Zahara Bianchi
Chegamos em pouco tempo.
O senhor Jonas está aqui, com a sua mulher e algumas das outras vítimas virem assistir também.
Estamos entrando agora.
— Zahara! — ouço a voz do Santi. O sócio do meu pai nessa construtora.
Era óbvio que o meu pai não viria.
Mas o amigo dele e os advogados estão aqui...
Aqueles malditos da Sayva Group — os concorrentes da Bonheur.
Eu nunca gostei deles, até por que quando eu ia escolher jade estagiar eles já trabalhavam com a Bianchi, e já defenderam casos que não foram do meu agrado, dentro e fora.
— O que está fazendo com eles? Está contra o seu pai? — indaga, e esses advogados idiotas me encaram.
— Por que me pergunta coisas óbvias e ainda como se pudesse me questionar? — indago, é a irritação em suas caras me anima.
— Seu pai está no meio de uma campanha eleitoral, eu acho melhor se isentar — fala a Marly, estendendo o cartão dela na minha direção. — Eu e você já falamos uma vez, mas se quiser advogar, em todos os aspectos, a Sayva Group é a melhor opção — que mulher irritante.
— Eu não sei quem pensa que é para me dizer o que fazer e me propor algo que eu explicitamente que eu não faço a mínima questão — pontuo, para a visível frustração deles.
Os ignoro e entro.
— Você vai se arrepender disso! — ouço a Marly falar, e eu reviro os olhos, indo me sentar.
O senhor Jean e o senhor Miguel já estão lá na frente com a vítima e eu me sento na ponto oposta a do Lorenzo Ferri.
Não há como perdermos esse caso, eu juntei tudo o que eu pude encontrar à favor, e quem está na frente do caso é o melhor advogado de todos.
O juíz entra e nós nos levantamos até ele se sentar.
— O que acontece quando não nos levantamos? — Romeo me pergunta, assim que voltamos a sentar.
— Repreensão, multa e as vezes até prisão — respondo, e ele suspira.
— Isso não estava na minha lista de afazeres — fala aqui do meu lado.
A sessão inicia, e bem, não era esperado que tudo fosse correr certeiramente, afinal o processo é contra a empresa do meu pai.
— Vossa Excelência, a Bianchi & Santi Construction é uma construtora renomada, jamais colocaria a sua reputação em risco, não revisando e cuidando da segurança de seus colaboradores — a Marly diz e eu reviro os olhos.
— Apresentamos provas da pobre segurança que os construtores obtiveram durante a construção desse hotel, os seus danos, e os depoimentos das testemunhas — minha parte.
Não tem como eles refutarem absolutamente nada do que eu encontrei.
Mesmo eles querendo chamar objeção, com um advogado como o senhor Jean, não havia como eles vencerem.
E não venceram, foi declarado que o senhor Jonas será devidamente indemnizado, tanto pelo acidente como pelos danos físicos, ou seja o custo do tratamento no hospital é um subsídio, pois o acidente foi grave.
E isso será extensivo as demais vítimas que já tinham os seus processos encaminhados.
A sessão foi encerrada e eu estou feliz à beça!
— Oh, muito obrigado! Muito obrigado! — o senhor Jonas está agradecendo ao senhor Jean, enquanto eu observo os patetas saindo da sala frustrados.
— Isso aqui foi mais interessante que filme de ação — o Romeo comenta e eu sorrio.
— Você vai se arrepender disso — a Marly diz antes de passar por mim, e eu sorrio.
Arrependimento de devolver o que é merecido a uma vítima, isso eu tenho certeza que jamais sentirei.
Apenas a observo sair.
Quer me intimidar é?
— Senhorita, muito obrigado... — oras.
— Eu não fiz nada. Os meus parabéns e uma rápida recuperação para o senhor — falo, e ele sorri.
— Eu deixo você onde? No seu prédio? — pergunto para o Romeo.
— Não, vamos todos almoçar antes! — o senhor Jean diz vindo até nós, e o meu olhar vai para o Lorenzo que está um bocado mais distante e falando ao celular.
Humn...
— Eu quero ir para a minha casa — falo e ele suspira.
— Não seja desmancha prazeres, vamos comer e depois você vai — ele diz, e eu o encaro.
Eu é que sou desmancha prazeres?
Qual é a deles?
— Eu estou com fome, vamos chefe! — esse Romeo.
Eles saem na frente e eu suspiro fundo.
Eu estou feliz com a vitória e também estou com fome.
Que seja...
Decidi sair também, mas me arrependo no mesmo momento em que passo pela porta.
Repórteres e câmeras que por segundos eu vi no senhor Jean e na vítima, viraram para a minha direção quando algum deles decidiu olhar para quem tinha saído.
— Era só o que me faltava... — murmuro, buscando apressar os meus passos para longe deles, mas não foi o suficiente.
— Senhorita Zahara, estava apoiando a Bonheur advocacia. Pode-se assumir esse posicionamento como estar contra a candidatura de seu pai, já que não ficou do lado da empresa? — mas que d***a.
Raramente eu sou bombardeada por repórteres de surpresa.
E, eles estão me sufocando agora.
— Está se rebelando contra a sua família? — valha.
Eles nem senso de espaço possuem.
Estão me cercando como se eu fosse não fosse um ser humano.
— Licença — eu tento, mas é inútil. Eles estão literalmente me empurrando.
— Ela pediu licença — a voz masculina e sotaque italiano sobressaem no meio dessas questões barulhentas, mesmo ele tendo falado isso num tom normal, mas autoritário.
No mesmo instante, eu sinto o braço forte dele rodear de forma protetiva em mim e a sua mão tocar delicadamente a minha cintura, enquanto usa a outra para os apartar esses repórteres, que realmente se afastam.
Eu... bem, eu meio que paralisei por que não estava à espera de nada disso.
Cheguei até ao meu carro atordoada, tentando assimilar o que acabou de acontecer.
— O que pensa que está fazendo? — indago, tirando a mão dele da minha cintura, quando o meu olhar bate com o seu e eu desperto.
— Vou assumir que essa é a sua maneira de agradecer — ele me chamou de m*l-agradecida?
Suspiro frustrada, levantando o meu olhar indignada para o seu novamente.
Ele é bem alto...
— O que você pretende? O que quer de mim? — pergunto, e ele me observa do mesmo jeito que ontem.
— Eu não sou um inimigo seu. Me fale quando quiser conversar e pare de tratar o senhor Jean desse jeito, sem antes procurar entendê-lo — diz, e o meu coração dispara.
Ele sai sem que eu rebatesse, coloca os seus óculos e entra no carro dele, e eu fiquei observando aqui, parva.
Quem ele pensa que é?
— O cheiro dele ficou todo em mim... — balbucio, frustrada, entrando no carro.
O bom é que ele cheira bem.
Acelero até o restaurante que o senhor Jean costuma ir sempre que vence um caso, por que o Romeo se juntou aos traidores, então eles podem ir com um deles.
Eu estou frustrada, indignada e com ressaca retroativa, mas o que ele acabou de dizer não sai da minha cabeça.
"Eu não sou seu inimigo."
Todo mundo é meu inimigo.
Maneira nova de pensar, não é?
É... Mas pensar assim, é o que literalmente me protege e sempre protegeu até agora e acho que vocês têm noção do quê e do por quê.
No mundo em que eu vivo, pensar de outra maneira é estar vulnerável a todas as coisas ruins.
E, a forma como ele veio até mim, foi uma clara ameaça, e eu não estou enganada.
— Ele está querendo me fazer baixar a guarda? — me questiono.
E quem ele acha que é para me dizer como eu devo ou não agir?
Céus, eu estou exausta!