acha? O Agente Silva na cadeira soltou um som não era um grito, era um borbulhar gutural de sangue e agonia que subia de sua garganta. Ele não tinha mais olhos. No lugar deles, havia apenas duas cavidades escuras e profundas que vertiam um sangue espesso e quase preto. O Maestro caminhou até a grade, segurando os olhos do homem como se fossem joias raras, exibindo-os para mim. — Você tem olhos bonitos, Lorena — ele disse, e o hálito dele, com cheiro de tabaco e morte, atingiu meu rosto, fazendo meu estômago se contorcer. — Olhos que carregam esse cheiro de incenso de igreja, que me causa repulsa. Você acha que o seu Deus está vendo o que eu faço agora? Eu garanto que não. Diga a Ele que, se quiser ver, terá que descer aqui, porque neste setor, quem governa a visão de todos sou eu. Ele estendeu a mão pelas grades. Eu queria correr, queria gritar até rasgar minha garganta, mas meu corpo estava paralisado pelo terror primordial. Ele tocou meu rosto com os dedos sujos de sangue quente. O contato daquele sangue com a minha pele pareceu me queimar como ácido, deixando um rastro pegajoso e repugnante. — Por que você está chorando? — Ele inclinou a cabeça, deliciando-se com as lágrimas que escorriam pelos meus olhos. — Eu apenas estou ajudando este rapaz. Se ele não queria ver o meu poder, agora nunca mais terá que se preocupar com a luz do dia. Ele verá apenas a escuridão que eu comandei. Com um movimento seco e c***l, o Maestro esmagou os dois globos oculares na palma da mão. O som daquilo explodindo um splash úmido, viscoso e nauseante foi a nota final daquela tortura. O fluido vítreo e o sangue espirraram na minha farda, manchando o azul com a cor da morte. — Leve este lixo daqui, Rocha — o Maestro ordenou, sem desviar os olhos de mim, mantendo seu olhar fixo no meu terror. — Ele perdeu a visão do jogo. Agora serve apenas para adubar o pátio. Ele se aproximou tanto da grade que eu pude ver cada detalhe das tatuagens em seu pescoço. O cheiro dele me envolvia, um perfume de perigo e poder. Ele agarrou a pequena cruz de prata no meu pescoço e puxou com uma força desumana. A corrente não apenas arrebentou; ela rasgou a pele da minha nuca, deixando um rastro de dor aguda e uma ferida aberta. — Amanhã você voltará, Lorena — ele sussurrou, a voz se transformando em um rosnado quase inaudível. — E trará mais do que papéis e café. Você trará a sua dignidade, porque eu quero ver o quanto ela vale antes de eu arrancá-la de você, pedaço por pedaço. Eu me levantei e corri. Corri como se minhas pernas estivessem pegando fogo, o som dos gritos dos presos voltando à medida que eu me afastava da cela treze, os portões metálicos se fechando atrás de mim com estrondos que pareciam marteladas no meu crânio. Só parei quando me tranquei no banheiro dos funcionários. Vomitei até sentir que minha alma estava se esvaindo pelo meu corpo. Lavei meu rosto repetidamente na torneira, mas o sangue daquele homem parecia ter entranhado nos meus poros. Esfregava a pele até ficar em carne viva, mas o cheiro de metal e a imagem daquelas cavidades vazias estavam gravados na minha retina, na minha mente, na minha alma. Olhei-me no espelho e não reconheci a mulher que me encarava. A marca vermelha e sangrenta no meu pescoço, onde a cruz havia sido arrancada, era uma cicatriz de posse, um lembrete físico de que eu era dele. O terror que eu sentia pelo meu pai, o Pastor Silas, e suas chicotadas morais, agora parecia uma brincadeira de criança. O Maestro era o predador de topo que tinha acabado de me marcar como sua próxima refeição. Ele não queria me matar rapidamente; ele queria me transformar em uma testemunha de sua maldade, uma cúmplice silenciosa de sua orquestra de carne. Ele queria minha alma. Naquela noite, eu não consegui rezar. Como eu poderia rezar se eu tinha visto que o inferno era uma cela treze em Porto n***o? Fiquei sentada no chão do meu quarto, abraçando os próprios joelhos, o som da chuva batendo na janela soando como sussurros de demônios. Eu sabia que ele me observava, mesmo de dentro daquelas grades. Ele arrancara os olhos de um homem apenas para me provar que, no Setor de Segurança Máxima, a única coisa que eu veria dali para frente seria a escuridão que ele comandava. Eu estava presa. Não pelas grades da penitenciária, mas pela vontade de um monstro que regia o destino de todos com uma batuta feita de vidro e sangue. NOTA DA AUTORA.. Olá, meninas! Mais um lançamento chegando para abalar as estruturas, e o que nos espera nesse lançamento é algo que vai testar todos os limites de vocês... preparem o psicológico! Nesta história, vamos conhecer a luta de uma mãe solo guerreira, que vive sob o peso de um segredo absoluto e a pressão de uma criação rígida. Do outro lado, temos o Maestro: um traficante c***l, um terrorista psicológico que não conhece a palavra piedade e que rege o crime de dentro do Setor de Segurança Máxima com uma batuta feita de sangue e medo. O que acontece quando a pureza da fé colide com a perversidade do inferno? Anota aí: Em março começamos nossa jornada com atualizações diárias! Não fiquem de fora dessa sinfonia de horror e desejo. Adicionem agora mesmo na biblioteca e fiquem por dentro de cada nota desse caos. Vocês não estão preparadas para o que o Maestro é capaz de fazer. Sejam bem-vindas ao Setor de Segurança Máxima. 🖤🔥

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