Zahara Bianchi
Eu estou completamente sem paciência!
— Esses seus irmãos são que são, hein... chefinha — Romeo comenta aqui, do lado do passageiro, enquanto eu acelero de volta para a minha empresa.
— Isso tudo é por conta dos rumores de que o senhor Bianchi pretende dar a um de vocês o controle da empresa, não é? — questiona.
— O que acha? — respondo, e ele abana a cabeça.
— Sem lados, se eu fosse o senhor Bianchi eu escolheria você — fala. — Não é a mais velha, é mulher, mas, sabe navegar igual um pirata no mundo dos negócios... — travo.
— O que houve? — pergunta, levando o seu olhar na minha direção.
— Algodão doce — falo. — Vá comprar para nós dois — digo.
— Oxi... — diz.
— Vai logo, Romeo — falo, sem paciência.
— Tá, estou indo! — ele diz, saindo do carro, indo até a banca onde estão vendendo.
Preciso de açúcar para regular o meu sistema nervoso.
Encosto a minha cabeça na poltrona, enquanto espero por ele.
Minha cabeça está doendo.
Bem, que eu podia ligar para o senhor Jean, mas ele deve estar ocupado com aquele italiano intrometido e achudo.
Por que ele não me falou dele antes? Por que permitiu que ele investigasse a minha família e não se deu ao trabalho de me contar?
O que está acontecendo?
— Aqui! — me entrega, entrando.
— Obrigada! — agradeço, comendo.
— Não é comum que uma CEO, filha de candidato à presidência, pare o carro para comer algodão doce — fala e eu reviro os olhos.
—Minha cabeça... — reclamo, voltando a acelerar.
— Não acha melhor irmos ao hospital? — pergunta. — Sei que estamos fingindo que não aconteceu, mas pelos vídeos, claramente a senhorita se machucou — diz, e eu suspiro.
— Eu estou bem, só me ralei um pouco — falo.
— Analgésico? — sugere.
— Não é dor de cabeça que se resolve com analgésico — só com uma bebida bem forte. — Só com silêncio — falo.
— Humn... recado recebido — ótimo.
Chegamos em pouco tempo na empresa e eu fiquei trancada no escritório.
Não quero acreditar que um dos meus irmãos, mandou aqueles homens até aqui...
Mas como já viram, existe uma competição silenciosa, mas barulhenta entre nós.
Como sabiam que eu estava saindo exatamente naquele momento?
Eu saí mais tarde que o costume ontem.
Ficaram aguardando?
Um monte de trabalho, por que bem...
A minha cabeça está cheia de coisas que eu simplesmente e desde sempre, procurei manter-me ocupada, então eu tenho a mim empresa para cuidar, o meu trabalho na Bianchi e bem, eu gosto de ajudar com casos que precisam ter as suas peças encaixadas.
Ou seja, eu ajudo o senhor Jean, mesmo depois de ter parado de exercer ativamente advocacia.
Mas parece, que ele não quer a minha ajuda de todo mais, por que... que canalhice foi aquela de manhã?
Enfim, neste momento, praticamente todos os funcionários já se foram e eu estou fazendo o mesmo.
Não quero que dessa vez, o meu look vá com Deus por nenhum desgraçado.
— Senhorita! — o Romeo fala, já entrando na minha sala.
— Oh, o que foi? — pergunto, tentando não mostrar que a entrada inesperada dele, me assustou.
Sabem, né...?
Noite, praticamente sozinha, depois do que aconteceu ontem... argh!
Eu prometo que estou bem, eu só preciso de uma bebida, comida e uma boa noite de sono.
— Bater à porta antes de entrar ainda é requisitado — vou falando, terminando de arrumar a minha mesa.
— Eu sei, me desculpe... — por que ele está assim, todo apressado?
Invadiram?
— Fala logo! — eu estou calma ainda.
— Aqui, a ficha do Lorenzo Ferri! — diz, esticando a mão dele na minha direção com o envelope branco.
— Mas precisava disso tudo? — questiono, abrindo e lendo.
— Eu não abri, mas estou curioso para saber o que tem aí... — claro.
— Ficha limpa — falo, pegando na minha bolsa.
— Mas... eu tenho quase certeza que ele é da máfia italiana, dizem que todas as famílias lá o respeitam, todo o mundo treme só de ouvir o nome dele — ele fala, e só de ouvir o nome dele, já detesto.
— É por isso que devia ter feito uma pesquisa mais profunda, a ficha dele é limpa demais para alguém como ele — falo, saindo do escritório e tranco.
A senhora Kim saiu no seu horário normal, só por que eu insisti.
— Eu garanto que foi tudo minuciosamente pesquisado... mas, nada do que falam possui registros.
Humn...
Se está limpo demais é por que tem alguma coisa para esconder.
Mas ele claramente não tem nada para esconder ou ter medo, depois do pressentindo que mandou e a sua chegada súbita.
Quem é ele e qual é o seu jogo?
— Eu descobrirei por mim mesma — falo, entrando no elevador e ele vem comigo.
Já estava pronto para ir mesmo.
— Espera... a senhora o conhece pessoalmente? — indaga, curioso e eu suspiro.
— Ainda com dores de cabeça... Entendido! — diz.
— E a gangue? — questiono.
— Ainda sem resposta, mas mando assim que chegar — diz, e eu assinto.
— Não veio de carro? — pergunto, vendo ele pedir um táxi.
— Não, combinei de sair com algum pessoal da empresa para o bar... — humn.
— Gostaria de se juntar a nós? — pergunta.
Deveria, mas estou sem cabeça.
— Eu levo você até lá, vou passar dessa rua — falo, e ele sorri.
— Ai, a senhorita é a melhor sabia?! — diz, e eu reviro os olhos, tentando esconder o meu sorriso.
— Eu já disse que pode me chamar pelo nome — falo, saindo do elevador, e, oh...
O meu peito aperta só de entrar nesse estacionamento.
Ah, que saco, Zahara!
— Eu prefiro manter a cordialidade, não quero habituar e depois parecer desrespeitoso na frente de pessoas importantes, como o seu pai — fala, mas eu só consigo tentar focar em ir para a minha vaga, sem entrar em pânico desnecessariamente.
Sem escutar o chiar repentino daquela maldita van, e nem da força daqueles imundos tentando me meter nela...
Aff...
Entramos no carro, eu tranco as portas, e parece que um peso enorme saiu dos meus ombros.
Eu sinto o olhar dele sobre mim, mas ignoro e acelero até ao bar, fica próximo do escritório do senhor Jean.
— Muito obrigado pela carona! — agradece, saindo do carro.
— De nada! Se divirta! — falo, e ele sorri.
— Nem precisa dizer duas vezes! — esse homem.
Ele fecha a porta e vai, e eu acelero rumo ao escritório do senhor Jean.
Ele sempre tem uma garrafa de whiskey por lá.
Cheguei lá em pouco tempo, e bem... já é tarde, o horário de expediente já terminou, mas ele sempre sai mais tarde.
Caminho até ao escritório, e ao entrar... meu corpo enrijece.
Mas que...
Meu olhar observa o rosto do homem estrangeiro na minha frente, e subitamente os meus batimentos cardíacos aceleram.
Era só o que me faltava.
E ele ainda está muito a vontade, como se pertencesse aqui.
— Zahara! — o senhor Jean fala.
Suspiro fundo.
Era só o que me faltava.
Caminho até a mesa onde eles estão sentados e me sentei também acompanhada de seus olhares.
— Eu posso ter um pouco de whiskey também, senhor Jean? — pergunto, sem saber se quero mesmo ficar aqui, e meu orgulho me fazendo querer enterrar o meu salto aqui.
— Oh, claro... — diz, indo pegar o copo para me servir, e o meu olhar vai para o ser na minha frente, e por algum motivo, manter contato visual com ele é difícil, e piora quando o i****a decide sorrir de soslaio.
Mas eu não gosto de perder, ele está me desafiando com o olhar e eu busco não desviar.
Ele está muito à vontade para o meu gosto, e eu não gosto disso.
Eu sinto o olhar do senhor Jean, enquanto ele pousa o copo na minha frente.
— Tudo bem? Aconteceu alguma coisa hoje? — ele me pergunta, sentando-se e eu suspiro.
— Eu contaria, mas o senhor tem visita — falo, e o homem na minha frente sorri, e leva o copo até aos seus lábios.
Parece que ele está se divertindo as minhas custas e está me irritando.
— Eu achei que a senhorita também fosse visita — ah?!
— Até onde sei, nem aqui deveria estar — eu levo o meu olhar para o dele.
— Por que você saberia isso de mim? — indago, afrontosa e ele permanece impassível.
— Eu sei muito mais que isso sobre você — ousado.
— O que você está tentando fazer, hein? Quem você pensa que é? — questiono, frustrada.
— Lorenzo Ferri, e eu sou mais de fazer do que tentar — fecho os meus olhos e busco não perder a linha completamente.
— Zahara, o Lorenzo veio por que eu pedi — ouço o senhor Jean.
— Eu só não entendo o porquê o senhor está aqui conversando com um mafioso! — meio que explodo.
— Mafioso... essa é uma acusação grave, senhorita Zahara — argh!!!
A voz dele, o jeito dele e como ele fala, o charme dele... tudo nele é irritante.
— Ele está me ajudando com a investigação da Bianchi Corporation — o senhor Jean fala, e eu me encosto na poltrona e suspiro fundo.
— Zahara, ambos sabemos que têm várias anomalias acontecendo — ele fala, e eu passo a mão pelo meu rosto, extremamente frustrada.
— Mas por que o senhor não me contou? Por que trouxe esse italiano mafioso para cá? — eu só queria relaxar.
— Ninguém me trouxe para cá. Eu tenho contas por acertar com o seu pai. E talvez você não seja visita, mas também não está no direito de exigir informações de ninguém — a forma com que ele fala é eloquente, autoritária, pungente mas calma, o que também me irrita.
Mas se o senhor Jean não interviu, é por que ele está correcto e eu estou literalmente sobrando aqui.
Uma peça sobrando tem o seu tempo contado, e acho que o meu chegou ao fim.