Capítulo 32

1542 Palavras
Todas essas sensações esquecidas voltaram a ela quando começou a explorá-la, sua sensualidade, sua feminilidade. Quando as pontas ásperas a roçaram, o ardor e o desejo voltaram; quando sua boca se fechou com fúria novamente sobre seu ombro, através do tecido de seu moletom, seu corpo recuperou a capacidade de provocar uma cócega constante na parte inferior do ventre. Os sons roucos e baixos, quase guturais, como se emergissem das entranhas de Owen, envolveram seu corpo em um cobertor invisível de erotismo. Eram sons de aprovação, de desejo, que ela provocava. Sua mente processou esses sons e tirou dos cantos essa consciência de saber que era mulher e de se sentir mulher. Sua necessidade crescia junto com as carícias bruscas, junto com os beijos que se intercalavam com mordidas, e quando ele pronunciava seu nome, chamando-a. Ela queria responder, mas quando tentava, só conseguia soltar gemidos e gemidos. E seu perfume invadia seu corpo na mesma medida que suas mãos. O halo quente da paixão a envolvia, cercada pelos braços daquele homem que parecia e soava desesperado. A cada movimento, ele mostrava seu desejo enlouquecido de possuí-la, de prová-la, de tê-la; fazia-a sentir-se desejável novamente. Suas mãos também se moveram para procurá-lo; ela queria senti-lo. E quando Owen percebeu seus dedos prendendo-o pelas calças, uma tensão elétrica percorreu seu corpo, forçando-o a apertar os olhos com força. Com uma habilidade que não sabia que tinha, Anna conseguiu abrir caminho pela zíper e cutucar o suficiente até fazer contato com a pele inflamada. Ambos reagiram a esse prazer: Owen, desmoronando-se aos poucos; e Anna, alimentando aquele pequeno poder feminino que vem com a necessidade, a necessidade de fazê-lo sentir-se bem, de fazê-lo desfrutar. Seus olhos se encontraram em meio àquele movimento de mãos e bocas, de corpos e sons. —Anna... —disse ele muito baixinho, quase num sussurro, sem parar de tocá-la. A transparência de seus olhos havia desaparecido e, em seu lugar, um n***o muito profundo apareceu: as pupilas completamente dilatadas e nem um único traço de medo. Ele a via se desfazer diante dele, com a boca aberta e o pescoço esticado, que começava a mostrar a cor vermelha das marcas de seus dentes; era a coisa mais linda que ele já tinha visto. Perceber isso reescreveu em sua mente todos os momentos que ele já tinha compartilhado com outra mulher. O desespero o tomou conta, um calafrio estranho e vago o fez sucumbir diante da visão que tinha. O monstro iria despedaçá-la. A mão que a segurava pela cintura se fechou mais sobre ela, e a outra, com a qual ele a estava tirando da realidade, abandonou seu lugar para procurar a parte de trás do joelho esquerdo dela; mas sua boca nunca deixou a dela. Ele se inclinou um pouco e se levantou, apoiando a perna contra a cintura. Deu alguns passos para trás, até bater na poltrona e se deixar cair com ela sobre ele. Quando Anna sentiu as almofadas nos joelhos, abriu os olhos e se endireitou um pouco. Debaixo dela, o desejo de Owen a pressionava. Ela o inspecionou cuidadosamente, observando-o enquanto respirava com a boca aberta, tentando ganhar um pouco mais de oxigênio. Mas aquele homem a roubava: ele parecia tão imerso em seu desejo que era ainda mais atraente, mais masculino, mais homem. Ela o segurou pelos cabelos e o beijou, demonstrando em seus lábios o quanto o desejava, o quanto ele a atraía. Owen, que estava tentando subir o moletom dela, ficou imóvel. Anna o deteve no tempo, mas também o agitou, despertando partes dentro dele que ele acreditava estarem mortas. O letargo de seus beijos se dissipou quando ele sentiu o peito de Anna apertar contra o seu. Mais uma vez, suas mãos ganharam vida e se agarraram à borda do moletom, puxando-o para cima. Anna apenas levantou os braços e a roupa ficou jogada no chão. Se seu rosto carregado de desejo o enlouqueceu, vê-la nua sobre ele, com os cabelos mais despenteados, as bochechas mais vermelhas e a boca mais inchada, fez com que ele perdesse o último traço de humanidade. Suas mãos percorreram a pele exposta de Anna, subindo pelas suas costas para segurá-la e restringi-la, impedindo-a de escapar da sua boca que pairava sobre os seus s***s. O seu aroma doce e quente, em vez de despertar ternura, acendeu nele a ansiedade do alívio. Ele os devorou sem piedade, enquanto ela tremia, se contorcia, gemia e se tensionava. Mas nem uma única vez Anna tentou escapar. Acostumado a que as mulheres quisessem escapar de suas garras, ele ficou surpreso ao levantar os olhos e vê-la completamente entregue. Seu desejo se intensificou ainda mais. Sua aparência simples, seus modos simples, a boca quase redonda; tudo dava a impressão de doçura e agora ela respondia aos seus ataques com fluidez, como se fosse exatamente isso que ela esperava e nada menos. Ela alimentava sua fera com a mão e a estava domesticando. Owen não aguentava mais e ela também não. Os movimentos de seus quadris ficaram mais frenéticos, querendo sentir o atrito contínuo, e ele começou a perceber a umidade se espalhar, mesmo com aqueles pedaços de roupa no caminho. Eles não deveriam estar ali e ele não queria se separar do corpo dela; então, enrolou um dedo no elástico e puxou. Anna sentiu o tecido cravejando-se em seu quadril e ouviu o som ao rasgar. O contato inicial pele com pele foi uma onda imparável de calor que os consumiu imediatamente. O desespero de Owen aumentou, tornando-o um pouco desajeitado; ele procurava o ângulo, não podia esperar. Ela se ergueu um pouco para lhe dar espaço, para encontrar sua própria posição, e quando ele finalmente se sentiu seguro, olhou nos olhos dela. —Anna... —ele a chamou novamente, talvez buscando permissão. —Faz muito tempo que não faço isso —ela disse com a voz embargada, olhando nos olhos dele. Não havia covardia em sua confissão, apenas a verdade e, na mente de Owen, essas palavras soaram como a provocação mais suja e descarada que ele já tinha ouvido. Anna simplesmente voltou a beijá-lo e deixou-se cair com todo o seu peso. A união repentina e profunda, a invasão completa, paralisou-a e fez com que seu corpo se inclinasse para trás. Ele segurou-a, queria esperar esses momentos para que ela se acostumasse à sensação; mas não conseguia, o monstro não o deixava. Owen fez um único movimento carregado de violência, de brusquidão, como se quisesse mergulhar mais nela, e parou. Mas Anna estava longe de sentir dor ou desconforto, ela esperava mais, mas ele estava imóvel. Ela insistiu com os quadris, sem resultado. —Outra vez —disse ela, olhando nos olhos dele, murmurando. Owen apenas respirou fundo. — Outra vez — exigiu ela. E ele fez isso outra vez, e outra, e outra. A cada movimento, o corpo de Anna se movia com rudeza e arrancava gemidos que soavam como uivos. Ele não conseguia acreditar no que via nem no que ouvia e se recusava a acreditar no que sentia, no que ela o fazia sentir. Anna estava quebrando todas as barreiras. Ela não se escondia da fera, não demonstrava medo, era inquieta, pedia e exigia com palavras e com o corpo. E seu rosto se inundava de êxtase. Ela o tomava com força, movia-se com a mesma necessidade brutal, perdia-se nele. Os gestos de seu rosto, somente eles, tinham o poder de atordoá-lo e ele sabia que não iria aguentar muito mais. Mas, embora o suor já tivesse brotado sobre eles e os corpos estivessem escorregando, ele não queria parar ainda. Ele diminuiu a intensidade, acalmou um pouco o impulso e Anna reclamou com frustração. E por mais que Owen tentasse articular frases coerentes, o que saiu de sua boca foram as palavras que sua b***a sabia dizer. —Você gosta assim, não é? —ele perguntou com cinismo —Você está gostando... Veja como você se move... Mas Anna apenas assentiu e ficou frustrada, ele havia parado justamente quando a sensação de formigamento abaixo de seu ventre começava a aumentar. Um vazio se formou na boca do estômago dela em resposta à sua quietude. —E você quer mais —disse ele, pausando as palavras, saboreando a urgência que acreditava estar nela. Anna tentou recuperar o ritmo, se movendo, mas as mãos grandes e pesadas de Owen a seguraram pelos quadris. Ele se aproximou do rosto dela até que sua boca estivesse junto ao ouvido dela. — Se você quer mais, diga — sussurrou ele maliciosamente. Anna não respondeu, não se lembrava de como falar. — Diga! — gritou ele. — Eu quero mais! — respondeu ela finalmente, perdida. — Eu quero mais... Owen deu-lhe mais e ela recebeu-o até que a sua mente ficou em branco; igualava a velocidade e a agressividade com o mesmo desejo, desmedido. E então sentiu-o: a respiração parou, os seus ouvidos só percebiam um som ensurdecedor e a explosão desintegrou-a. Ele não conseguiu se conter; toda aquela glória espalhada diante de seus olhos, todas as sensações que se agitavam dentro de seu peito; ele mergulhou ainda mais em Anna, se é que isso era possível, e o mundo se desfez diante dele, lançando um rugido animal e profundo.
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