Tarefa Árdua

1396 Palavras
***Vanessa*** Às sete horas em ponto eu estava lá. Com um sorriso no rosto, a maquiagem e roupa impecáveis e com um copo de capuccino na mão, pronta para começar o meu dia. — Por onde eu começo? — Perguntei ao meu novo chefe, que me olhava como se eu fosse um E.T. — Vai ser assim? Pensei que você ia ao menos fingir que está arrependida — me respondeu. — Se não gostar da minha forma de trabalho pode me demitir. Tenha certeza de que vou adorar ter a minha liberdade de volta. — Ainda não... vem, me segue. Tenho que arrumar a minha sala nova. Eu sei muito bem o que ele queria. Ele queria me ver suplicando por perdão. Queria que eu me humilhasse por causa do idïota do pai dele, mas não vou dar esse gostinho a ele. Eu tive a pior noite da minha vida, estou acabada, um lixo, mas não vou me deixar abater. Passei a noite inteira me convencendo de que precisava aguentar firme e que rapidamente arrumaria uma solução para me livrar desses loucos. Eu ia agir naturalmente e não deixar que eles me enlouquecessem. Pegamos o elevador e ficamos em silêncio, até que o Rick entra. O meu amigo me olha de cima a baixo e percebo que ele é uma das poucas pessoas que podem ler a minha alma. Apesar de parecer radiante, ele sabe o caco em que me encontro. — Você está cometendo um grande erro — rompeu o silêncio enquanto falava para o Fernando, que o olhou de volta e permaneceu em silêncio. Aqueles homens pareciam discutir sem quem nenhuma palavra fosse dita. Era apenas o silêncio e a troca intensa de olhares. O andar onde o Fernando iria montar a sua sala chegou e nós deixamos o elevador, mas não sem antes eu tocar suavemente na mão do Rick. Era a minha forma de dizer que tudo iria ficar bem. — O meu pai estava preparando esse lugar pra minha chegada, mas ainda falta muito para isso se transformar em um escritório decente. Fiquei o encarando tentando entender o que ele queria que eu fizesse, pois se era algo explícito, confesso que o meu raciocínio me traiu, pois não entendi. Eu sabia, assim como todos os outros funcionários, que o Otávio queria que o filho voltasse para o Brasil e assumisse um bom cargo na empresa. Mas o lugar ainda estava uma desordem, cheio de latas de tintas e restos de materiais, que sinalizavam uma recente reforma. — Vai ficar esperando até que horas para começar? — Ele me perguntou irritado. — O que uma advogada pode fazer em um lugar como esse? O que quer de mim? — Perguntei achando que ele ia me pedir algum relatório estranho, mas não ele queria me humilhar... — Eu já disse que quero que esse lugar se transforme em meu escritório e quero isso até o final do dia. Será que vou precisar desenhar? Se existia alguém mais arrogante e babåca, eu desconhecia. Ele se encostou na parede e fez sinal para uma pilha de latas puras e sacos de lixo, que eu acredito serem papéis inúteis que foram despejados aqui. Ah, então era isso! Ele queria me ver fazendo faxina... Como se isso fosse indigno ou humilhante... Pobre menino rico, ele não sabia de nada. Comecei a analisar o lugar e depois de pegar alguns sacos de lixo e caminhar para fora, para dar fim naquilo, olhei pra ele e disse: — Como sua assistente tenho que dizer que você tem uma reunião em trinta minutos. Acho melhor se preparar. Não se preocupe, até o final do dia sua sala estará pronta. Ele assentiu e saiu com um sorriso vitorioso no rosto, como se aquilo fosse me parar ou que fosse ao menos um desafio. Tolo! Assim que coloquei os sacos de lixo na lixeira do andar, fui até a sala do Rick para usar o seu telefone. Não queria voltar para o meu setor e ter que esbarrar com o Fernando, que com certeza ia me atrapalhar. Trinta minutos e umas dez ligações depois, estava tudo organizado para aquele canteiro de obras se tornar um escritório luxuoso e arrumado. Eu já trabalhava há alguns anos aqui e sabia exatamente o que fazer e quem chamar. Eu não era uma menininha chorona. — Acho que é por isso que gostei de você desde quando eu te conheci — o Rick fala e só então percebo que ele está me encarando. — Conta outra! — Disse descontraída — você só me contratou porque ficou com medo que eu cumprisse a minha promessas e chutasse as suas bolas. O Rick caiu em uma gargalhada contagiante e acabei rindo com ele, mas logo o seu sorriso cessou e ele me encarou até finalmente cuspir o que queria me perguntar. — Por que existe uma tensão sex.ual tão forte entre vocês? Quando ia me contar que já se pegaram? Eu abri a boca em sinal de espanto. Como ele descobriu, se não gosto de admitir isso nem para mim mesmo. Será que o idiotå está espalhando que a gente transöu? — O que ele te falou? — Perguntei quase me engasgando com as palavras. — Nada, assim como você, mas não preciso que me digam. Não é à toa que eu me destaquei como advogado. Eu sou um bom observador. — Você está ferrada! Não dou um ano para vocês estarem casados e em lua de mel — o Rick brincou depois de ouvir a história que eu contei, mas assim como eu, ele sabe que só tem como uma pessoa sair destruída dessa confusão e essa pessoa sou eu. Depois que saí da sala do Rick, passei as próximas horas fazendo o possível para entregar aquela sala. Não parei nem para almoçar, mas valeu a pena, pois antes do final do expediente ela estava limpa, mobiliada, com telefone, ar condicionado, internet e eletrônicos funcionando perfeitamente, bem como os arquivos e documentos necessários para aquele mala trabalhar. Passei uma água no rosto, ajeitei o meu cabelo e fui toda orgulhosa mostrar para o ogro que aquela função era ridiculamente fácil e que isso não era capaz de me humilhar, na verdade, me manteve ocupada e longe dele o dia todo. Quando cheguei no setor comercial, percebi que ele havia liberado os funcionários um pouco mais cedo, inclusive a sua secretária, mas eu sabia que ele ainda estava ali porque as luzes estavam acesas. Eu não sei se devia bater na porta e me anunciar antes, mas como agora eu era a assistente dele, pensei não ser necessário fazer uma ligação ou ficar esmurrando uma porta e então eu entrei. — Ai chefinho, você é tão grosso e gostoso! — A mulher que reconheci Ser uma das estagiárias do marketing, gemia enquanto estava deitada de bruços na mesa dele, com a bundå empinada e os pés apoiados no chão. A mulher estava uma bagunça, o vestido levantado, exposta, suada e descabelada, enquanto ele parecia impecável apenas com o suficiente da calça aberta para liberar e movimentar o seu påu. Nunca vi algo tão impessoal, mas as coisas continuaram estranhas quando os dois notaram a minha presença e continuaram o que estavam fazendo. — De- desculpa. Estou saindo — gaguejei dando um passo para trás. — Espera! — Ele disse enquanto fazia um gesto com a mão para eu não me mover e parou de estocar a mulher por um instante e logo ela me olhou insatisfeita, como se eu tivesse estragando o seu momento. — Não vá ainda. Quando eu terminar, quero que arrume essa bagunça. Não gosto de desordem no meu ambiente de trabalho — ele deu um tapa na bundå da mulher e metėu fundo, fazendo ela soltar um gemido alto — agora vá, a não ser que queira ficar olhando. — Nojento — sussurrei baixinho, mas tenho certeza de que ele ouviu. Eu saí e fiquei esperando ele na recepção e depois de quase uma hora escutando os gritos daquela mulher, que parecia que tinha acabado de sair de um filme pørnô e que eu tinha certeza que, apesar de estar com aquele gostoso, estava fazendo uma performance digna de um Oscar, ela saiu. — Ele mandou você entrar — mäl tinha dado para o chefe e já estava se achando a dona da empresa.
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