Mônica narrando... O carro tremia conforme subia o morro, os pneus mordendo o asfalto esburacado, enquanto o Vapor mantinha o volante firme. Dentro, o silêncio pesava mais que o ar abafado da tarde. Eu estava no banco da frente, mas meu olhar não parava de buscar o reflexo de Estella pelo retrovisor. Ela estava sentada atrás, ao lado da Jade, com as mãos no colo — juntas, os dedos entrelaçados como se estivessem tentando impedir o próprio corpo de desmoronar. Estella estava pálida. Os olhos fundos, perdidos em algum ponto além da janela, como se buscassem uma resposta no céu nublado que cobria o alto do morro. Mônica: Ele vai ficar bem — arrisquei dizer, sem virar pra trás. Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava, ela, nem se moveu, não falou nada, era como se estivesse distante.

