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FOGO CRUZADO (MORRO)

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Sinopse

Sinopse Lorena nasceu e cresceu no coração do Complexo do Alemão. Marrenta, linda, apaixonada por funk e dona de um gênio impossível, ela nunca deixou homem nenhum mandar nela. Trabalha duro no salão da mãe, cuida da irmã doente e não aceita migalha de ninguém. Ela quer viver bem – mas sem dever nada pra ninguém. Muito menos pra bandido.Cobra é o nome que faz o morro inteiro abaixar a cabeça, mesmo depois de anos preso. Temido, frio, tatuado até o pescoço, comanda o tráfico e carrega uma ficha criminal tão pesada quanto sua presença. Mas quando seus olhos cruzam com os de Lorena, o chefe do crime vacila.E, pela primeira vez, deseja algo que não pode comprar nem dominar com o medo.Entre visitas íntimas, favores negados, desejo reprimido, ciúmes, barracos, promessas perigosas e beijos que tiram o ar, os dois travam uma guerra de orgulho, posse e paixão.Mas em um lugar onde o amor é fraqueza e a confiança pode ser fatal... será que Cobra e Lorena vão sobreviver um ao outro?

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cap 01 eu sou a tempestade
Lorena A batida pesada do funk fazia até os vidros da barbearia do Téo tremer. Lá de baixo, no bar do Zé, rolava aquele som do Poze, e o cheiro de churrasquinho subia pela ladeira junto com a fumaça e os gritos das crianças correndo descalças. Eu tava ali, varrendo a entrada do salão da minha mãe. Com a cara suada, short jeans grudando na coxa e um top que deixava metade da barriga à mostra. Meus pés doíam, mas meu corpo não parava de mexer no ritmo da batida. O sol rachava tudo e parecia que até a alma queimava. Mãe: – Lorena! Já falei pra parar de dançar enquanto trabalha! Vai espantar as clientes! – gritou de dentro, com os bobs tortos e uma toalha no ombro. Eu: – Espantar nada, mãe... tô é chamando. Mulher feliz dá lucro. – falei sem virar, jogando a vassoura pro lado e passando o pano na testa com o antebraço. A verdade? Era só pose. Por dentro, eu tava um caco. Minha irmãzinha tava doente de novo. A febre não baixava fazia dois dias. A gente já tinha rasgado os últimos trinta conto no antibiótico que não deu nem pro cheiro. Minha mãe tentava ser forte, mas eu vi quando ela chorou escondido atrás do salão ontem à noite. E o Moacir, aquele traste do meu padrasto, tava largado no sofá, dizendo que “não conseguia levantar nem pra mijar”, com a TV no último volume e uma toalhinha molhada na testa fingindo uma dor que não existia. Eu que me virasse. Foi aí que ouvi o som do chinelo batendo no chão da viela. Bianca. Bianca: – E aí, minha cria... o beco hoje tá quente, hein? – chegou jogando a bolsa em cima da bancada, o rímel meio borrado do calor, mas ainda assim linda, como sempre. Eu: – Sempre tá. – respondi, limpando a mão no short e dando um meio sorriso. Bianca: – Vi um vulto vindo lá de baixo... não quero te deixar noiada não, mas era o Pescoço. E ele tava olhando pro salão. Meu estômago virou. Bianca disse “Pescoço” com aquele tom disfarçado de deboche, mas eu conheço ela. Desde o fundamental que ela tem essa queda enrustida por ele. Nunca rolou nada, mas os olhares entre os dois sempre disseram mais do que as palavras. Não deu nem dois minutos e ele apareceu. Veio andando com aquela marra de sempre, camisa regata preta colada no peito, bermuda camuflada, cordão grosso no pescoço e o cabelo loiro oxigenado, recém-cortado na régua. O cheiro do perfume forte chegou antes dele. Cheiro de poder. Cheiro de perigo. Bianca ajeitou o cabelo na hora. Eu reparei. Pescoço parou na grade, encostou o ombro e deu aquele sorriso torto. Pescoço: – Fala tu, Lorena... firmeza? Eu: – Na luta, né. Diferente de uns aí que vivem de boa só dando ordem. Ele riu de leve. Pescoço: – Tu é braba mesmo. Cobra que falou. Eu: – Falou o quê? – perguntei, fingindo desinteresse. Pescoço: – Que quer te ver. Mandou eu vir aqui trocar uma ideia contigo. Visita íntima. As palavras bateram como um tapa. Eu: – Tá de brincadeira com a minha cara? – perguntei seca, parando de varrer. Ele me olhou de canto, sem rir. Pescoço: – Tu sabe que eu não brinco. Cobra cismou com teu nome. Disse que tu tem “postura de rainha”, essas palavras mesmo. Ele quer te ver. E paga bem. Meu coração disparou. A cabeça girou. Era muito pra processar de uma vez. Eu: – Eu não sou p**a, Pescoço. Vai lá e avisa ele isso. Vi Bianca desviar o olhar. Pescoço ficou quieto, mas deu uma fungada pelo nariz, como quem já esperava minha reação. Pescoço: – Ninguém tá falando que tu é. Ele só quer te conhecer. Trocar uma ideia contigo, tá ligado? Só isso. Fiquei olhando pra ele. O suor escorria na minha nuca, mas era o sangue que tava fervendo. Minha vontade era mandar ele tomar no cu e sair dali na hora. Mas aí... veio o rosto da minha irmã na cabeça. A febre. Os olhos dela pedindo ajuda, mesmo sem dizer nada. Eu: – Eu não sou dessas, Pescoço. Eu tenho nome. Tenho família. – minha voz saiu baixa, mas firme. Pescoço: – Por isso mesmo que ele quer tu. Cobra enxerga as parada de longe. Não manda chamar qualquer uma. Bianca pigarreou. O clima tava pesado. Tenso. Ela nem olhava mais pra ele. Eu: – Quanto ele paga? A pergunta saiu antes mesmo de eu pensar. Só o silêncio respondeu. Pescoço puxou o celular do bolso, digitou qualquer coisa e mostrou a tela. Dez mil reais. Dinheiro vivo. Engoli seco. Dez mil conto. Dava pra comprar os remédios, botar comida em casa e ainda pagar as contas atrasadas da luz e da net. Eu: – Eu não tô dizendo que sim. Só que... vou pensar. Ele assentiu com a cabeça, os olhos firmes nos meus. Pescoço: – Te espero até sexta. Depois disso, é outra. E saiu, do mesmo jeito que veio. Sem olhar pra trás. Mas antes de sumir na viela, trocou um olhar rápido com Bianca. Silencioso. Quente. Ela abaixou o olhar, mas mordeu o lábio de leve. Silêncio. Eu: – Tu viu, né? – falei olhando pra ela. Bianca: – Cala a boca, Lorena. A noite caiu, e o som do morro continuou pulsando alto. Mas dentro de mim, só um barulho dominava: o da dúvida martelando sem parar. A noite caiu pesada no morro. Lá de baixo, o som do pancadão ainda estourava, misturado com os gritos do povo e a risada de alguma vizinha soltando piada na laje. A luz piscava no poste da frente, e o ventilador do meu quarto fazia mais barulho do que vento. Eu tava deitada na cama, de lado, com os olhos presos no teto rachado. Cada rachadura parecia um caminho torto pra lugar nenhum. Igual minha vida. Na outra cama, minha irmã tossia baixinho. A febre ainda queimava nela, mesmo com os panos molhados que minha mãe insistia em trocar de hora em hora. A testa dela brilhava de suor, os lábios secos. E aquilo doía em mim de um jeito que ninguém via. Me levantei devagar, em silêncio, e fui até a cozinha. O chão gelado grudava no pé. Peguei um copo d’água e encostei na pia. Minha mãe tava sentada no banquinho, com o corpo curvado, as mãos no rosto. Chorando baixinho. Eu: – Mãe.! O que aconteceu? Ela enxugou as lágrimas rápido, tentando disfarçar. Mas eu vi. Mãe: – Desculpa, filha. É só o cansaço. Amanhã a gente dá um jeito de comprar os remédios da sua irmã. Eu: – Que jeito, mãe? A farmácia não libera mais fiado. A luz vence semana que vem. E o Moacir... Mãe: – Não fala dele agora, por favor. Suspirei. Eu: – E se tivesse um jeito? De conseguir dinheiro rápido? Ela me olhou, confusa. Mãe: – Que jeito, Lorena? Eu: – Esquece. Esquece, mãe. Eu não consegui contar. Porque só de imaginar o nome “Cobra” saindo da minha boca, me dava um nó na garganta. Como que eu ia explicar aquilo pra ela? Subi pro quarto de novo. Bianca tinha ido embora fazia horas, mas antes de sair, me deu aquele abraço apertado e um olhar que dizia: “Eu te conheço. Sei o que tu tá pensando. E tô com medo disso.” Deitei de novo. O ventilador rangia. Fechei os olhos e tentei dormir. Mas ele apareceu. O rosto que eu só conhecia de foto. Alto. Forte. Tatuado. Aquele olhar escuro que parecia atravessar a gente. A voz rouca, grossa, com aquele sotaque carregado de gírias. O nome dele ecoava nos corredores do morro como um trovão. Cobra. Mesmo preso, era rei. Mandava mais que muito político solto. E agora... queria me ver. Queria me querer. Um homem como ele não pedia duas vezes. Um homem como ele tomava. E eu... eu tava ali, na beira de um precipício, tentando entender se pular era coragem ou burrice. Encostei a mão no peito da minha irmã. Queimava. E foi ali, naquele silêncio sujo de dor e barulho do morro ao fundo, que eu percebi: eu não tinha escolha. Mas aceitar... aceitar era diferente de se entregar. E se ele achava que ia mandar em mim, como manda no morro... ia se enganar bonito. Porque eu sou do Alemão, criada no barraco, feita na dor. Não sou qualquer uma. Sou tempestade. Sou Lorena. E se ele quiser brincar com fogo, que se prepare pra se queimar.

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