Destruídos

1143 Palavras
***Fernando*** — Vem me buscar com o Henrico. Eu me machuquei e não quero que ninguém saiba. Vou te mandar a localização. Eu podia odiar o meu pai, mas jamais iria negar socorro a ele. Não sei o que aconteceu, mas ele precisava da minha ajuda e não pensei em correr para socorrê-lo. — Aonde ele está? — O Henrico perguntou enquanto tirava o carro da garagem. — Não sei aonde é, mas me mandou a localização — disse e entreguei o celular para ele, que digitou o endereço no GPS. O lugar não era perto de casa, mas o Henrico acelerou um pouco mais e não demoramos a chegar. Eu sabia que era algo que o meu pai não queria que as pessoas soubessem, então quando nos apresentamos para o porteiro, usei apenas o nome do Henrico e disse que estavam nos esperando. Obviamente que o porteiro não caiu na nossa conversa, já que nem sabemos quem era o dono do apartamento que o meu pai estava, mas depois de interfonar para o proprietário, ele nos falou o número do apartamento e liberou nossa subida. Enquanto passava pelos corredores brancos e sem graça daquele prédio, não imaginei o caos que a minha mente viraria após apertar aquela campainha. — Que bom que você chegou. Já não estava mais sabendo o que fazer — disse a mulher que não percebeu quem estava na sua frente. — Droga, Fernando, por que demorou tanto? Essa selvagem quase quebrou o meu päu. Preciso ir para a clínica do Maia. Só ele pode me ajudar sem que isso se torne um escândalo. Foi então que ela me olhou. Eu devia ter desviado o olhar, mas vê-la daquele jeito me incomodou muito e tive que me segurar para não ter uma crise de raiva. O patético do meu pai estava com o påu inchado e com uma compressa de gelo para amenizar a dor. A Vanessa estava uma bagunça. Cabelos desgrenhados, os sėios quase à mostra naquele roupão curto e mål fechado. A ideia de que os dois estavam fazendo sėxo selvagem e algo deu errado, me deixou nauseado. Ontem era eu que me afundava nela e hoje ela estava nos braços do meu pai. Era como se alguém tirasse algo que era meu e isso me deixava ainda mais furioso. O Henrico levantou o meu pai com cuidado e o ajudou a caminhar. — Leve ele para a clínica do Maia. Eu vou em seguida de táxi — disse para o Henrico. — Não me arrume problemas, Fernando. Deixe ela em paz — o homem que nunca se preocupou com ninguém além dele, parecia mesmo mudado. — Só vou limpar a bagunça que o senhor fez e garantir que esse assunto não ande para frente — respondi para o meu pai, que concordou e saiu. Assim que a porta se fechou, a mulher que até então estava quieta, caiu em um choro profundo e sentido. Eu não sabia o que fazer. Saber que ela sofria por ele me deu um mäl estar imenso, mas eu não podia sair dali sem antes falar com ela. — Para de teatrinho, o seu queridinho daqui a pouco vai estar bem, pronto para te encher de dinheiro. — Eu quero que ele, você e o dinheiro da sua família se explodam! — Respondeu mais alterada do que eu esperava — Sai da minha casa agora! — Eu não vou sair até saber o que aconteceu aqui. Você machucou ele de propósito? Não acho que alguém machuque alguém dessa maneira de forma acidental. — Acidental? Você pode ter certeza que eu quis fazer o que fiz. Eu não sei o que deu em mim. As minhas pernas pareciam ter vida própria e por mais que eu quisesse manter a distância, me vi novamente cara a cara com ela e aquele roupão que a estava deixando seminua. — Eu vou acabar com você. Ainda vou te ver implorando por perdão por tudo o que está fazendo — sussurrei em seu ouvido. — Você não pode quebrar o que já está destruído — ela me respondeu com a voz rouca e não resisti e desviei o meu olhar do dela. Primeiro para a sua boca e depois para aqueles sėios que estavam quase à mostra. — É só isso que sou para vocês, né? Um pedaço de carne que vocês usam para se satisfazer? — Ela me perguntou como se estivesse decepcionada, como se pudesse esperar algo de mim. — Você não serve nem para me satisfazer. Eu te desprezo — menti descaradamente, pois uma coisa que essa diaba soube fazer foi me satisfazer. Como nunca antes alguém havia feito. — Não é o que parece — falou enquanto abriu o seu roupão e deixou que ele escorregasse pelos seus braços até que caísse no chão, pegando a minha mão e colocando sobre o seu seïo. Fui traído pelos meus instintos e com a boca salivando, fechei os olhos e senti aquele peitø perfeito e redondo se encaixando em minha mão. — Eu odeio você — rosnei tentando voltar à razão. — Não é o que parece — repetiu o que havia acabado de falar e colocou a sua mão sobre o meu påu que estava pronto para mëter a noite toda. Eu estava com nojo, raiva e com a minha dignidade e orgulho no lixo. A mulher estava dando para o meu pai, mas eu não conseguia falar não para a aproximação dela. — Eu vou te destruir — falei mais uma vez, como um papagaio adestrado, mas sem afastar o seu toque que estava me incendiando de desejo. — Já falei que você não pode destruir o que está arruinado, mas cuidado, porque sou eu que posso acabar com você — disse e apertou o meu paü de forma que me fez sentir dor e eu finalmente pude voltar à razão e me afastar. — Não quero quero que as suas aventuras íntimås com o meu pai chegem aos ouvidos de ninguém — exigi, tentando disfarçar que estava totalmente abalado. — Não precisa gastar seu tempo tentando me silenciar. A sociedade já fez isso há muito tempo, afinal, eu sou a amante desprezível do seu pai, a destruidora de família. Quem se importa comigo, né? — Você é louca e está tentando me enlouquecer junto — respirei confuso — esteja na minha sala amanhã, às sete. Ela ia me responder algo, mas a campainha tocou. Era um entregador que trouxe um monte de comida, que eu imagino ser para ela e meu pai. Enquanto o homem justificava a demora para entregar o pedido dela, saí dali sem me despedir. Eu mandei uma mensagem para o Henrico para saber sobre o meu pai e sabendo que ele ia ser liberado e iria para um hotel, decidi ir pra casa tentar dormir um pouco.
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