Zahara Bianchi
Pisei no acelerador até chegar ao estacionamento do meu prédio.
E adivinhem: é subterrâneo também...
Era só o que me faltava, nessa altura do campeonato ficar com transtorno pós traumático.
Vocês com certeza estão querendo entender muita coisa, e, bem...
Como eu posso resumir?
Eu sou a filha de um dos homens mais poderosos da atualidade...
Pelo ataque, talvez já assumam que ele seja muito importante e que esses ataques podem ser externos, de pessoas que queiram atingir o meu pai.
Bem...
Se eu dissesse que ele é interno, e é tudo muito mais complexo e venenoso do que esperavam?
Acreditariam em mim?
Na família Bianchi o poder é importante, a competição nessa família é renhida, mais que nos velozes e furiosos.
Uma competição do qual eu fui envolvida sem fazer a menor questão de participar.
O poder que eu falo, com certeza vem de um jogo onde o meu pai é o rei e faz todos a sua volta moverem-se em sua volta, e se você for fraco...
Você cairá.
Antes fosse tão limpo que nem xadrez...
Mas essa família não é propriamente a mais limpa, como podem imaginar.
Eu não faço parte da sujeira só para constar.
Uma família com muito dinheiro, um dos maiores negócios do país e onde o pai está envolvido com a política...
Espero eu que tenham tanto controle psicológico quanto eu para aguentar o desenrolar que está por vir, ou maior que o meu, eu não tenho quase nenhum mesmo.
Já estou perdendo o meu ré primário com tudo isso.
Neste preciso momento, estou dentro do meu apartamento.
— Estragaram os meus saltos novos... — resmungo, desapontada vendo eles jogados no canto do meu quarto ao sair do meu closet já de banho tomado.
Eram lindos além de serem edição limitada…
De pijama e com os ferimentos tratados, eu vou para a minha sala de estar.
Pego no laptop e me sento no tapete de frente para a mesa de centro.
O que o senhor Jean me mandou?
Coloco o pendrive aqui, pensando em quem está tramando contra mim.
Ficar sozinha nesse apartamento, pensando nisso era o que eu menos querias
Nem com fome eu estou e isso é raro.
— Humn... — balbucio, suspirando fundo vendo o conteúdo desse pendrive.
Os podres da minha família.
Uma ameaça Zahara? Você se pergunta.
Não.
Eu trabalhei para ele quando eu saí da faculdade, como advogada, mas depois saí e assumi um dos negócios da minha família e agora assumo o meu, mas continuo trabalhando com ele como consultora por que bem...
A firma de advocacia Bonheur é comandada por ele, um dos mais respeitados advogados da atualidade, e eu me alinho com os princípios dele e com os casos que ele pega, mesmo eles começando a envolver a sujidade da família Bianchi.
E aqui tem alguns detalhes problemáticos, insuficientes para os acusar ou começar algum tipo de investigação, mas que podem causar uma dor de cabeça enorme se vazarem.
— Ah... — eu suspiro, me sentindo atolada de coisas para pensar.
A noite foi longa e eu literalmente não preguei o olho para a minha insatisfação.
Eu estava com sono, mas quando dei por mim já eram cinco e meia da manhã.
— Boa, Zahara... — resmungo, vendo o horário, frustrada da vida para variar.
Tomei um banho, o meu cabelo está fantástico de tranças, por tanto não tive que me preocupar com ele hoje, fiz uma maquiagem básica, para esconder o facto que a tentativa de algum i****a desocupado me tirou o sono e sanidade e me vesti com um conjunto de alfaiataria de cor preta, blazer e calça, outros saltos, e prontos.
— Eu preciso andar com você e você agora... — eu falo pegando o meu taser e o meu spray pimenta.
Coloco eles na bolsa, e simplesmente saio de casa.
Sim, sem comer e sem fazer nada a mais que o necessário, por que eu estou sem cabeça, sem paciência e sem tempo.
— Bom dia, senhorita! — o senhor guarda do prédio, o responsável por ficar de vigia das câmeras durante o turno da noite me saúda.
— Bom dia! — espero eu que seja.
— Por acaso teve alguma movimentação estranha por aqui? — questiono, caminhando até ao meu carro e ele vem junto.
— Não... por acaso a senhorita viu alguma coisa? — indaga, curioso.
— Não, eu não vi. Mas me avise se houver qualquer tipo de alteração, ou se houver alguma coisa diferente acontecendo — ele franze o cenho, obviamente confuso, mas assente.
— Claro! Mas lhe garanto que o sistema de segurança continua sendo o melhor de todos da região se algo a deixa preocupada — ele diz, e eu assinto.
Era suposto o da minha empresa também ser.
— Até mais! — o despeço, entrando no carro.
— Até mais! — ele diz, e eu acelero para fora dali, directo para à Bonheur. Vamos ver o que o senhor Jean está querendo se meter antes de ir para a empresa.
— Alô... — essa é a voz do meu assistente assim que me atende, enquanto eu acelero por aqui.
— Por acaso você ainda está dormindo, Romeo? — indago.
— Não... claro que não, querida chefe. No que posso ajudá-la? — questiona.
— Adie a primeira reunião — falo.
— Tá, mas por quê? — questiona.
— Por que eu mandei — respondo, sarcástica.
— Certo. Mas está bem? — pergunta, curioso.
— Eu estou, falamos quando eu chegar.
— Tudo bem, até logo! — diz e eu desligo.
Cheguei.
O escritório de agora não faz jus ao tamanho das coisas que ele fez, mas bem...
Ele reformou e ao invés de descansar, assumiu esse escritório para ajudar pessoas sem fins lucrativos, e cuidar de casos como esses, que podem o m***r a qualquer momento.
Como se não tivesse colectado inimigos o suficiente na sua carreira.
Ainda é cedo, então fui até ao escritório sem me cruzar com nenhum morador.
Bato na porta.
— Entre! — autoriza e assim o faço.
— Oh, Zahara! — exclama assim que me vê, enquanto eu vejo ele literalmente pronto para sair daqui. — Se chegasse dois minutos depois, não me encontraria aqui. Por que não ligou? — pergunta, e eu suspiro.
Tudo está correndo, tudo está uma agitação.
Sério que ele precisa sair daqui tão cedo?
— Não sei, talvez por que você me mandou um monte de ficheiros sobre a minha família tarde da noite, sem qualquer contexto, senhor Jean — eu falo, e ele leva o seu olhar para mim.
— Venha — ele diz, saindo, e eu suspiro o seguindo.
— Como assim venha? Para onde estamos indo? E onde o senhor arranjou aqueles ficheiros? — indago, confusa.
Para constar nem eu sabia do que está ali.
— Vamos para o aeroporto receber quem fez esses ficheiros chegarem até mim — hamn?
— Quê?! — indago, confusa... chocada.
Que pessoa seria essa que teve a habilidade de conseguir informação secreta, que nem eu que estou nessa família tenho conhecimento e ainda tem a audácia de vir para cá?
Suicida?
Muito provavelmente.
Estou tão curiosa que eu simplesmente segui o carro dele com o meu para ver a pessoa com nível de psicopatia elevada que veio para a cova dos leões.
— ... — eu estou rindo, por que isso não pode ser possível...
Pode?
Estacionamos um do lado do outro, e como esperado o aeroporto está praticamente vazio.
Hoje está frio, a temperatura não está muito boa para ter voos chegando a essa hora.
— Quem viemos buscar? — questiono, curiosa, o seguindo para a ala dos voos internacionais, sem nenhum voo de chegada anunciando.
Veio de jato privado.
Um inimigo da minha família...
Estou apenas surpresa pela audácia e não por ele ser um inimigo.
No corredor, vazio, som de rodas das malas ecoa junto com passos ritmados e firmes, atraindo os nossos olhares para quem está vindo.
— Lorenzo Ferri — ele me responde, e parece que o meu cérebro deu uma girada, enquanto a silhueta dele aparece.
Lorenzo Ferri...
Meus olhos sobem minuciosamente dos seus belos e elegantes sapatos, para a fisionomia esbelta e musculosa do homem mais charmoso e atraente que eu vi ultimamente.
Por que o meu coração está disparado?
Seu rosto, bem...
Parece a de um, bem...
Ele é bonito, muito bonito, talvez um pouquinho acima da média, e tem olhos verdes e cabelos escuros, face com traços másculos e simetricamente harmoniosos que...
Ele?
Espera...
Eu já ouvi falar em Lorenzo Ferri!
Herdeiro de um monte de coisas lá da Itália, famoso no mundo dos negócios, em muitos até onde eu me lembro.
E eu não tenho certeza se gosto do que eu me lembro sobre ele, por que não me recordo detalhadamente, mas acho que não...
Tendo em vista o turbilhão de emoções que me domaram agora e o olhar dele que fixou no meu por uns instantes de maneira fria até ir para o senhor Jean.
Ah... não estou acreditando numa coisa dessas!