A tarde no ateliê estava intensa.
Gente indo e vindo.
Tecidos sendo ajustados.
Modelos testando roupas.
E eu…
No meio de tudo aquilo.
Focada.
Concentrada.
Era o meu lugar.
Ou pelo menos… deveria ser.
Eu estava analisando algumas peças, ajustando detalhes…
Quando senti.
A presença.
Muito perto.
— Nossa… — a voz veio baixa, no meu ouvido — você é ainda mais maravilhosa pessoalmente…
Meu corpo travou por um segundo.
Respirei fundo.
Mas ele continuou.
— E com certeza deve ser incrível na cama…
Silêncio.
Pesado.
— Já tem três homens ali com cara de sargento…
Fechei os olhos por um segundo.
Respirei.
Controle.
Virei devagar.
Olhei direto pra ele.
Frio.
Sem expressão.
— Repete isso…
Dei um passo mais perto.
— Pra ver se eles não amassam a sua cara na parede.
Silêncio.
O sorriso dele sumiu.
Na mesma hora.
Ele deu um passo pra trás.
Depois outro.
E saiu.
Rápido.
Eu respirei fundo.
Passei a mão no cabelo.
E voltei.
Como se nada tivesse acontecido.
Mas lá no fundo…
Eu sabia.
Se eles tivessem ouvido…
Aquilo teria sido um problema.
Grande.
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Minutos depois…
— Fernanda.
Olhei.
David se aproximava.
Sorrindo.
— Você poderia desfilar também.
Pisquiei.
— Eu?
Ele riu.
— Claro!
Balancei a cabeça na hora.
— Não, não… nem pensar.
— Ah, qual é… — ele insistiu — você é linda, tem presença… vai ficar incrível na passarela.
Soltei um riso leve.
— David…
— Vou pensar, tá?
Ele sorriu.
— Já é um começo.
Assenti.
— Mas por hoje… eu já vou.
Ele franziu a testa.
— Já?
— Amanhã eu volto.
Peguei minhas coisas.
Mas antes de sair…
Olhei discretamente.
Eles estavam lá.
No mesmo lugar.
Observando tudo.
Como sempre.
E eu sabia…
Aquela tarde ainda ia render.