capítulo 19

825 Palavras

GIOVANNA A água escorria quente pelo meu corpo, lavando o sangue seco, o cheiro do medo… e um pouco da culpa também. Me olhei no espelho depois. O cabelo grudado na pele, os olhos vermelhos, mas vivos. Eu tava inteira. Ferida, mas viva. E isso era perigoso — pra quem tentasse me domar. Me enrolei no roupão velho que achei no armário, deixei ele frouxo no corpo, e fui até a sacada. Peguei um cigarro. A brasa acendeu junto com o calor que ainda queimava entre minhas pernas — aquele calor que só um certo desgraçado sabia acender. A rua lá embaixo ainda fervia, mesmo com a madrugada mastigando o céu. Uns moleques riam, passando com copos na mão. Um deles olhou pra cima e me viu. Me olhou como se eu fosse um milagre maldito. Moleque: — Vai colar no baile, princesa? Traguei devagar, a fumaç

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