CAPÍTULO 18 DUDA NARRANDO Entrei no banheiro e fechei a porta devagar, como se aquele silêncio fosse um presente depois de um dia inteiro pesado. Girei o registro e a água demorou uns segundos pra esquentar, mas quando veio… veio como abraço. Encostei a testa na parede gelada e fechei os olhos. A água escorrendo pelo cabelo, levando junto o cansaço, a tensão, o medo que eu nem tinha percebido que tava segurando desde cedo. Lavei o rosto com calma, esfregando como se pudesse apagar tudo que doeu nos últimos tempos. O cheiro do sabonete simples, aquele de mercado mesmo, encheu o banheiro. Passei devagar pelos braços, pela barriga, pelas pernas doloridas de tanto andar. Cada gota parecia me lembrar que eu tava viva, de pé, seguindo. — Obrigada, Deus… — murmurei baixinho, quase sem perceb

