17- DUDA

1013 Palavras

CAPÍTULO 17 DUDA NARRANDO O ônibus demorou mais do que eu esperava. Fiquei ali no ponto, abraçada na bolsa, sentindo o peso do dia inteiro cair de uma vez só nas costas. Quando ele finalmente encostou, subi devagar, paguei a passagem e fui lá pro fundo, perto da janela. O banco duro, o vidro meio embaçado, o barulho do motor misturado com conversa alta, música vazando de fone barato… tudo tão normal que dava até um alívio. Era a minha realidade de sempre, tentando me lembrar disso. Encostei a testa no vidro e deixei o ônibus me levar. As luzes da rua passavam rápido, uma atrás da outra. Minha cabeça não parava. O Gabriel rindo. O abraço apertado. A promessa de voltar. O envelope na bolsa. Abri um pouco o zíper só pra conferir se o dinheiro ainda tava ali, como se pudesse evaporar. T

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