Rogério narrando... O sol m*l tinha nascido quando cheguei na laje onde o Sabão me esperava, o clima no morro da Pedreira era abafado como sempre, mas o calor que me incomodava era outro, o da humilhação, da vergonha, da sensação de estar sendo caçado, mas isso não duraria por muito tempo, a minha caçada daria início logo! Sabão estava com a cara fechada, cigarro aceso entre os dedos e o olhar perdido no horizonte da comunidade, o rádio em cima da mureta tocava alguma batida arrastada de funk, mas ninguém prestava atenção. Os vapores ali por perto davam até um passo para trás quando eu passava, sabiam quem eu era, então mantinham o respeito. Sabão: Tu demorou, hein, Rogério — ele falou, sem me olhar. Rogério: Tava resolvendo uns assuntos... mas agora é contigo, a gente precisa agir.

