A porta não fechou com estrondo, mas com um clique suave, o som definitivo de um parágrafo a terminar. Do lado de fora, Lara caminhou, arrastando a sua mala e a sua alma esfarrapada pela calçada húmida. A cidade, envolta numa névoa noturna que amaciava os contornos, parecia um palco vazio à espera de uma peça que não chegava. Ela não tinha destino. Tinha apenas uma direção: para longe. O vento frio soprava com violência, mas não era ele que fazia Lara estremecer. Uma voz surgiu no meio do ruído cortante, insinuando-se como um sussurro íntimo, quase familiar. Não falava alto; penetrava. Escorria lentamente até o fundo da alma: — Lara… não volte para aquele pastorzinho. Veja como só ele aparece, enquanto você permanece à margem, invisível. Você nasceu para mais. O coração dela acelerou. H

