Roma, três dias depois. Roma fede. Fede a sangue velho e vinho ralo. Fede a poder apodrecido embaixo de mármore. Fede a promessas de fidelidade feitas com a língua e quebradas com a mão. A sala esvaziou. Só ficou o Luca. E eu. Encostado na poltrona, fitei ele como se estivesse analisando um pedaço de carne passada do ponto. — “Você comia a v***a da italiana, né?” Ele acendeu o cigarro com a calma de quem não tem mais nada a perder. — “Comia, transava, gemia no meu ouvido, mordia minha boca… e no minuto seguinte, cuspia minha alma fora como se fosse lixo.” — “E você deixou?” — “Ergui a c****a. Dei cama, dei proteção. Dei tudo. Ela me fez pensar que eu mandava. Mas no fundo…” Ele riu, um riso cheio de raiva m*l enterrada. — “… no fundo eu era só o cachorro que ela mandava calar

