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1655 Palavras
Zahara Bianchi Chegamos, finalmente! E já estamos vendo as amostras já. — A longevidade deste pode melhorar — falo, e a amiga do bonitão aqui do Romeo, anota. — Esse está bom, mas ainda nada que já não tenha no mercado... — menciono analisando o cheiro e observando as notas que adicionamos. — O que acha que está faltando? — pergunta. — Precisamos adicionar mais uma nota fresca nas notas de base. Vamos experimentar essas três para ver qual adiciona o que pretendemos com esse perfume. — Certo. — Eu gostei desse! — o Romeo diz, para o outro e eu sorrio, o por que eu também estou satisfeita com esse. — Esse está perfeito! Os meus parabéns! — falo tão animada quanto eles estão agora. — Muito obrigada! Tudo mérito seu! — falam, e eu abano a cabeça. — O que acham de irem para um restaurante festejar? A empresa paga — falo e eles sorriem animados. — A senhora é a melhor! — dizem e eu sorrio. Eu sei... — Bem, no início da semana já se podem começar as formulações para os cremes corporais, de mãos e o body splash desse aqui — falo, e eles assentem. — Vamos a isso! As formulações têm de estar prontas até daqui duas semanas, para lançar no mercado mês que vem — falo, me levantando. — Daremos o nosso melhor, senhorita! — dizem e eu assinto. — E o resto por aqui? Tudo bem? — questiono, pegando nas minhas coisas. — Tudo! Sem reclamações — o chefe de equipe responde, e pela minha análise parecem estar todos em comum acordo. Ótimo, equipe feliz é igual a trabalho bem feito! — Ótimo! — falo, caminhando até a saída. — Eu posso ficar? — não acredito que estou escutando isso. — Claro que não, Romeo — respondo. — Boa saída para vocês, se divirtam bastante! — falo. — Muito obrigada! — agradecem. — Tchau! — me despeço junto com o Romeo. — Tchau! — respondem e nós finalizamos por aqui. — Eu queria muito ter ficado, por que não me deixou? — nem parece que tem praticamente a minha idade. — Você teve bastante por ontem, e não deve se intrometer nas festividades da equipe alheia — falo, entrando no meu carro. — Eu achei que éramos todos uma equipe — fala e eu reviro os olhos. — Não seria nada demais... — murmura, entrando no carro. Acelero para fora daqui. — Para onde vai agora? — pergunto. — Não sei, provavelmente fazer compras e voltar para casa — responde, sem moral alguma, quando o meu celular conectado ao painel do carro toca. Senhor Jean. Valha... Ele literalmente não se importou comigo ontem e está me ligando hoje. Eu não devia atender, mas eu sou uma mulher de negócios... eu não fujo das coisas. Atendo. — Zahara — humn. — Eu estou dirigindo, senhor Jean. E, sinceramente, duvido imenso que eu seja útil para alguma coisa — falo. — Por favor, venha até ao escritório. Conversaremos aqui — diz, e eu suspiro. — Irei pensar. Adeus! — falo, e desligo. — Se zangou com o senhor Jean? Por quê? — o Romeo pergunta e eu suspiro, frustrada. Como ele me pede para ir até lá assim depois do que aconteceu ontem? — Nossa... — ele diz sorrindo. — Pareceu mesmo briga de pai e filha — ele diz, e o meu coração acelera. As vezes parece que essa frase é real. Têm vezes que eu me sinto mais filha dele, que não tem parentesco algum comigo, do que com o meu pai. É meio estranho... — Pare de falar besteira — falo. Eu estava com o meu cérebro aquietado antes dessa ligação. — Tá... — fala. — Mas se quiser a minha opinião, eu iria. Pareceu importante! O senhor Jean é muito importante para lugar sem que fosse realmente importante — diz e eu suspiro. Argh... O Romeo parou de falar besteira pelo caminho inteiro e eu... Bem, eu acabei de estacionar aqui no prédio do escritório. Não estava nos meus planos pisar aqui hoje. — Vamos! — falo saindo do carro. — Chefe, meu horário de expediente acabou? O que eu estou fazendo aqui? — o Romeo diz e eu o encaro. — Foi você que disse que não tinha nada para fazer, e o seu expediente é mediante o meu querer — respondo e ele sorri. — Entendi, quer companhia — diz, e eu reviro os olhos trancando o carro. — Eu já sei de cor todos os termos do seu dicionário — fala, e valha-me. Entramos e caminhamos até ao escritório. — Boa tarde! — o Romeo já entra saudando todo mundo. Ele só estava se fazendo para tirar a minha paciência. Eu entro logo atrás dele, e para o meu desgosto, não estão apenas o senhor Jean e o Miguel, o advogado de litígios daqui, mas o... Argh!!! O que esse italiano está fazendo aqui? Não tem casa, não? Está dormindo no escritório? Se bem que, pela aparência dele que está ainda melhor que o dia anterior, não me parece. Ele é... elegante, ao menos na forma de vestir, um casual elegante. Notei isso vendo informações que tinha sobre ele na internet, não é uma coisa que eu fico observando, não. Mas como o senhor Jean ousou me chamar, com esse i****a aqui? Meu corpo está aquecendo e o meu coração está disparando só de raiva desse homem. — Zahara! — o Miguel saúda com o seu típico bom-humor. Ele é mais ou menos que nem o Romeo, uns anitos mais velho, eu acho, e nerd. Ele é uma ótima pessoa! — Como vai, Miguel? — pergunto, ignorando o olhar dos dois aí. — Estou ótimo e você? — pergunta. Com certeza já estive melhor. — Oh! — o meio grito do Romeo não me permite o responder. Ah, não... — O senhor... é o Lorenzo Ferri, não é? — por que ele tem que ser assim? — Sabe sobre mim? — ele meio que afirma, meio que questiona. — Claro, eu dei uma pesquisada sobre a sua ficha para a chefe — meus olhos fecham de vergonha e frustração. Mas isso lá é coisa que se diz?! Que droga... E ainda disse que a boca dele ficaria fechada. — O senhor é bem, bem... mais elegante que as fotos! — e ainda está elogiando esse cara, que sorri. E para piorar, o sorriso dele é de cafajeste bonito que está habituado a escutar essas coisas. Está me irritando. Seu olhar esmeralda veio até o meu, como quem diz: "Você é tão previsível." E eu detestei isso. — É mesmo? — indaga sorrindo, e eu mantenho o contacto visual. — Estamos quites — respondo. Ele é que andou me pesquisando e não o contrário. — Por que quis que eu viesse? — pergunto para o senhor Jean, e eu detesto estar assim com ele. Está realmente apertando o meu peito. — Eu tenho uma audiência por atender, ficou encarregada de anexar depoimentos das outras vítimas — oh! — Claro... — eu tinha me esquecido completamente que era hoje. Bem... É contra a Bianchi Santi Construction. A construtora que faz todos os nossos edifícios, desde hotéis, shoppings e a que fará o projecto do Jordan. A questão é que ela já anda cometendo irregularidades que não passaram batidos o mim assim que os vi. Ela é uma das filiais que tem outro sócio, dono de outra construtora renomada. E bem, alguns funcionários sofreram acidentes de trabalho e não receberam nenhum subsídio, e no caso desse senhor, ele infelizmente, não vai conseguir voltar a trabalhar manualmente por conta desse acidente, que o deixou com um dos membros machucados. Por isso eu estou ajudando, por que eu não concordo com o que estão fazendo, e eu não tenho qualquer influência dentro da empresa para resolver fora dos tribunais. Ele tem uma família por cuidar, ele é pai. Tal como muitos dos outros na mesma situação, mas que se sentem intimidados. — Eu vou com o senhor — falo, abrindo a minha gaveta, colocando o pendrive que estava lá no computador. — Não é necessário, eu irei com o Miguel — diz, e eu levanto o meu olhar para ele, enquanto coloco os documentos para impressão. — Eu disse que eu vou — pontuo. — Se o seu pai souber, senhorita... — o Romeo comenta, e eu decido o ignorar. Vamos resolver isso! — Aqui está! — falo, entregando ao Miguel. — Por que não vai para o seu hotel? Ninguém vai ficar aqui? — indago, irritada com a falta de noção dele. — Ele irá — o senhor Jean responde saindo na frente, e ele se levanta como se fosse o dono do mundo. — Ele aceitou ajudar o senhor Jean, como consigle... conselheiro — era só o que faltava. — Parece mais agitada que o habitual hoje, senhorita Zahara — a forma como a sua voz, especialmente o tom dela me irrita, não está nem escrito. Saio na frente dele e decido o ignorar. Talvez ele volte para a Itália logo. Acreditem ou não, o senhor Jean foi com ele, no que parece ser o carro dele, e eu puxei o Miguel para o meu carro e acelerei até ao tribunal. — Me conta, qual é a daquele homem? — pergunto para o Miguel. — Ele é de arrepiar não é? — não acredito que eu estou ouvindo isso. — Bonito, inteligente demais e... ele é herdeiro da máfia italiana — ele sussurra essa última parte. Eu não queria acreditar nessa bobagem. Máfia. Herdeiro da máfia... Um herdeiro da máfia sendo conselheiro do senhor Jean... Nem faz sentido. Nada disso faz sentido. É como se os meus olhos vissem todas as peças no tabuleiro, mas não entendesse onde cada uma se encaixa, nem qual a jogada que cada uma quer fazer. Eu estou extremamente confusa.
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