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710 Palavras
Lorenzo Ferri Ela saiu do mesmo jeito que entrou. Parece que a incógnita nela começa a desaparecer lentamente. Sua saída deixou o senhor Jean, claramente preocupado. Ele se senta atordoado, e eu o observo, apreciando o seu whiskey. — Como notou? — finalmente pergunta. — Eu estou aqui por que consigo notar mais que isso — o respondo e ele suspira fundo, enquanto eu limito em observá-lo. — O que será que aconteceu? — questiona. — Ela consegue ser desajeitada as vezes, mas não ao ponto de ter caído ao ponto de ralar os dois pulsos daquele jeito — devaneia. — Pode sempre a perguntar amanhã, ela veio por que queria falar sobre isso — respondo e ele assente suspirando fundo. Ele está preocupado. — Não tinha noção do seu apreço pela filha do seu inimigo — comento, buscando entender e ele sorri. — Não deve parecer, mas ela é uma moça sensível — diz, e abana a cabeça. — Deve parecer loucura, mas ela me lembra bastante a minha... falecida filha — fala e eu o observo minuciosamente. — Sinto pela sua perda — falo, e ele assente. — Ela tinha quase a mesma idade que a Zahara, e também cursou direito. Elas ficaram próximas quando a Zahara foi estagiar na minha empresa. Embora diferentes, elas eram tão similares, que acabei vendo ela como uma segunda filha — entendido. — Ela é uma boa menina, ela só é filha da pessoa errada — fala, frustrado. — Devia tê-la visto advogar... — acho que ele está desabafando. Eu não estou acostumado com isso, mas acho que ele precisa e eu não estou me importando agora. — Ela é ótima e claramente apaixonada por advocacia — filha de político criminoso, uma ironia. — Mas parou de exercer por que a minha firma é a competidora directa da forma que defende o Gilbert e a Bianchi Corporation — conta. — Ela ainda vem trabalhar com você, mas duvido que você precise — menciono, e ele leva o copo para a boca. — Eu estou velho e quebrei a minha própria reforma para acabar com a falcatrua que anda acontecendo... Ela não é a minha filha, mas tenho o mesmo carinho por ela e eu a ensino o que sei. — Ela vem por que se interessa, e sabendo do potencial dela, eu permitirei que faça isso e ensinarei, para que esse talento seja explorado, se no futuro ela quiser voltar a atuar. Para um advogado do seu calibre elogiar a caçula do Bianchi dessa maneira, é por que ela deve ser boa. Interessante. — Enfim, me desculpe... — diz, sorrindo. — Está tudo bem — falo. — Deixe-me mostrar os processos agora em andamento contra a Bianchi — diz e eu volto a observar o seu painel de investigação. — O Luca? — pergunta. — Eu o deixei no aeroporto antes de cá vir — respondo. — Ele foi rápido. E como foi o seu dia? — questiona. — Eu estive nas minas, tinha alguma burocracia por cuidar — respondo. — As minas... — comenta, regressando a mesa. Mettiamoci al lavoro. Algumas horas se passaram analisando esses processos e o concedendo mais informações para anexar. — Não quer se juntar a nós? — pergunta rindo e eu sorrio. — Estou falando sério — diz. — Infelizmente, eu não posso advogar cá — respondo. — Seja o meu... como dizem: consiglieri — diz, e eu sorrio. — Pensarei na sua proposta, após me apresentar o melhor restaurante dessa região — falo, levantando-me. — Não precisa falar duas vezes! — finalmente saímos para jantar. Conhecê-lo está sendo melhor do que o esperado. Ele age e fala como o meu pai, talvez tenha sido por isso que estranhamente me alinho com ele, tirando o facto de que ambos possuímos os mesmos objetivos. Eu o conheci antes, por que ele e o meu pai tinham algum tipo de relação e era boa, mas o conhecia superficialmente, excluindo o que investiguei sobre ele. Um homem verdadeiramente interessante de se conviver, enquanto eu estiver aqui e não souber os bons lugares daqui, não me importo de ir para a Bonheur. Preciso de uma boa ocupação, até a ação — que eu só estou aguardando por ele — iniciar.
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