O convite chegou de forma simples, quase casual, mas Lara o leu como quem recebe uma convocação silenciosa. A mensagem da mãe era curta, direta, sem afeto excessivo nem hostilidade explícita: “Almoço domingo. Seu pai quer te ver.” Não havia perguntas. Não havia comentários sobre fé, casamento ou igreja. Ainda assim, tudo isso estava implícito. Lara ficou alguns minutos com o celular na mão antes de responder. Desde a conversão, aprendera que algumas decisões aparentemente comuns carregavam um peso novo. Não tinha medo. Era consciência de que agora as decisões eram em conjunto. Cada passo agora parecia revelar algo sobre quem ela estava se tornando, mesmo quando não dizia uma palavra. — Eles não sabem ainda, sabem? — perguntou Gabriel, ao perceber o silêncio dela. — Sabem que eu mudei —

