Capítulo 6 - Kamila narrando Eu encaro aquele homem à minha frente, sem conseguir esconder meu leve espanto. Ele percebe o impacto da sua presença, claramente inesperada, e se aproxima com passos lentos, cada movimento calculado. — Não queria te assustar — sua voz sai firme, dominante. — Acabei vindo aqui fora para pegar um ar e vi você parece um tanto quanto nervosa. — Também estava aqui tomando um ar — respondi, tentando soar despreocupada, mas ele já havia lido minha tensão. Ele sorri, aquele sorriso de canto que carrega uma confiança natural, talvez um pouco prepotente. — Me pergunto... o que numa exposição de arte pode deixar alguém tão nervosa assim? — ele comenta com uma sobrancelha arqueada. — A não ser, claro, que sejam as obras horríveis da minha cunhada. — O tom de desprezo

