Pré-visualização gratuita Jogo da Verdade
Baile de Primavera, todos reunidos numa festa chata, com as suas bebidas e outras drogas escondidas sob a roupa. Era possível, pois nesta escola de nome renomado ninguém queria problema com os pais e se mexessem com os filhos tinham que pensar bem antes de acusar. As crianças eram um reflexo dos pais e a reputação vinha antes de tudo. Estávamos em uma mesa fumando. Eu e meu grupo mais chegado na escola.
Assim ficamos, com jogos de perguntas constrangedoras e novos micos como punição. Mas que graça tem isso? Quando se cresce convivendo com os mesmos colegas desde o primeiro ano escolar, você sabe que eles presenciaram os seus piores momentos na vida, ou participaram de alguma forma.
Estavam todos muito doidos em poucas horas. Muitos adormecidos, os lúcidos se pegando com alguém, sem se importar com mais nada. Levantei o olhar entediado. Não só com a festa, mas com tudo. Era sempre sim senhor, não senhor e falar pouco para não se encrencar. Não que meus pais não me amassem, eles apenas amavam mais a si mesmos, em muitos tópicos da lista, e eu ficava entre o amor e o problema prioritário, porque se eu tinha um problema, eu era um problema.
Encontrei algo que prometia uma quebra na minha rotina e, consequentemente, no meu tédio. Aquele olhar castanho claro e o sorriso debochado que foi dado para mim. Na hora pensei, porquê não?
O dono da expressão convidativa era Ariel, o garoto que, apesar de ser discreto, assumiu ser gay para todo mundo sem embaraços. Para ele, pelo menos. Todos se sentiam embaraçados na sua presença, fora os comentários desnecessários.
Porquê ele olhava para mim, era um grande mistério. Eu, o rapaz certinho, mediano no atletismo, nerd e hetero. Estava sem a minha namorada hoje, mas estava com a Clara. Ela não veio ao baile porque a sua plástica de nariz não cicatrizou a tempo, e os olhos ainda estavam roxos.
Caminhei até o moreno, que estava diante da entrada do corredor que levava aos banheiros. Toquei o seu copo com o meu em um brinde e bebi o último gole diante dele. Sorri me livrando do copo que pus de lado, em qualquer lugar. Ariel fez o mesmo com o seu copo e atacou os meus lábios com ferocidade me envolvendo em um abraço de aço. Nunca me senti tão desejado como naquele abraço.
As suas mãos exploratórias desbravando e se apossando do meu corpo, dos meus sentidos e juízo. Quando dei por mim, estava numa cabine do banheiro masculino no melhor amasso da minha vida.
_ Dany, porque está aqui? _ falou carecendo de ar.
_ Você me trouxe aqui _ puxei a sua camisa retomando o beijo em seus lábios.
_ Não, antes. Porquê veio até mim?
_ Você me chamou com o olhar.
_ Sempre te olho assim.
_ O que? _ ri desta descoberta _ Só notei hoje _ disse sobre os seus lábios fazendo o meu hálito de pouca bebida ser sentido por ambos.
_ Você é gay?
_ Não _ beijei o seu pescoço, pois a boca estava difícil.
Empurrei o Ariel contra a parede comecei a sentir a sua pele macia. Ouvi os seus suspiros e senti as suas mãos deslizando pela minha cintura. Soltou um gemido.
_ Dany _ gemeu o meu nome me causando um calor meio louco.
O anuncio de que a festa acabara ecoando pelos autofalantes do colégio nos separou como um choque de realidade. Me afastei meio brusco do Ariel e o olhei grave.
_ Se você contar, eu vou...
_ Não vou contar _ me assegurou.
Depois de um último olhar para o rapaz corado. Me perguntei se eu parecia tão culpado quanto ele e sorri mordendo o lábio inferior. Dei um último beijo breve e segui de volta para a minha monotonia.