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1846 Palavras
Zahara Bianchi Meus olhos se centram no conteúdo no meu copo, enquanto busco digerir o que eu ouvi e o que tudo isso significa. Pego no copo e ingiro todo o líquido de uma só vez. Mais uma vez sozinha. De um lado querem me apunhalar pelas costas, literalmente e do outro que eu achei que tinha, eu estou literalmente sendo descartada. Existem coisas que nunca mudam. Me levanto sobre o olhar de ambos e pego na minha bolsa. — Zahara... — não agora, senhor Jean. — Por que me mandou aquele pendrive? — questiono para o ser impassível na minha frente. Sério, a postura calma, fria, relaxada e de dono de tudo e de todos está me tirando do sério. Seu olhar verde fixa no meu rosto como se estivesse me analisando, e eu me sinto estranhamente intimidada. Eu não me intimido fácil, acho que já deu para notar e esse sentimento está alterando a química do meu cérebro. — O que achou do que encontrou nele? — indaga e meus batimentos cardíacos aceleram. — O que eu achei não é do seu interesse. A questão foi o por que me mandou aquilo? E o que você teria para resolver com o meu pai? — questiono e ele se encosta a poltrona ainda com os seus olhos em mim. — Ambos sabemos que o seu pai não presta e nem as coisas que faz — solta essa e não é algo que eu posso refutar totalmente. — Eu quis entender onde a cabeça da filha do Bianchi que está também associada ao advogado que moveu projectos contra ele, faria — diz, como se essa sua análise já tivesse conclusão. — È una talpa infiltrata o sta solo giocando a fare l'innocente? — a voz dele falando desse jeito e em italiano, fez os meus pelos arrepiarem. Esse cara acabou de me insultar, não é? — Você acabou de me insultar? — questiono revoltada, mas ele prossegue tomando o seu whiskey. — Venha, Zahara. Sente-se e conversaremos com calma — o senhor Jean interfere, com a voz amena. — A minha cabeça está cheia e claramente eu não devia estar aqui... — vou caminhando para a porta atordoada. — Os seus pulsos — ele fala vagamente, me obrigando a parar. — São esfoliações e não cortes, o que significa que não tentou se m***r, mas também não é desajeitada o suficiente para causar isso em você mesma. Arranjar as mangas do meu blazer foi o meu primeiro instinto. — Esse é o motivo da sua dor de cabeça e não eu, senhorita Zahara — tenho que admitir, eu estou chocada e perplexa, tão estupefacta que a minha primeira reação é olhar na sua direção. Como? Como ele sabe disso? Como sabe que eu estou com dores de cabeça? Eu não sou tão fácil de ler assim... — Pulsos? — o senhor Jean se levanta e vê m até mim imediatamente. — O que aconteceu? — pergunta, olhando as marcas feitas pelo chão do estacionamento da minha empresa. — Não foi nada, eu apenas caí e me apoiei do jeito errado — falo, e ele olha para mim sério. — Zahara... — já chega! — Eu tenho um jantar marcado. Tchau! — falo e saio. Argh... que m***a foi essa?! — Mas que d***a! — exclamo irritada, confusa, surpresa e chocada, tudo em um e não está sendo fácil para o meu emocional. Eu só queria puder conversar com alguém, uma pessoa, só uma que eu estranhamente confio mais que todos, mas, aparentemente eu não devia. Eu entro no carro e mais informações continuaram circulando na minha mente, me deixando literalmente paralisada por uns dez minutos. Não me recompus completamente, mas, infelizmente, o meu pai queria que eu fosse para esse jantar e até eu chegar lá, já estará na hora. Portanto, preferi perder a cabeça quando chegar na minha casa. Vai ter outro nó para eu engolir mesmo, mas me vale desatar todos eles de uma vez só. Um jantar lá, nunca é só um jantar. E tem um motivo pela qual eu decidi me mudar e morar sozinha, e os meus irmãos mais velhos e suas respectivas esposas estão lá. Enfim, em minutos cheguei a mansão dos Bianchi. — Boa noite, senhorita! Seja bem-vinda! — o segurança saúda, e eu esboço um sorriso. — Obrigada! — eu não estou tenho uma boa noite de todo. — Se mais ninguém vem não precisa estacionar o meu carro, eu vou sair daqui à pouco — falo, e ele assente. — Tudo bem, senhorita! — diz, e eu vou entrando e saudando os funcionários. — O senhor Gilbert ainda não desceu, mas todos já estão na mesa — a governanta me avisa e eu assinto. — Tudo bem — respondo, buscando manter a sanidade para me sentar nessa mesa. — Oh, Zahara! — a Lena, mulher do Kaleb, exclama assim que me vê. — Cunhada! — Karen, a mulher do Jordan exclama também, e eu me mantenho impassível. Elas não necessariamente gostam de mim, mas fazem o seu melhor para fingir. — Boa noite! — falo, indo até a mesa sobre os seus olhares, ignorando principalmente o da Marcia, mulher do meu pai e mãe dos meus irmãos. Vocês devem estar com um monte de perguntas agora... Como pode ser mais nova, mas tem irmãos mais velhos que tem uma mãe diferente da sua? Bem, simples... O meu pai era casado com a minha mãe, ela era linda, pele n***a de porcelana cor de caramelo, ela era uma perfumista de sucesso, talvez seja por isso que eu tenha engrenado para esse ramo... Enfim, ela era perfeita... mas o meu pai, tinha escondido esse ser aqui por anos dela, e praticamente já tinha uma família fora do casamento e antes do casamento, minha mãe teve um caminho longo para puder me conceber. Uma história nada comum, e com as suas complexidades que eu prefiro deixar para depois. — Não sabia que vinha — Karen comenta, e eu me limito em observar a organização da mesa. — Os vossos maridos não lhes contaram? — pergunto retoricamente. — Não achamos que seria relevante — Jordan responde e eu assinto. — De qualquer forma, não é como se eu precisasse ser anunciada ao entrar na minha casa — devolvo a picada. Um contra um, quem baixa a guarda cai. Passos soam e o meu pai entra. Como já sabem, meu pai tem uma postura intimidante, e bem... ele é completamente oposto da minha mãe, ao menos depois que tudo veio à tona. Como puderam deduzir pelo meu apelido, ele é italiano, o meu avô, pai do meu pai era italiano, mas ele não sabe quase nada de italiano, tão pouco eu. E, diferente da minha mãe, ele tem olhos azuis e sua pele é branca, quase pálida e ele também era e continua sendo um homem de muito sucesso. Enfim, detalhes para quando eu estiver mais tranquila. Ele se senta e o jantar começa a ser servido. Estranhamente a minha fome desapareceu estando aqui. — Como foi o trabalho? — ele finalmente se dirige a mim. — Produtivo, como sempre — respondo, e ele assente. — Não acha que essa coisa de mulher de negócios deveria chegar ao fim? — Marcia, mulher do meu pai, se dirige a mim e era preferível ter permanecido em silêncio. — Coisa? — sorrio e suspiro. — Trabalhar virou "essa coisa" agora? — questiono retoricamente. — Eu acho que a mamãe quis apenas dizer que, tendo tudo o que tem, não precisa se esforçar tanto trabalhando, pode relaxar e... deixar o trabalho com os homens — Lena fala, e humn... Tudo foi entendido perfeitamente. — Não faço por que preciso e sim por que gosto e posso, não há com o que se preocupar — falo. Vejo as caretas m*l disfarçadas deles, e o meu pai observa tudo. — Eu quero que contrate um CEO para a sua empresa — solta essa do nada. — E por quê? — pergunto, realmente confusa. — Eu estou no meio de uma campanha eleitoral, Zahara — sua voz soa mais pungente que o habitual. — Todo o mínimo detalhe, falha, acaba com tudo e eu não irei permitir que sejam os meus filhos causando isso — ele fala e eu mordo a minha bochecha internamente, não querendo perder a linha. — Aquele desgraçado do Jean, já defendeu clientes que quiseram manchar a nossa imagem e sinceramente me deixa furioso que eu tenha de mencionar que eu não te quero perto dele e nem da firma dele — rasga, e meu coração acelera. — Administre apenas o sentir de vendas da Bianchi se quer tanto trabalhar e... você precisa se casar — eu rio. Não tem como não rir. — Querido, nós concordamos que o Jordan seria mais apropriado para o sector de vendas da Bianchi — a esposa dele fala, e estão tentando me tirar pouco a pouco do jogo. — Você está na idade de se casar e ter filhos, final de semana terá um jantar para apresentar você ao filho um amigo — prossegue, e eu sinto as minhas têmporas pulsando. Me levanto da mesa. — Estamos jantando, Zahara! — Kaleb pontua, e eu... oh, estou perdendo os neurônios. — Eu estou sem apetite — falo. — E eu fundei a Zahara e enquanto eu puder administrá-la, assim o farei, até por que ela não tem nada a ver com a empresa e nem com a sua campanha eleitoral — pontuo. — E outra, Márcia, se o Jordan fosse bom o suficiente para estar no sector que eu comando, ele já estaria lá — oh, a cara deles fecha. — Se você, papai, decidir que por alguma razão isso é o mais apropriado para a Bianchi Corporation, assim o faça — meio que desafio, e seu olhar é de dureza e reprovação. — Está agindo como uma garota mimada! Nem tudo é seu, nem tudo é para você — Márcia surta. — Jamais disse isso, mas me questiono o por quê você acha isso — chuto. — E, eu não me meti em nenhum processo contra o senhor, e se eu vou para a Bonheur é para ajudar pessoas que simplesmente precisam de assessoria, nada que o confronte. Suspiro fundo. — E deixe os seus filhos mais velhos terem filhos primeiro, eu não estou nem um pouco interessada em conhecer, tampouco me casar com ninguém — pontuo. — Nós estamos tentando... — Lena balbucia, e eu ignoro. — Você está sendo m*l-criada — Jordan diz, e eu o encaro. — Façam o que quiserem, mas não ousem se interferir na minha vida — falo, saindo daqui. — Zahara! — ouço meu pai me chamar e eu paraliso no mesmo instante. — Essa conversa ainda não terminou — pontua. — Para mim, já. Boa noite! — falo e simplesmente saio dessa bagunça. Foi só eu sair para eu começar a hiperventilar de tão nervosa que eu estou. — ... — suspiro, abrindo a porta do carro e entrando.
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