Flávia narrando... A gritaria do lado de fora fazia meu coração bater mais rápido — mas não de medo. Eu já sabia o que estava vindo. Já tinha sentido o cheiro da confusão no ar muito antes dos outros. A invasão começou do nada, tiros pra cima, correria... e eu? Eu só fechei a porta e comecei meu teatrinho. Me enrolei no lençol, sentei no canto da sala e deixei as lágrimas escorrerem. Falsas, mas bem ensaiadas. Quando a porta estourou com um chute seco, quase sorri — mas me contive. Era ela. A Xerife. Fiz cara de assustada, os olhos arregalados, principalmente quando a mesma falou que estava seguindo às ordens de me levar para a salinha. Obedeci, tremendo... de leve. Só o suficiente pra parecer convincente. Quando a porta da salinha fechou atrás de nós, ela se virou com aquele olhar que

