CAPÍTULO 4 GIOVANNA

1212 Palavras
– A Morte de Enzo Moretti e a Traição Eu sou Giovanna Moretti, tenho 28 anos e sou a tempestade que ninguém espera, mas que todos temem quando chega. Morena, de cabelos longos e pretos como a noite, olhos castanhos intensos e uma presença imponente, sou a filha de Enzo Moretti, um homem que fez seu nome com sangue, suor e uma determinação feroz. Minha pele carrega cicatrizes discretas, marcas de uma vida de luta e estratégias. Minha expressão é sempre firme, minha postura irredutível, e meu olhar não permite hesitação. A vida que levei não foi de luxo ou de fantasia – foi feita de estratégias, segredos, lealdades frágeis e traições constantes. Meu pai sempre me disse que a verdadeira força não está em ser o mais forte, mas em fazer os outros temerem o momento que você decide agir. E, de alguma forma, eu cresci com isso. Eu sou a tempestade, e quando eu chego, nada permanece igual. Aos 18 anos, eu já comandava parte do império que meu pai construiu. Ao contrário de outras mulheres da máfia, que frequentemente se mantinham na sombra, eu era implacável e não hesitava. Cada decisão que tomava era calculada, cada movimento cuidadosamente planejado. Eu era a herdeira do império, mas também uma força que todos ao meu redor temiam. Mas nada, absolutamente nada, me preparou para o que aconteceu na noite passada. Na noite passada, meu pai, Enzo Moretti, o homem que sempre acreditou que o poder era a única coisa que importava, foi assassinado. Não por um inimigo em campo de batalha, mas por uma traição que veio de dentro. Enzo estava envelhecendo. Seu corpo já não era mais o de um homem jovem e vigoroso, e ele sabia disso. Mas o que ele não sabia era que, enquanto ele estava fraco, alguém o estava envenenando, acelerando sua morte. Aqueles que estavam ao seu lado, aqueles que ele considerava seus aliados, não podiam esperar para tomar o controle do império. E, em sua busca pelo poder, eles não hesitaram em envenená-lo, garantindo que ele não sobrevivesse mais do que o necessário. O veneno foi o golpe final, uma dose letal que se espalhou por suas veias lentamente, mas com precisão. Na noite anterior à sua morte, meu pai estava ciente de que a morte o alcançaria mais cedo do que ele imaginava. Ele sabia que havia sido envenenado, mas se recusava a deixar que isso fosse algo visível para mim. Ele me chamou para conversar, para dar-me uma última instrução, um último pedido. "Giovanna", ele disse, sua voz rouca, enfraquecida, "há algo que você precisa saber. Eu não tenho muito tempo... Você precisa confiar em Rafael." Rafael. O nome que veio como um choque. Rafael, o "Predador", um homem com a mão de ferro no Morro do Destino, um nome que pairava como uma sombra em todas as conversas, mas que nunca pensei que teria qualquer relação direta comigo. E, no entanto, meu pai me pediu para confiar nele. "Ele vai te proteger", Enzo disse, com a voz fraca, antes de me entregar um aviso que mudou tudo. "Se algo acontecer comigo, procure por Rafael. Ele é o único que pode garantir sua segurança." Eu não compreendia o que meu pai estava tentando me dizer, mas não poderia deixar de obedecer à última ordem que ele me deu. Eu, que cresci sem confiar em ninguém, agora me vi forçada a confiar em alguém que era, no fundo, um estranho. Mas quando meu pai morreu, e a notícia se espalhou rapidamente, eu percebi o quão frágil era minha posição. A traição estava mais perto do que eu imaginava. Não foi uma guerra de facções, não foi um assassinato cometido por rivais. A verdadeira ameaça veio de dentro, daqueles que estavam mais próximos de mim. Foi então que Marcos e Rogério, dois dos homens mais próximos do meu pai, me procuraram dizendo que iríamos para um local seguro. Eu sabia que algo não estava certo. Eu podia sentir o cheiro da traição no ar, o silêncio no carro, os olhares furtivos trocados entre eles. Eu tinha que agir rápido. O carro cortava as ruas desertas da cidade, e a tensão no ar era palpável. Mas, quando a verdade se revelou, foi como uma explosão. Marcos foi o primeiro a sacar a arma, apontando para mim, com uma expressão fria de quem não hesitaria em acabar com minha vida. Ele e Rogério estavam com um plano, mas esse plano não era me proteger. Era me eliminar. A adrenalina tomou conta do meu corpo. Não pensei duas vezes. Puxei minha arma com precisão, atirando diretamente contra Marcos. O tiro foi certeiro, ele tombou sobre o volante e o carro derrapou. Mas Rogério, ainda vivo, não desistiu. O desespero nos olhos dele era claro. Ele levantou a arma, tentando me atingir. Foi aí que a luta pela minha vida virou um jogo de pura sobrevivência. O carro estava em movimento, mas não tinha como esperar. Eu me joguei para o lado, desviando das balas, enquanto lutava para manter o controle. Rogério se inclinava mais para me acertar, e eu sabia que, se ele me pegasse, seria o fim. Em um movimento desesperado, puxei o volante com todas as minhas forças, fazendo o carro girar violentamente para a esquerda. O impacto foi brutal, e o carro se chocou contra um muro de concreto. Acelerei até o limite, tentando escapar do controle do destino que estava me arrastando. Mas, ao invés de me proteger, o carro parecia estar me empurrando para a morte. Rogério estava quase em cima de mim, mas a força do choque no muro me deu uma última chance. Eu pulei para fora do carro, rolando no asfalto enquanto o veículo continuava sua trajetória descontrolada. O som de pneus estourando, metal se retorcendo e vidro estilhaçando foi o último que ouvi antes de me afastar para a margem da rua. O carro estava completamente fora de controle. Virou-se, derrapando em uma curva fechada, e a explosão aconteceu. O estrondo foi ensurdecedor, a bola de fogo subindo ao céu com a violência de uma tempestade. O calor intenso queimou meu rosto, mas eu não olhei para trás. Sabia que não havia mais nada que eu pudesse fazer para salvar aquele que havia me traído. Meus pés estavam firmes no chão, e a dor que o impacto me causou não importava. O que importava agora era que eu estava viva, e que eu não deixaria que aqueles traidores saíssem impunes. Eu tinha uma missão: chegar até Rafael, o único homem em quem meu pai confiou, o único que podia garantir minha segurança. Agora, o que restava era a verdade. Eu estava viva, e os traidores estavam mortos. Mas a dor da perda, a dor de ver meu pai ser assassinado por aqueles em quem ele confiava, me consumia por dentro. Eu jurei naquele momento, com toda a minha força: Eu vou voltar. Vou destruir todos aqueles que tomaram meu pai de mim, e vou fazer com que paguem cada segundo da dor que me causaram. Sem mais ninguém a quem confiar, sem mais aliados, eu me lancei na escuridão da cidade, sabendo que minha luta estava apenas começando. Eu sou Giovanna Moretti, e minha tempestade ainda não passou.
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