A casa não os recebeu com festa. Recebeu-os com silêncio. Não o silêncio da ausência, mas o silêncio que permanece depois da tempestade. Gabriel fechou a porta com cuidado, como se temesse que o som fosse mais do que um gesto mecânico. O clique da fechadura ecoou curto, seco — não como fim, mas como intervalo. Algo fora interrompido ali. Não destruído. Lara entrou logo atrás, trazendo apenas uma mochila pequena. Nenhuma mala. Nenhuma segurança. O objeto foi deixado ao lado do sofá, quase com receio de ocupar espaço demais. Aquele gesto dizia o que ela não conseguia verbalizar: ela não voltara porque tudo estava resolvido, mas porque não fora vencida. O corredor parecia igual, e ainda assim não era. O chão de madeira rangia sob passos contidos, como se a casa reconhecesse o peso invisíve

