GOSTO DE FURIA, CHEIRO DE PÓLVORA (Narrado por Rafael) Saí do quarto com a pele dela ainda no meu dedo. O cheiro no corpo, o gosto na alma. Giovanna tava se derretendo. Implorando sem abrir a boca. Mas eu cortei no ponto certo. Porque mulher como ela só se quebra quando não tem mais controle. Joguei água no rosto. O espelho embaçado devolveu um reflexo sujo. Cara de marginal. Cabelo bagunçado. Olho de predador. Vesti a camisa preta. Coloquei a jaqueta por cima. Pulseira de couro. Corrente no pescoço. A calça jeans justa marcava meu peso, minha presença. O boné aba reta baixava o olhar. E o cigarro no canto da boca deixava tudo mais perigoso. Desci os degraus do barraco devagar. A rua ainda fumegava da madrugada. O morro aceso. Música ecoando do alto. Som de baile batendo

