capítulo 5 Giovanna

1124 Palavras
Capítulo 5: A Tempestade Rumo ao Morro Eu estava em carne viva. A adrenalina que me consumia não era só pela luta que acabei de travar, mas por saber que a verdadeira batalha ainda estava por vir. Cada respiração que tomava era uma lembrança do que havia perdido e do que ainda estava por conquistar. A morte do meu pai não foi apenas a perda de um homem importante. Foi a perda de tudo que ele construiu, daquilo que, ao longo dos anos, me foi prometido. O império da família Moretti estava agora sob a ameaça de ser engolido pela traição e pela guerra. E a culpa, a fúria, tudo o que restava de mim, precisava ser canalizado em uma única missão: reconstruir o império e destruir aqueles que o haviam roubado de mim. Mas como reconstruir algo que já estava em ruínas? Como reerguer o que foi destruído por mãos de confiança? Meu pai sempre me dizia que no mundo do crime não existiam amizades, apenas alianças de conveniência. Eu sempre soube que um dia seria meu turno de assumir o comando, mas nunca imaginei que ele fosse ser tirado de mim tão brutalmente. A cidade parecia me engolir a cada passo que eu dava. As ruas estavam mais escuras do que o habitual, as sombras mais ameaçadoras, como se a própria cidade soubesse que algo estava prestes a acontecer. Cada movimento, cada som, parecia ser um reflexo do meu desespero crescente. A morte de Enzo Moretti não só abalou o submundo, mas agora também me colocava em risco de ser a próxima vítima da mesma traição que levou meu pai. Era como se cada esquina, cada passo nas ruas desertas, estivesse me conduzindo para uma armadilha, como se tudo ao meu redor fosse um teste de sobrevivência. E eu, com todas as minhas forças, precisava passar por ele. Eu não sabia ao certo quanto tempo havia se passado desde que consegui escapar do carro em chamas, mas o tempo parecia se distorcer. A adrenalina, que antes queimava meu corpo com uma intensidade incontrolável, agora estava se tornando uma companhia constante. O calor da explosão ainda estava em minha pele, mas nada era mais forte do que a raiva que me consumia por dentro. Eu precisava de Rafael. Ele era o único que poderia me oferecer a proteção de que eu precisava, a única chance que eu tinha para sobreviver e, eventualmente, retomar o que era meu por direito. E o que o destino me reservava com ele? Eu não sabia. Não sabia se poderia confiar nele completamente. Mas havia algo no olhar do meu pai, em sua última ordem, que me dizia que Rafael era mais do que apenas um aliado. Ele tinha uma razão para me proteger, e isso deveria ser suficiente. As ruas desertas davam lugar a becos estreitos e áreas mais sombrias, e eu sabia que estava sendo seguida. Eles estavam atrás de mim, os homens de Marcos e Rogério. O cheiro da traição se espalhava, e o único jeito de escapar era enfrentá-los, ou então eles me pegariam de surpresa. Eu estava quase na entrada do Morro do Destino quando os ouvi: passos rápidos, certeiros, como se soubessem exatamente onde eu estava. O coração disparou. Não havia tempo para hesitar, não havia mais espaço para medo. Instintivamente, me escondi atrás de um contêiner de lixo, tentando me camuflar na escuridão. O som dos passos parou. Tudo o que eu podia ouvir agora era o ritmo acelerado da minha respiração. A tensão no ar era palpável. Eles sabiam que eu estava ali, mas não tinham certeza de onde. A emboscada estava prestes a se formar. E então, do nada, os vi. Um grupo de homens, armados até os dentes, emergindo das sombras como cobras sedentas. A liderança deles era clara, um homem de olhos frios e expressão impassível, provavelmente o mesmo líder que se mostrou tão rápido em reagir à minha fuga com Marcos e Rogério. A postura dele não era de incerteza — ele estava pronto para terminar o que começou. – "Eu sei o que você fez com Marcos e Rogério", ele disse com uma voz áspera, baixa, mas com uma ameaça evidente. "Você vai pagar por isso, Moretti." Minha reação foi automática. Sem pensar duas vezes, puxei minha arma com uma destreza que me era familiar. O som do disparo ecoou pela rua vazia, e o líder caiu, derrubado sem chance de reação. Mas isso era apenas o começo. O caos se instalou como um furacão. Balas voando, homens se escondendo, tentando reagrupar-se. Eu não hesitei. Sabia que minha vida estava em jogo e que não poderia deixar nenhum deles vivo. Não agora. Não depois de tudo o que me tiraram. O meu treinamento, a minha experiência, tudo o que meu pai havia me ensinado, se tornou parte de cada movimento. Eu estava jogando um jogo de pura sobrevivência, e a minha missão era simples: matar ou ser morta. Em uma sucessão rápida de movimentos precisos, fui derrubando um por um, sem misericórdia. O som das balas, o cheiro de pólvora no ar, se tornaram o pano de fundo de uma luta pela minha própria vida. Eles tentaram reagir, mas era tarde demais. O líder havia caído, e os outros, menos experientes, não estavam prontos para lidar com alguém como eu. Em poucos minutos, o cenário estava limpo, e a poeira finalmente se assentou. O silêncio era aterrador. Eu estava cercada por corpos, mas a sensação de vitória não estava ali. Não ainda. A tensão não diminuiu. O som distante de um rádio, vindo de um dos homens mortos, me alertou para a iminência de mais perigo. Eles sabiam o que estava acontecendo, e logo mais homens estariam à minha procura. Eu tinha que continuar. Não podia me dar ao luxo de parar. Dei as costas para os corpos e segui em frente, os pés firmes no asfalto, mas o peso de cada passo me lembrava da dor da perda. Eu estava em território desconhecido, e a única coisa que sabia era que meu destino estava atrelado a Rafael. A tempestade estava chegando, e eu estava disposta a enfrentá-la. Não importava quem ou o que fosse, eu estava pronta para lutar até o fim. Eu sabia que, uma vez dentro do Morro do Destino, a realidade mudaria. Rafael, o "Predador", não seria fácil de encontrar, e menos ainda seria fácil confiar nele. Mas o que eu queria, mais do que tudo, era fazer com que a confiança que meu pai depositou nele fosse testada. O que aconteceria depois, só o futuro diria. Mas uma coisa eu sabia com certeza: a tempestade que estava prestes a desabar sobre o morro seria implacável, e eu era a tempestade.
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