A manhã chegou sem pressa, como se soubesse que ninguém ali precisava ser empurrado para fora da cama. A luz atravessava a cortina com delicadeza, tocando o quarto de forma tímida, quase respeitosa. Gabriel acordou antes do despertador, não por ansiedade, mas porque seu corpo aprendera a despertar junto com as responsabilidades. Ainda assim, não havia pânico. Apenas um cansaço honesto. Ele permaneceu alguns segundos deitado, respirando fundo, ouvindo os sons simples da casa: o vento leve batendo na janela, um pássaro distante, o rangido discreto do assoalho quando Lara se moveu ao seu lado. Aquilo era vida comum. E, pela primeira vez em muitos dias, ele percebeu que o comum não precisava ser inimigo da fé. Virou-se para Lara. Ela dormia profundamente, o rosto sereno apesar das marcas re

