Capítulo 3
*Alexandra narrando*
Entrei no carro, a mente tomada por mil pensamentos, mas a principal era a exaustão que sentia das ordens implacáveis de Ettore. Ele se achava o dono do mundo. Muitas vezes me perguntava por que meus pais insistiram nesse casamento. Ettore nunca demonstrou qualquer sentimento por mim. Tudo o que ele tinha era um objetivo claro: manter as aparências, preservar a identidade da máfia italiana e seguir adiante com seus negócios.
— Você já sabe para onde me levar — disse, entregando uma quantia de dinheiro ao motorista.
— Ok — respondeu ele, mudando o trajeto como combinado.
Eu sabia que Ettore provavelmente nem voltaria para casa naquela noite. Ele se perderia em algum beco escuro com uma prostituta, como fazia tantas vezes. Estávamos casados há alguns anos, e somente agora engravidei do nosso primeiro filho — o herdeiro da máfia italiana. Essa criança seria uma peça importante no jogo de poder que Ettore tanto zelava.
Quando a ideia de me casar com ele foi apresentada, eu fiquei animada. Sempre sonhei com um casamento digno de contos de fadas, mas após pouco tempo convivendo ao lado de Ettore, percebi que estava presa em um pesadelo. Meu pai sempre teve negócios com ele, mas desde o assassinato do meu sogro, as coisas desandaram.
O carro parou em frente a uma cabana discreta. Desci e entrei, encontrando-o com uma taça de vinho em mãos.
— Fiquei surpreso quando você disse que viria até aqui — ele falou, me olhando nos olhos.
— Eu quero destruir Ettore — respondi, sem rodeios.
— Você precisa ter calma — ele rebateu, mantendo a compostura. — Está carregando o herdeiro da máfia.
— Exatamente por isso — murmurei, impaciente.
— E do que adianta você carregar o herdeiro da máfia se está disposta a destruí-lo e deixar todos no caos? Não podemos negar que Ettore salvou a máfia italiana de ruir — ele disse, firme.
— Eu não suporto mais ele — confessei, o desespero começando a transparecer em minha voz.
— Vai precisar suportar. Ettore está prestes a desmascarar muita coisa. E você precisa estar ao lado dele, vigiando o que ele está descobrindo — ele disse, me encarando com seriedade.
— Como se ele me contasse algo... — bufei, irritada.
— Você é a mãe do herdeiro da máfia e esposa do chefe. Alexandra, você é esperta. O jogo está ao seu favor. Use suas armas — ele falou, com um brilho nos olhos que me fez hesitar.
— Ele afastou meus pais... — respondi, frustrada.
— Ettore é mais astuto do que parece. Se afastou seus pais, é porque ele desconfia de algo.
— E o que eu faço? Fico lá, esperando ele descobrir a verdade sozinho? — perguntei, a voz entrecortada pelo nervosismo.
— Quem decide é você — ele disse com calma. — Use tudo ao seu favor e faça as coisas acontecerem. Você tem a capacidade. A minha Alexandra sempre soube jogar. Não deixe Ettore apagar isso — ele completou, enquanto acendia um charuto, soltando uma espessa fumaça que logo preencheu o ambiente.
Saí da cabana, irritada, e voltei ao carro. Durante todo o caminho de volta, as palavras dele ecoavam na minha mente. O que eu faria a partir dali? Qual seria meu próximo passo?
Quando cheguei em casa, como esperado, o carro de Ettore não estava. Ele provavelmente ainda estava no jantar, ou com outra mulher. Entrei diretamente no escritório dele, na esperança de encontrar algo relevante. No entanto, cada canto daquele lugar era meticulosamente organizado. Ettore era minucioso ao extremo. Seria capaz de perceber que eu mexi em suas coisas apenas por algo estar fora do lugar.
Sabia que se houvesse algo realmente importante, estaria na sede da máfia italiana — um lugar ao qual eu, por enquanto, não tinha acesso.