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Sob a lei do predador : rendida ao inimigo

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Sinopse

Ela caça monstros. Ele comanda o império deles. O que acontece quando a lei e o crime colidem na mesma cama?Durante um opulento casamento tradicional árabe de quatro dias, os caminhos de Maya, uma brilhante investigadora de polícia, e Malik, o implacável e possessivo herdeiro de uma poderosa facção criminosa, se cruzam. Sem conhecerem as reais identidades um do outro, eles mergulham em um jogo perigoso de sedução, luxúria e domínio. Malik decide que fará daquela mulher misteriosa sua esposa. Mas quando as máscaras caírem, a paixão avassaladora se tornará a maior ameaça à sobrevivência de ambos

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CAPÍTULO 1: O PREÇO DO OLHAR
O ar dentro do suntuoso salão de festas do Al-Qasr cheirava a opulência, fumaça de narguilé aromatizada com maçã verde e o perfume excessivamente doce das gardênias importadas que decoravam os arcos de gesso esculpido. Para qualquer um dos quinhentos convidados que lotavam o espaço, aquela era a celebração do ano: o casamento que unia duas das famílias mais tradicionais e influentes da comunidade árabe local. A música folclórica viva, ditada pelo ritmo frenético do derbake e pelas notas melancólicas do oud, preenchia o ambiente alto, reverberando nas paredes cobertas de tapeçarias de seda e detalhes em folha de ouro. Para Maya, no entanto, aquele lugar parecia um exercício exaustivo de simulação. Ajeitando discretamente a alça fina do seu vestido de gala vermelho, ela se encostou contra uma das colunas de mármore mais afastadas da pista de dança. O tecido de cetim abraçava suas curvas como uma segunda pele, uma escolha deliberada de sua mãe para fazê-la "parecer menos com um sargento e mais com uma mulher solteira em idade de casar". Maya soltou um suspiro imperceptível, os dedos longos tamborilando contra a taça de cristal que segurava. Ela m*l havia tocado no champanhe. Anos trabalhando no Departamento de Homicídios haviam destruído permanentemente sua capacidade de relaxar em grandes multidões, principalmente quando estava cercada por pessoas que exalavam o tipo de poder que costumava flertar perigosamente com as margens da legalidade. Sua prima, Yasmin, estava radiante no centro do salão, usando um vestido bordado com milhares de cristais que capturavam a luz dos lustres monumentais. Ela ria, de braços dados com o novo marido, Tariq. Maya sorriu genuinamente pela prima, mas seus olhos, treinados para a vigilância constante, não conseguiram deixar de escanear o restante do ambiente. Ela mapeava as saídas de emergência, calculava o número de seguranças armados disfarçados de terno na periferia do salão e lia a linguagem corporal dos homens mais velhos que conversavam em círculos fechados, cujos olhares pesados carregavam o peso de decisões que envolviam quantias de dinheiro que a maioria dos mortais jamais veria. Havia algo de teatral em tudo aquilo. Uma camada espessa de ouro usada para cobrir segredos. Maya engoliu em seco, sentindo o peso invisível do distintivo que, por pura força do hábito, ela havia escondido dentro da pequena bolsa de mão que deixara na mesa da família. Ela era uma investigadora de polícia. Uma caçadora de monstros em uma cidade que sangrava todas as noites. Estar ali, cercada por sorrisos polidos e joias milionárias, parecia uma contradição ambulante. Foi exatamente nesse momento, quando ela inclinou a cabeça para trás para afastar uma mecha de seus longos cabelos escuros dos ombros, que o ar ao seu redor pareceu mudar de densidade. Não foi um barulho. Não foi um movimento brusco. Foi uma pressão estática na base de sua nuca, o mesmo instinto visceral que a alertava quando entrava em um beco escuro atrás de um suspeito armado. Maya ergueu os olhos lentamente, cruzando a imensidão do salão lotado, contornando os casais que dançavam e os garçons que carregavam bandejas de prata. Do outro lado do salão, em um mezanino VIP ligeiramente elevado e reservado para os membros mais importantes do clã do noivo, um homem a observava. Ele estava de pé, com uma das mãos elegantemente enfiada no bolso de uma calça de alfaiataria escura. O terno sob medida, em um tom de azul-noturno tão profundo que quase flertava com o preto, moldava ombros largos e uma postura de autoridade absoluta. A camisa escura estava com os dois primeiros botões abertos, revelando uma pele bronzeada e a ausência de gravata, dando-lhe um ar de desleixo calculado, perigoso e terrivelmente atraente. Mas foram os olhos dele que prenderam Maya no lugar. Olhos escuros, afiados como lâminas de Damasco, focados inteiramente nela. Ele não disfarçou o olhar quando ela o pegou observando. Pelo contrário. Ele inclinou a cabeça milimetricamente, sustentando o contato visual com uma intensidade predatória que fez o sangue de Maya correr mais rápido nas veias. Malik não tinha a intenção de passar a noite inteira naquele casamento. Casamentos eram eventos de fachada, ferramentas diplomáticas necessárias para manter as aparências da comunidade e selar alianças silenciosas. Como o herdeiro e chefe de fato da facção mafiosa que controlava os portos, as rotas de distribuição e as sombras daquela região, sua mente raramente se desligava dos negócios. Ele havia passado as últimas duas horas conversando em códigos com três de seus capitães principais, resolvendo uma disputa territorial que ameaçava interromper um carregamento vindo do Mediterrâneo. Mas então, ele a viu. Ela era como uma labareda de fogo em um deserto de monotonia. O vestido vermelho cortava a sobriedade do salão como um aviso de perigo. Malik ignorou as palavras do homem mais velho ao seu lado, seus olhos fixando-se na curva do pescoço da mulher, na forma como ela se mantinha encostada na coluna com uma postura que não condizia com o ambiente. As outras mulheres no salão exibiam submissão, sorrisos ensaiados e uma busca constante por aprovação. Aquela mulher não. Ela observava o lugar com os ombros tensos, o queixo sutilmente erguido e um olhar analítico que Malik reconheceu instantaneamente. Era o olhar de quem sabe como sobreviver. O olhar de quem esconde os próprios dentes. "Quem é ela?", Malik perguntou, sua voz um barítono baixo e rouco, interrompendo o fluxo de palavras de seu primo ao lado. Tariq piscou, seguindo a direção do olhar do chefe. Um vinco de preocupação cruzou a testa do noivo. "A de vermelho? É Maya. Prima direta da Yasmin. Ela... ela não é da comunidade, Malik. Mora na capital, quase não vem para as festas da família. É melhor focar nas filhas do comendador, elas estão esperando uma oportunidade para—" "Eu não perguntei sobre as outras", Malik cortou, o tom frio e calmo carregando a autoridade inquestionável de quem comanda milhares de homens. "Eu perguntei sobre ela." "Ela é reservada. Uma mulher difícil, pelo que a Yasmin me disse", Tariq engoliu em seco, ajeitando o colarinho. "Não se mistura facilmente." Um sorriso lento e perigoso delineou os lábios bem desenhados de Malik. Ele gostava de coisas difíceis. O fácil nunca retinha sua atenção por mais de alguns minutos. Ele observou Maya sustentar seu olhar do outro lado do salão, vendo o momento exato em que a respiração dela acelerou, fazendo o tecido vermelho do decote subir e descer. Ela estava afetada por ele, ele podia ver de longe, mas se recusava a desviar os olhos. Havia um desafio mudo naquela postura. Uma faísca de rebeldia que acendeu algo primitivo e possessivo no peito do mafioso. Ela vai ser minha, o pensamento ecoou na mente de Malik com a força de um decreto irrevogável. Ele não sabia quem ela era, de onde vinha ou o que fazia, mas no segundo em que seus olhos encontraram os dela, a caçada havia começado. E Malik nunca perdia uma presa. Do seu ponto de observação, Maya sentiu um arrepio térmico cruzar seus braços. Ela forçou a si mesma a desviar o olhar, virando o rosto em direção à pista de dança, o coração batendo contra as costelas em um compasso frenético que a irritou profundamente. Ela era uma investigadora treinada, pelo amor de Deus. Já havia encarado assassinos em salas de interrogatório sem piscar. Por que um homem rico de terno sob medida havia conseguido desestabilizá-la com um único olhar? "Maya, querida! Você precisa comer algo, os salgados folheados de carne de carneiro estão divinos", a voz de sua tia apareceu do nada, quebrando o transe. "Obrigada, tia. Eu já vou", Maya forçou um sorriso polido, mas sua mente estava em outro lugar. Ela olhou de soslaio para o mezanino novamente. O espaço estava vazio. O homem de azul-noturno havia sumido. Uma sensação estranha, uma mistura de alívio e uma inexplicável pontada de frustração, se instalou em seu estômago. Ela respirou fundo, decidindo que precisava de um pouco de ar puro e longe daquela música ensurdecedora se quisesse aguentar os próximos três dias de celebração. Maya se esquivou habilmente dos parentes, caminhando em direção às grandes portas de vidro que davam para os jardins dos fundos do palácio de festas. O jardim era imenso, iluminado por pequenas lâmpadas embutidas no chão que projetavam sombras longas entre as palmeiras e as fontes de água geométrica. A temperatura ali fora estava mais amena, o vento da noite trazendo um frescor bem-vindo para sua pele aquecida. Ela caminhou até a borda de uma das fontes de pedra, observando a água jorrar em um fluxo contínuo. O silêncio do jardim era quebrado apenas pelo eco abafado da música que vinha de dentro do salão. Maya fechou os olhos por um segundo, aproveitando a solidão. "O vermelho definitivamente é a sua cor." A voz masculina, profunda, texturizada e perigosamente próxima, fez Maya abrir os olhos de golpe. Seu corpo reagiu antes da mente: ela deu um passo para o lado, girando nos calcanhares e adotando uma postura defensiva sutil, as mãos ligeiramente erguidas na altura da cintura, pronta para um confronto físico. A poucos passos dela, emergindo das sombras projetadas por uma tamareira, estava ele. De perto, Malik era ainda mais imponente. Ele era alto, facilmente ultrapassando um metro e oitenta e cinco de altura, com um físico largo que o terno caro não conseguia ocultar. Suas feições eram marcadamente árabes: o maxilar quadrado coberto por uma barba por fazer perfeitamente aparada, o nariz aquilino proeminente e os cabelos escuros ligeiramente desalinhados pelo vento da noite. Havia uma aura de perigo absoluto emanando dele, o tipo de magnetismo que faz as pessoas se afastarem por instinto de autopreservação. Mas Maya não se afastou. Ela estreitou os olhos, abaixando as mãos lentamente, mas mantendo o peso do corpo distribuído de forma a permitir um movimento rápido. "Você costuma assustar as mulheres nos jardins, ou isso é um hábito especial para noites de casamento?", ela perguntou, sua voz saindo firme, controlada, o tom cortante de quem está acostumada a dar as ordens. Malik deu mais um passo à frente. Ele não se moveu como um convidado comum; ele se moveu como um predador que havia encurralado sua caça em um canto escuro. Seus olhos desceram pelo corpo dela, apreciando a forma como o vestido vermelho delineava sua silhueta, antes de voltarem para os olhos dela. Ele notou a reação física dela, a mudança instantânea para uma postura de combate. Aquilo o intrigou profundamente. A maioria das mulheres em sua presença ficava tímida ou tentava seduzi-lo ativamente. Maya parecia pronta para quebrar o nariz dele se ele se aproximasse demais. A ideia de lutar com ela fez um calor familiar e sombrio subir pelo seu corpo. "Eu não assusto", Malik respondeu, os lábios se curvando em um sorriso quase imperceptível. "Eu apenas apareço quando algo me interessa. E você, Maya, é a única coisa interessante em um raio de quilômetros." O som de seu próprio nome saindo daquela boca enviou um alerta vermelho direto para o cérebro da investigadora. "Você sabe o meu nome. Mas eu não me lembro de ter me apresentado." "Eu sou um homem que consegue o que quer", ele disse, parando a menos de um metro dela. A proximidade permitiu que Maya sentisse o perfume dele: uma mistura inebriante de sândalo, couro e um toque sutil de tabaco caro. Um cheiro puramente masculino e opressor. "E descobrir o nome da mulher que se recusou a desviar o olhar do meu foi uma tarefa fácil." "Talvez eu estivesse apenas tentando descobrir se você estava tendo um derrame, já que ficou me encarando como um psicopata por vinte minutos", ela rebateu, cruzando os braços. A audácia em suas palavras era uma linha de defesa. Ela precisava manter a distância psicológica daquele homem, porque a física já estava perigosamente reduzida. Malik soltou uma risada baixa, um som áspero que vibrou no peito dele. Ninguém falava com ele daquela forma. Seus homens temiam seu silêncio; seus inimigos imploravam por suas vidas quando ele abria a boca. Aquela mulher o estava chamando de psicopata na cara dura, e tudo o que ele queria fazer era prensá-la contra a coluna de pedra atrás dela e cravar os dentes em seu lábio inferior até arrancar um gemido. "Você tem uma língua afiada", ele observou, dando mais um passo, reduzindo a distância entre eles a um espaço mínimo, quase íntimo. Maya teve que inclinar a cabeça para trás para continuar olhando nos olhos dele. "E uma postura muito firme para quem está apenas em uma festa de família. Você se move como alguém que carrega um peso. Ou uma arma." O coração de Maya deu um salto violento, mas seus anos de treinamento impediram que qualquer microexpressão revelasse seu choque. Será que ele tinha visto o distintivo? Será que ele sabia o que ela fazia? Ela forçou um riso sarcástico, relaxando os braços e deixando-os cair ao lado do corpo, embora seus músculos continuassem tensos como molas comprimidas. "É apenas o peso de ter que aguentar conversas fiadas em casamentos tradicionais", ela mentiu com perfeição clínica, sustentando o olhar dele. "E você? Qual é a sua desculpa para andar pelas sombras como se fosse o dono do lugar?" "Eu não ando pelas sombras, Maya. Eu as comando", Malik respondeu, o tom de voz caindo para um sussurro denso. Ele ergueu a mão direita lentamente. Maya vigiou o movimento de perto, mas não recuou quando os dedos longos e firmes dele, adornados com um anel de ouro pesado com um selo antigo, se aproximaram de seu rosto. Ele não a tocou diretamente na pele. Em vez disso, seus dedos roçaram de leve na ponta de uma das mechas de seu cabelo escuro, enrolando o fio de seda ao redor do indicador. O gesto foi incrivelmente íntimo, carregado de uma promessa possessiva que fez o estômago de Maya revirar em uma mistura de pânico e desejo puramente carnal. "E quanto a ser o dono do lugar...", Malik continuou, aproximando o rosto do dela até que ela pudesse sentir o calor de sua respiração contra sua bochecha. "Este lugar, este casamento, esta cidade... tudo isso se move porque eu permito. E antes que esses quatro dias terminem, você vai aprender que eu não divido o que me pertence." A audácia dele a deixou sem fôlego por um milissegundo. "Eu não pertenço a ninguém além de mim mesma", ela sibilou, sua voz ganhando uma borda perigosa. Ela estendeu a mão, segurando o pulso dele com firmeza para afastar os dedos de seu cabelo. No momento em que sua pele encontrou a dele, uma corrente de eletricidade estática pareceu estalar entre os dois. A pele de Malik era quente, os tendões de seu pulso duros como aço sob os dedos dela. Maya pretendia apenas empurrá-lo para longe, mas o aperto dele em seu cabelo não cedeu imediatamente. Eles ficaram congelados naquela posição por alguns segundos longos e agonizantes: ela segurando o pulso dele, ele segurando uma mecha de seu cabelo, os rostos a poucos centímetros de distância, as respirações se misturando no ar da noite. A química entre eles não era suave; era violenta, destrutiva e imediata. Era o encontro de duas forças implacáveis que se recusavam a ceder. "Veremos", Malik murmurou, os olhos escuros brilhando com uma satisfação genuína ao sentir a força do aperto dela em seu pulso. Ela tinha força física. Ela tinha fogo. Ele soltou o cabelo dela devagar, mas sua mão não recuou completamente; seus dedos roçaram de leve na linha da mandíbula de Maya antes que ele desse um passo para trás, quebrando a bolha de tensão que os envolvia. Maya soltou o pulso dele, sentindo os próprios dedos formigarem. Ela deu um passo atrás, restabelecendo seu espaço vital, tentando desesperadamente desacelerar o ritmo de seus batimentos cardíacos. "Acho que já tive o suficiente de ar puro por uma noite", ela disse, sua voz um pouco mais rouca do que o normal. Ela ajeitou a postura, recuperando sua máscara de frieza profissional. "Com licença...?" Ela deixou a pergunta no ar, percebendo que ainda não sabia o nome dele. Malik deu um sorriso de canto, os olhos fixos nela enquanto ela começava a se virar em direção às portas do salão. "Malik", ele disse, a palavra flutuando no ar como um aviso. "Meu nome é Malik." Maya parou por um breve segundo, o nome ecoando em sua mente com um peso estranho. Malik. Rei. Soberano. Ela não olhou para trás, continuando seu caminho firme de volta para a luz e para a multidão do salão de festas, mas a sensação dos dedos dele perto de sua pele permaneceu com ela como uma marca invisível. Ao entrar novamente no salão lotado, o barulho da música e o calor das pessoas pareceram sufocantes. Maya caminhou direto para a mesa onde sua bolsa estava, pegando-a e tirando o celular de dentro apenas para ter algo em que focar. Suas mãos estavam levemente trêmulas, algo que ela nunca permitiria que acontecesse em campo. Ela precisava descobrir quem era aquele homem. O instinto que a mantivera viva nas ruas da capital estava gritando que Malik não era apenas um convidado rico com um ego inflado. Havia algo nele que cheirava a sangue e poder absoluto. Distante dali, no canto oposto do salão, Malik observava Maya se afastar através do vidro. Um de seus homens de confiança, um guarda-costas imenso chamado Kassem, aproximou-se em silêncio, parando logo atrás do ombro direito do chefe. "Senhor", Kassem falou baixo. "Os preparativos para a segurança do segundo dia estão prontos. O transporte dos convidados VIPs para a propriedade de campo começará às dez da manhã." "Ótimo", Malik respondeu, sem desviar os olhos da silhueta de vermelho que agora conversava com a noiva no centro da pista. "Kassem, quero que você descubra tudo sobre a prima da noiva. A de vermelho. Quero a rotina dela, onde mora, com quem fala. Tudo." Kassem hesitou por uma fração de segundo, sabendo que Malik raramente se interessava por mulheres daquela forma, especialmente durante um evento familiar tão vigiado. "Sim, senhor. Até amanhã de manhã terei o relatório." "Não", Malik corrigiu, a voz fria e cortante como o gelo. "Quero isso antes que o sol nasça. E Kassem... certifique-se de que o quarto ao lado dos meus aposentos na propriedade de campo esteja preparado. Nós teremos uma convidada especial antes que este casamento termine." O guarda-costas assentiu e se retirou nas sombras, deixando Malik sozinho com seus pensamentos. O chefe da máfia ergueu a mão direita, olhando para os próprios dedos que ainda guardavam a textura do cabelo escuro de Maya. Um desejo sombrio e possessivo apertou seu peito. Ele sabia que o jogo que estava começando era perigoso. Ele podia ver nos olhos dela que ela não se renderia facilmente, que lutaria com unhas e dentes contra o domínio dele. E era exatamente isso que tornava a perspectiva de tomá-la ainda mais deliciosa. Do outro lado do salão, Maya finalmente conseguiu se despedir da prima e de sua mãe, alegando uma dor de cabeça terrível causada pela viagem e pela música alta. Ela pegou a chave do quarto de hotel que a família havia reservado no próprio complexo do Al-Qasr e subiu pelos elevadores panorâmicos, tentando não olhar para baixo, tentando não procurar por um terno azul-noturno entre a multidão. Quando as portas do quarto de hotel se fecharam atrás dela, Maya finalmente desabou contra a madeira maciça da porta, deixando o ar sair de seus pulmões em um suspiro trêmulo. Ela jogou a bolsa sobre a cama de casal luxuosa e começou a desabotoar o vestido vermelho, deixando o tecido escorregar pelo seu corpo até o chão. Ficando apenas de lingerie preta, ela caminhou até o espelho do banheiro e olhou para o próprio reflexo. Seus olhos estavam brilhando, as bochechas ligeiramente coradas. Ela tocou a própria mandíbula, exatamente no local onde os dedos de Malik haviam roçado de leve antes de ele ir embora. "É só o calor do lugar", ela sussurrou para si mesma, tentando racionalizar a tempestade que acontecia dentro de seu peito. "É só uma festa de casamento de quatro dias. Depois disso, você volta para a delegacia, para a sua vida, e nunca mais vai ver esse homem." Mas, no fundo de sua mente investigativa, uma voz sussurrava o oposto. Maya sabia ler os sinais de um perigo iminente. E Malik não era o tipo de homem que desaparecia nas sombras sem antes queimar tudo o que tocava. O primeiro dia da celebração havia terminado, mas a noite estava apenas começando, e as linhas invisíveis da caçada já haviam sido traçadas sob a lei daquele que se considerava o único predador do lugar.

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