CAPÍTULO 1.

1550 Palavras
Morrigan Enterprise, Seattle, WA. ㅤ ㅤㅤALARIC SHEPPARD ㅤ Entreguei as chaves ao manobrista e caminhei calmamente pela calçada até adentrar o hall de entrada. O luxuoso prédio que chamava a atenção de quem passasse pela famosa avenida onde ele estava localizado era uma das pouca coisas com a qual eu me importava. O local era grande e amplo, uma construção antiga, mas que ao mesmo tempo passava uma imagem moderna e elegante. Éramos uma das empresas de moda mais importante dos Estados Unidos e estávamos prestes a inaugurar mais uma filial em outro país. Era um grande e importante passo que a Morrigan Enterprise estava dando, graças a mim. Meu nome é Alaric Sheppard e atualmente sou responsável pela presidência da empresa de minha família. Não só responsável por comandar toda aquela gente, eu tirei essa empresa do fundo do poço para qual ela estava indo graças ao meu irmão. Derick sempre foi um grande cuzão irresponsável, mas por algum motivo, nosso pai sempre o preferiu. Foi por isso que decidiu passar a presidência para ele quando se aposentou, mesmo eu sendo o melhor candidato para vaga. O favoritismo de Vicent pelo meu irmão quase nos levou a falência. Eu não podia permitir que a empresa que mamãe deu duro para construir e manter por longos anos fosse a ruína desse jeito, não podia deixar que o sonho dela fosse apagado de tal forma. Por isso, me reuni com o conselho, apresentei provas de que Derick nos levaria a falência, montei estratégias de vendas e ideias para o futuro comercial e para a expansão da Morrigan Enterprise além do nosso país mais uma vez. Todos já estavam cansados e preocupados com o que meu irmão estava fazendo, por isso, não demorou para que eu conseguisse o apoio de todos os acionistas. Embora minha mãe fosse dona das ações majoritárias, meu pai quem as controlava, já que mamãe estava doente. Mas quando nos reunimos com os nossos acionistas e eles se juntaram para votar em mim, acabou que ficou empatado, uma porcentagem das ações estava nas mãos do meu irmão e na minha, e como meu voto era nulo dada a situação na qual eu me encontrava, o futuro da empresa estava nas mãos de Derick novamente, já que ele tinha a porcentagem considerável e necessária para desempatar aquele impasse. — Derick, você sabe mais do que ninguém que não está capacitado para comandar aquela empresa! — E quem está, irmãozinho? Você?! — ele me olhava com desdém, mas lá no fundo sabia que era verdade. Eu era a melhor opção que nós tínhamos. Mamãe tinha me criado para aquilo. — O que você quer, Derick? Dinheiro? Posso conseguir para você, a quantia que julgar necessário. Ele hesitou. Parou a poucos centímetros da mesa do escritório e me encarou por longos segundos. — Quero ir embora. Para longe disso tudo. Longe de você, longe dos negócios, longe do... — Derick não prosseguiu, mas eu sabia de quem ele falava. Apenas assenti. Quando nos reunimos com o conselho e Vicent mais tarde, naquele mesmo dia, Derick, enfim, deu sua resposta. Passou a presidência para mim e saiu da sala sem ao menos notar o olhar de desgosto e tristeza do nosso pai. Meu irmão foi embora no mesmo dia e meu pai me culpava por tudo o que tinha acontecido naquela reunião. Nossa relação nunca foi boa, mas agora estava ainda pior. Ele me odiava. Nunca me agradeceu por salvar a empresa, nunca agradeceu por nos salvar. Antes de tudo isso eu era cirurgião. Não por amor, mas para conseguir a aprovação de meu pai. O que eu sempre quis foi poder comandar nossas empresas junto de minha mãe. Acabei esquecendo esse sonho quando vi oportunidade de, pelo menos uma vez, conseguir agradar aquele homem. Mas o sonho dele de ter um filho cirurgião era todo para Derick. Quando passei em Harvard, o desejo dele mudou e agora ele tinha decidido que queria um filho assumindo seu posto como CEO da nossa empresa. Achei que ele me consideraria para o cargo, passei metade da minha vida treinando para aquilo. Se minha mãe estivesse sã, duvido que não teria brigado e exigido por opções melhores. Embora tenha me criado para um dia assumir seu lugar, com o tempo sua saúde foi piorando e por algum motivo, ela deixou meu pai à par de tudo, de todos os nossos bens e, consequentemente, responsável pelas ações da Morrigan. — Com licença... — Fui tirado de meus pensamentos ao ouvir a voz da minha secretária. — Tenho aqui algumas fichas dos candidatos a vaga para o senhor analisar. Alicia Martinez tinha descendência brasileira por parte de mãe. E sem dúvida, era uma das mais quentes que eu havia conhecido. Trabalhava comigo a bastante tempo e não só era eficiente no que fazia, como em outras coisas também. Eu não costumava me envolver com funcionários, mas essa em questão, fazia de tudo para me conquistar, não que desse certo, mas era bom ter alguém por perto sempre que eu quisesse um bom sexo fácil. Encarei a morena a minha frente, assentindo levemente, indicando que deixasse as fichas em cima da minha mesa. — A fábrica no Brasil já deu uma resposta a respeito da minha proposta? — Peguei os papéis e os li brevemente. Nenhum era qualificado o bastante. Todos eram estadunidenses achando que conheciam o suficiente da língua portuguesa. — Não. Estive checando os emails desde ontem. Nada ainda. — assenti, voltando minha atenção para o computador a minha frente. Uma notificação em especial chamou minha atenção. Alicia prosseguiu, com o tom mais sensual que ela usava para conseguir o que queria de mim — Deseja mais alguma coisa, senhor? Eu posso trazer, qualquer coisa. — Desejo que saia, Alicia. Pude ouvir o suspiro desapontado da mesma quando ela se virou e saiu da minha sala, mas naquele momento eu não tinha cabeça para pensar em alicia, minha atenção estava toda concentrada no site a minha frente, mais especificamente, na mensagem que tinha acabado de receber. @laibaby: tô online só para você, vem me vê ;) Não podia acreditar que depois de muito insistir — e gastar muito, muito dinheiro — ela finalmente tinha aceitado meu convite para participar de uma secretroom comigo. Quase contra minha vontade, num gesto desesperado, a seta do mouse se moveu e parou em cima da breve mensagem de aceitar convite. Hesitei por um momento. Era loucura que um homem como eu estivesse praticamente aos pés de uma mulher que ele sequer viu o rosto, mas ali estava, prestes a aceitar o convite da estranha e descobrir o que a travessa camgirl tinha planejado para nós dois. — Oi rick! — como de costume, a câmera mostrava apenas o seu b***o. Não respondi nada, apenas encarei parte do corpo da mulher — achei que não viria. Estava em duvida do que responder. Meus dedos de moveram, quase que por conta própria, digitando uma mensagem curta no chat. rickspd: hesitei por alguns instantes. — não vai falar comigo? rickspd: eu estou falando com você. — pelo microfone, rick, achei que tínhamos i********e o suficiente para isso! rickspd: se não temos i********e para que você possa me mostrar seu rosto, não temos i********e para você ouvir minha voz. rickspd: de novo... Ela levou a mão até o peito, num gesto dramatico de quem tinha ficado magoada. Pude sua risada, que por algum motivo parecia abafada. — Estou redondamente magoada. Achei que fossemos amigos. — Lai ficou em silêncio por alguns segundos, ela suspirou antes de, enfim, continuar falando. — não te chamei aqui para ficarmos batendo papo. Chamei porque quero dizer e mostrar algo importante. rickspd: pode começar se mostrando, caso queira. Ela riu. — Não tem um jeito fácil de dizer isso, mas... Estou oficialmente rompendo nossos compromissos. — por algum motivo, eu tinha ficado chateado. Embora estivesse rindo a pouco, Lai não parecia estar brincando agora. Apenas mandei um ponto de interrogação. — eu não posso continuar com nossas conversas, todo esse tempo tenho mentido para você. E agora, acho que é a hora de contar a verdade. rickspd: ... Ela riu novamente e se ajeitou em frente a câmera. Devagar, a imagem foi se afastando e aos poucos eu ia vendo o restante do cenário tão conhecido por mim — e por muitos outros usuários — Lai me deu a visão da pele bronzeada acima de sua clavícula. Uma pequena gargantilha com pingente de borboleta reluzia sob seu pescoço. Ela afastou a imagem da webcam ainda mais e me mostrou o que eu tanto pedia. E eu não podia acreditar no que estava vendo. Laibaby decidiu que uma pegadinha a essa altura do campeonato seria engraçado. A morena tinha o rosto coberto por uma máscara completamente preta. rickspd: não tem graça. Batidas na porta tiraram a minha atenção da tela a minha frente. Levantei os olhos, observando o rosto de Alicia. — Os acionistas chegaram para reunião. Assenti brevemente e voltei a encarar a tela. Ela ainda estava lá, com um sorriso quase m*****o nos lábios. — O dever o chama. — disse calma. — mas isso ainda não acabou. Fechei a sala sem dar tchau, esperando que, de fato, aquilo ainda não tivesse acabado.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR