Caçada

753 Palavras
A noite em Paris parecia calma. Mas não pra eles. O carro parou do outro lado da rua. Luzes baixas. Motor ainda ligado. Silêncio dentro do veículo. Pesado. — É ele — Noah disse, olhando fixo. Do outro lado… O homem saía do ateliê. Rindo. Distraído. Como se nada tivesse acontecido. Erro. Grave. — Sozinho — Hugo murmurou. Caio não disse nada. Só abriu a porta. E saiu. Os outros dois foram logo atrás. Passos firmes. Sincronizados. Predadores. --- O homem nem percebeu. Não de imediato. Só quando sentiu. A presença. Atrás. — Ei— Não deu tempo. Hugo segurou ele pela gola. Com força. Jogando contra a parede. O impacto ecoou na rua vazia. — O que— que é isso?! Desespero. Rápido. Patético. Caio se aproximou devagar. Sem pressa. O mais calmo. O mais perigoso. — Você falou com ela hoje. Não era uma pergunta. O homem engoliu seco. — Eu… eu só— Noah deu um passo à frente. — Só o quê? Silêncio. O cara tremia. — Eu não sabia— Hugo apertou mais. — Não sabia? A voz baixa. Ameaçadora. — Que ela não tava sozinha? Caio inclinou levemente a cabeça. Observando. Estudando. — Você chegou perto dela. — Falou no ouvido dela. Cada palavra… Mais pesada. — Sobre o corpo dela. — Sobre a cama dela. O homem começou a suar. — Foi só uma brincadeira— O som seco do impacto interrompeu. Hugo bateu a cabeça dele contra a parede. Uma vez. Controlado. Mas suficiente. — A gente não brinca com ela. Silêncio. Pesado. O homem respirava rápido. Desesperado. — Eu… eu peço desculpa— Noah riu baixo. — Pra quem? Caio se aproximou mais. Parando bem na frente dele. — Não é pra gente que você pede desculpa. A voz baixa. Fria. — É pra memória que você vai ter disso. O homem arregalou os olhos. — Eu nunca mais chego perto dela, eu juro— — Não chega mesmo — Hugo disse. — Porque agora você aprendeu. Silêncio. Caio segurou o queixo dele. Forçando ele a olhar. — Se você olhar pra ela de novo… Pausa. Lenta. Pesada. — A gente termina o que começou hoje. Soltou. O corpo do homem quase caiu. Desmontado. — Some. Ele não pensou duas vezes. Saiu praticamente correndo. Desaparecendo na rua. --- Silêncio. Os três ficaram ali por alguns segundos. Imóveis. Respirando. Controle voltando. Noah passou a mão pelo cabelo. — Resolvido. Hugo deu um leve estalo nos dedos. — Por enquanto. Caio olhou na direção do hotel. Distante. — Ele não chega mais perto. Os outros dois assentiram. Sem dúvida. --- De volta ao carro… O silêncio era outro. Mais calmo. Mais… satisfeito. Mas ainda carregado. — Ela vai perceber — Noah disse. — Ela sempre percebe — Hugo respondeu. Caio encostou a cabeça no banco. — E tudo bem. Olhou pela janela. Paris brilhando lá fora. — Porque ela precisa entender… Silêncio. Baixo. Pesado. — Que ninguém toca no que é nosso. A porta da suíte se abriu. Sem barulho. Sem pressa. Eles entraram. E pararam. Eu estava deitada. Olhos fechados. Respiração calma. Mas não… dormindo. — Demoraram… Minha voz saiu baixa. Suave. Ainda de olhos fechados. Silêncio. Pesado. Eles trocaram um olhar. — Foram atrás dele, né? Abri um leve sorriso. Sem nem precisar olhar. Eu sabia. Sempre soube. Alguns segundos de silêncio. E então… — Resolvemos. A voz de Caio veio firme. Controlada. Exatamente como eu esperava. Meu sorriso aumentou um pouco. — Achei que sim… O colchão afundou levemente. Um de cada lado. O calor deles voltando. Como se aquele fosse o lugar certo. Porque era. Noah se aproximou primeiro. O toque leve. Um beijo calmo na minha perna. Sem pressa. Sem necessidade de dizer nada. Hugo passou a mão devagar pelo meu braço. Subindo até o ombro. Desenhando presença. Caio se deitou atrás de mim. O corpo firme. Quente. A cabeça dele se encaixando perto da minha. Como sempre. Como se já soubesse exatamente onde ficar. Suspirei. Relaxando de verdade agora. — Vocês são impossíveis… Murmurei. Mas não havia reclamação. Só… constatação. — E você gosta — Noah respondeu baixo. Sorri. De olhos ainda fechados. — Gosto… Silêncio. Mas não vazio. Cheio. De tudo. De presença. De proteção. De algo que eu nem tentava mais negar. As mãos deles ainda ali. Calmas. Sem pressa. Só… ficando. — Dorme… — Hugo murmurou. E dessa vez… Eu dormi. De verdade. Porque ali… Entre eles… Mesmo em Paris… Mesmo com tudo acontecendo… Eu estava segura.
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