Capítulo 5
Matteo narrando
Tentei ligar para Kamila várias vezes, mas ela não atendia. Bati repetidamente na porta de sua casa, mas nenhum sinal dela. Preocupado, fui até a casa de Priscila, sua melhor amiga, e bati na porta. Ela apareceu de pijama, com uma expressão surpresa.
— O que foi? Você aqui a essa hora?
— Estou tentando falar com a Kamila — respondi, sem rodeios.
Ela bufou.
— Achei que tivesse vindo atrás de mim, mas é por causa dela, claro.
— Ela não me atende desde ontem. Você sabe onde ela está?
— Ela mencionou que ia fazer uma viagem e voltaria logo, mas não me disse mais nada.
Suspirei, frustrado.
— Kamila, Kamila...
Priscila me olhou com desdém.
— Talvez ela tenha arrumado alguém que a ame de verdade e a mereça, porque, convenhamos, você nunca a mereceu.
— E você quer falar de lealdade? A melhor amiga dela que deu em cima do noivo! — rebati, irritado.
— Ué, você era o noivo... — retrucou ela, com um olhar desafiador. — Esquece a Kamila. Eu recebi uma proposta de trabalho na Alemanha. Vem comigo.
Fiquei atônito por um momento.
— E vai abandonar sua melhor amiga assim?
— Não é bem abandono... Mas enquanto ela estiver aqui, nós nunca vamos ficar juntos. Você só consegue pensar nela.
— Eu não posso abandoná-la agora, Priscila — disse com firmeza. — Ainda mais depois que ela perdeu o pai.
— Eu também me importo com ela, sabe? Ela é minha melhor amiga — respondeu com um tom mais suave, mas logo voltou ao ataque. — Mas, poxa, você diz que quer ficar comigo, mas nunca assume o que temos.
— Eu só acho que agora não é o momento certo.
Ela suspirou, irritada, e abriu a porta com força.
— Vai embora, Matteo. Se a Kamila me ligar, eu aviso que você quer falar com ela.
— Priscila, por favor...
— Já disse, vaza! — ordenou ela.
Saí da casa e entrei no carro, dirigindo sem rumo. No entanto, logo percebi um carro preto me seguindo. Tentei despistá-lo por diversas ruas e desvios, e finalmente o veículo parou de me seguir. Nesse momento, meu celular tocou. Era Kamila.
— Boa noite — disse ela.
— Onde você está? Fui até a sua casa.
— Estou em Nápoles — respondeu com um suspiro.
— Nápoles? O que você está fazendo aí?
— Vim resolver umas coisas. Retorno amanhã à noite.
— Está tudo bem, Kamila? — perguntei, preocupado.
— Sim, está. Amanhã, quando eu chegar, te aviso.
— Ok. Qualquer coisa, me liga.
— Matteo... — ela hesitou.
— O que foi?
— Na verdade, vim investigar algumas coisas sobre a morte do meu pai.
— Por que você não me contou? Eu teria ido com você.
— Não quero misturar as coisas — disse ela, em tom firme.
— E descobriu algo?
— Nada ainda. Apenas fui a um jantar que parecia importante, mas acabou sendo irrelevante. Estou indo para o hotel agora.
— Se cuida, Kamila. Me avisa quando retornar.
— Pode deixar.
Raymond Bellini
— A Alexandra ligou — disse Simone, entrando no escritório. — Ela não entende, e nem eu, por que o Ettore cancelou nossos convites.
— Deixe isso comigo — respondi, sem desviar o olhar dos papéis. — Resolvo amanhã na sede.
— Nós também somos membros da máfia, Raymond! — ela exclamou, nervosa. — Você sabe disso!
— Muitas coisas estão acontecendo. Quanto menos problemas, melhor.
— Isso tudo é por causa da morte do pai dele, não é? — ela perguntou, com o olhar fixo em mim. — Você está envolvido nisso?
— Não se preocupe com assuntos de homens, Simone — respondi, tentando encerrar o assunto.
Mas ela insistiu.
— Raymond, eu quero a verdade. Não quero que você esconda nada de mim. Eu sei que você e Alfredo estavam investigando o paradeiro do amuleto. Isso é importante para mim também!
Suspirei e disse com firmeza:
— O amuleto não existe mais.
Ela me encarou, incrédula.
— Eu não acredito nisso. Sinto que você está mentindo.
— Já se passaram quase três décadas, Simone. Não existe mais esperança.
Seu olhar ficou sombrio, e eu sabia que, independentemente de quanto tempo passasse, ela nunca perderia a esperança de encontrar o amuleto. Servi um copo de bebida e me sentei, pensativo. Muita coisa havia mudado nos últimos meses e anos. Eu tinha certeza de que a tempestade estava apenas começando.