CAPÍTULO 21 DUDA NARRANDO O despertador tocou às seis em ponto. Aquele barulho fino e insistente cortou o silêncio do quarto e me arrancou do sono pesado. Abri os olhos devagar, ainda meio perdida, o ventilador rodando lento acima de mim, o corpo grudado no colchão como se pedisse mais cinco minutos. Mas não dava. Estiquei o braço, bati no celular e o som cessou. Fiquei alguns segundos encarando o teto, respirando fundo. O dia tinha começado. De verdade. Levantei com cuidado pra não fazer barulho e fui direto pro banheiro. A casa ainda tava silenciosa, aquele silêncio de manhã cedo que parece suspenso no ar. Liguei o chuveiro e esperei a água esquentar. Quando caiu morna nas costas, fechei os olhos e deixei escorrer. O sono foi indo embora aos poucos, junto com qualquer dúvida que a

