Narrado por Salvatore Mancini – Roma, madrugada seguinte A casa estava em silêncio. Mas o silêncio... grita. E essa noite, ele gritou alto demais. Levantei da poltrona antes do nascer do sol. Não dormi. Não durmo mais com facilidade desde a morte de Enzo. Desde que percebi que, mesmo morto, ele ainda me fode. Fui até o salão principal. Passei o dedo pela borda do espelho antigo. Poeira. E sob a poeira... um cheiro. Não de sujeira. De traição. Tem algo errado. Eu sinto. Nas paredes. Nos olhares. Na demora em responder. Don Fabrizio. Ontem, ele hesitou. Ergueu a taça, mas os olhos fugiram dos meus. E os olhos… os olhos nunca mentem. Peguei o celular antigo, direto da linha de escuta. Nada. Mas o que me incomoda não é o que ouvi. É o que não ouvi. Silêncio demais no

