Pré-visualização gratuita Capítulo 1
- Mia! – A porta da sala se abriu num rompante – Mia, por que você autorizou a publicação dos outdoors dessa revista? – Um homem de meia idade muito alterado entrou com papéis em mãos.
- Porque esse é o meu trabalho, Kevin. É o que eu faço aqui. Eu autorizo, desautorizo, aprovo e desaprovo. Simplificando, eu mando aqui. – Ela permanecia calma, sentada em sua confortável poltrona o observando.
- Mia, você não pode tomar esse tipo de decisão sem a aprovação do Conselho! Você não é a única dona dessa empresa!
- Kevin, eu não sou a única dona, mas sou a Diretora Executiva e maior acionista. Os contratos já estavam validados, não havia por que cancelar.
- Não havia porquê?! Mia, essa revista já cancelou um contrato com a nossa empresa por motivos torpes e assinou com a nossa maior concorrente! Isso é motivo suficiente para cancelar toda e qualquer campanha com essa empresa.
- Kevin Foster Segundo, não surta! O tempo e dinheiro que gastaríamos com o cancelamento e possíveis multas eu passei aprovando uma campanha brilhante. A mídia londrina inteira já sabe dessa história. O que todos esperam é que não nos empenhemos nessa última campanha. Mas faremos o contrário. Será nossa melhor campanha, Kevin! Toda a mídia está em cima de nós por conta dessa “treta”. – Ela disse fazendo aspas no ar – O marketing gratuito que ganharemos não pode ser desperdiçado.
- Sabe o que me irrita, Mia? O fato de você tomar decisões, achar que pode mandar e desmandar quando bem entende. Eu sou o seu irmão e também o dono de parte disso tudo aqui, não se esqueça disso, Mia. Não se esqueça disso!
Da mesma forma que entrou ele saiu, batendo a porta com força. Já Mia permanecia sentada tranquilamente em sua poltrona, do mesmo jeito que esteve durante toda a conversa.
***
George abriu a porta de entrada com um guarda-chuva na mão, tentando proteger Steven e a caixa de cachorrinhos a qual ela segurava.
Os cachorrinhos latiam e choravam dentro da caixa coberta pelo blazer. Todos no saguão observavam a cena com estranheza.
- Bom dia, Susan – disse Steven, colocando a caixa em cima do balcão na recepção.
- Bom dia, senhor Harris.
- Susan, por favor, ligue para o Centro de Zoonoses e para uma Instituição de adoção de animais abandonados. – disse mostrando a caixa de papelão em sua frente – Peça para buscarem estes cachorrinhos. Diga que foram encontrados a algumas quadras daqui e que podem ser colocados para adoção, caso seja possível.
- Sim, senhor. – Susan disse espantada com o barulho que os cachorrinhos faziam dentro da caixa.
Steven retirou seu blazer da caixa e deu mais uma olhadela com ternura para os cachorrinhos. Estavam encharcados pela chuva, assim como ele. Em seguida saiu em direção ao elevador sendo observado por alguns que passavam por ali.
Parou no último andar olhando para o seu relógio.
- Droga! Faltam dois minutos para a reunião e eu estou encharcado!
Saiu apressado até a sala de sua chefe e mais uma vez notou que todos a observavam, alguns pareciam até achar graça.
“Mas o que é que...?” – pensou.
Adentrou o grande hall de entrada para a sala onde trabalhava e cumprimentou a secretária que também parecia espantada.
- Bom dia, Beth.
- Bom dia senhor, Harris. – Ela respondeu sem tirar os olhos do rapaz que passou apressadamente.
- Com licença. – disse adentrando a sala – Bom dia, Mia.
- Bom dia, Stev...
Mia interrompeu sua fala quando olhou para Steven.
- Nossa! O que houve com você, Steven?
- A chuva me pegou de surpresa – Disse sem jeito.
- Mas como? – Levantou-se de sua cadeira e caminhou até o jovem – O George não foi te buscar?
- Sim, ele foi. Mas houve um imprevisto no caminho e eu acabei me molhando. Mas não se preocupe, eu já vou ligar para...
- Não temos tempo, – Steven foi interrompido – a reunião já deve começar e eu preciso de você ao meu lado, Steven. Precisa se secar.
Mia foi até a porta e pediu toalhas e uma camisa reserva à sua secretária, em caráter de urgência.
Quando se voltou para Steven a observou por alguns segundos e soltou um sorriso
sutil.
- O que foi? Por que está rindo? – Steven perguntou sem jeito e um pouco irritado – Desde que eu cheguei todos estão rindo, tem algo de errado comigo?
Antes que pudesse obter resposta a secretária adentrou a sala com as toalhas.
- Com licença. Aqui estão as toalhas e a camisa, senhorita.
- Obrigada, Beth. – Steven agradeceu.
Steven começou a se enxugar sendo observado por Mia.
- Steven... – Começou a chefe.
- Sim?
- Você tem malhado ultimamente?
- Eu? – disse surpreso – Não. Já malhei, mas hoje só tento me cuidar. Não tenho tempo para malhar, você me consome todo o tempo.
Ao olhar para Mia percebeu que sua chefe, apesar do sorriso nos lábios, tinha uma sobrancelha arqueada em sinal de confusão.
- Digo, – disse sem jeito – você consome todo o meu tempo, não você, o trabalho. Quer dizer...
- Sim, eu já entendi, Steven. – disse sorrindo – Agora vamos, você precisa se apressar. Troque essa blusa, está muito molhado.
Steven arregalou os olhos ao ver que a chefe não sairia da sala.
Só então Steven percebeu que a blusa branca encharcada ficou transparente e colada ao seu corpo. Todos na empresa, desde o saguão até a sua sala no último andar haviam visto o seu corpo musculoso atrás da transparência. O rapaz ruborizou sob o olhar intenso de Mia. E mais ainda ao se despir, desabotoando botão por botão na frente de sua chefe, que a observava atentamente e com humor no olhar.
Após se vestir e arrumar os cabelos molhados, os dois partiram apressados para a sala de reuniões.
***
- Senhor Johnson, não vejo por que alterar o contrato de fornecimento uma vez que temos atendido todas as exigências nele contidas e há reciprocidade no cumprimento do mesmo. – disse Mia.
- Senhorita Foster, com as novas tarifas e tributos alterados recentemente vejo a necessidade de fazer essas alterações para atendê-los melhor e para que possamos manter a qualidade de nossos serviços.
- Não vejo por que acatar essa solicitação. Estamos dando voltas e mais voltas e o senhor não me convenceu de que essas mudanças sejam realmente necessárias.
- Senhorita Foster...
- Senhor Johnson, – Steven interrompeu – mudanças no contrato são possíveis apenas a partir de um ano, no mínimo, ou a partir do vencimento do mesmo. Isso em caso de renovação. As cláusulas são bem claras quanto a isso. O senhor deveria ter colocado essas possíveis necessidades em pauta quando o contrato foi assinado. Não vejo por que aceitar, tendo em vista que não será relevante para nós, apenas para o senhor e a sua empresa. Eu sugiro que se atente melhor aos seus negócios porque nós estamos atentos aos nossos.
- Bem, se isso é tudo, agradeço aos senhores. – Mia sorriu satisfeita e se levantou.
- Eu não sabia que a senhorita deixa decisões importantes nas mãos de funcionários - Johnson disse se levantando.
Mia abriu um belo e irônico sorriso.
- Senhor Johnson, – disse ela – as decisões relacionadas à minha empresa são minhas. A relevância dessa decisão a qual o senhor se refere não se aplica a mim e à minha empresa. Mas respondendo à sua pergunta, o trabalho do senhor Harris é muito relevante aqui, não é à toa que ele é a meu assistente executivo e advogado. Ele justamente faz o trabalho que é pago para fazer, que é tomar conta e analisar as minhas decisões para que eu não cometa nenhum erro e não solicite futuras modificações nos contratos firmados com meus fornecedores. Agora se me permite...
Os dois por fim deixaram a sala com a mesma classe que entraram.
***
- Temos meia hora antes da conferência, Steven. – disse Mia.
- Sim, as apresentações já estão preparadas. Você as recebeu por e-mail ontem à noite? – Steven disse enquanto ajeitava o monitor direcionando à tela de apresentações.
- Sim. E por sinal era tarde da noite. Por que anda trabalhando até essa hora?
- Não era tão tarde e eu precisava enviá-las para que você pudesse se preparar.
- Era tarde para você estar trabalhando, Steven.
Steven a observou por uns instantes como quem quisesse protestar, mas achou mais prudente não culpar sua chefe pelo excesso de trabalho.
De repente a porta da sala de conferências foi aberta rapidamente e sem cerimônias.
- Senhorita Foster, perdão. – disse a secretária em tom de aflição – Temos um probleminha no saguão.
- O que houve, Beth? – Perguntou Mia.
- Senhor Harris, houve um acidente com aquela encomenda que o senhor deixou na recepção hoje de manhã. – disse tentando disfarçar sua preocupação.
Steven arregalou os olhos e caminhou até Beth.
- Problema? Que problema, Beth? – disse quase num sussurro.
- Acho melhor o senhor me acompanhar, por favor.
Steven saiu apressado atrás da secretária e logo foi seguida por Mia.
Desceram no elevador aflitos enquanto Mia mantinha seu olhar intrigado sobre os
dois.
Poucos passos fora do elevador e os três pararam observando perplexas a imagem à frente.
- Ai meu Deus! – Steven tinha os olhos arregalados.
- Mas o que significa isso? – Mia parecia indignada.
Steven pôs as mãos sobre a boca sem conseguir dizer uma palavra. Tudo que se ouvia eram latidos de cachorrinhos. Todos espalhados pelo saguão, correndo de um lado para o outro, tropeçando entre os móveis e algumas pessoas que passavam pelo local.
Susan estava ao telefone tentando desesperadamente contatar o centro de Zoonoses.
- Beth, o que aconteceu aqui? Será que pode me explicar? – Mia perguntou exasperada.
Beth olhou receosa para Steven.
- Me parece que a Susan estava com uma caixa com esses cachorrinhos na recepção, senhorita Foster.
Mia partiu em direção à bancada da recepção a passos largos. Susan que tinha o telefone na orelha a olhou quase em desespero.
- Susan! Pode me explicar o que está acontecendo aqui? Antes que pudesse se explicar Steven interveio.
- Mia, a culpa é toda minha.
- O que? – disse desacreditando – Explique-se, Steven!
- Bem, é uma longa história. Deixe-me resolver esse problema primeiro.
- Você tem quinze minutos. – disse olhando para o relógio em seu braço enquanto retornava ao elevador.
Steven pediu para que Susan ligasse imediatamente para o Centro de Zoonoses enquanto ela mesma corria atrás dos cachorrinhos saltitantes na tentativa de levá-los de volta à caixa.
Após resgatar seis dos sete cachorrinhos, sob os olhares curiosos dos que passavam por ali, Steven já sentia o suor escorrer por suas costas.
- Onde será que foi parar o último? – disse a si mesmo enquanto observava ao redor do saguão.
Ouviu latidos vindos de um vaso ao lado de uma das poltronas que decoravam o salão.
- Aí está você! – disse olhando para dentro do vaso.
Ao colocar o braço para resgatar o filhote ouviu um latido forte, sentiu as patinhas do cachorrinho agarrarem seu pulso e os dentinhos cravarem em sua mão.
- Ai! – deu um grito abafado retirando sua mão depressa.
Assustou-se ao ver o sangue escorrendo pela ferida, mas ao ouvir o cachorrinho latir novamente pôs as mãos dentro do vaso e capturou o bichinho.
- Cachorrinho mau! – Exclamou o segurando de frente para o seu rosto.
Após resgatar todos os cachorrinhos e ter certeza de que os agentes do centro de zoonoses estavam a caminho, Steven foi até o banheiro, onde lavou os ferimentos e tapou com um curativo adesivo e correu para a sala de reuniões onde aconteceria a conferência.
- Até que enfim! – Mia a aguardava impaciente.
- Me desculpe, tive uns imprevistos.
- Outra hora você me explica esses imprevistos, agora temos uma reunião para iniciar.
A conferência seguia amena enquanto Mia debatia com os investidores americanos. Steven tomava nota em seu notebook do que era falado e vez ou outra movimentava seus dedos da mão direita demonstrando desconforto. Foi quando Mia percebeu o curativo na palma de sua mão encharcado de sangue. Ela arregalou os olhos e fez sinal para Steven que se assustou ao perceber.
Mia tratou de terminar a conferência o mais rápido que pôde, se desculpando por deixar alguns assuntos pendentes, alegando um imprevisto urgente.
- Eu agradeço a compreensão dos senhores. – disse Mia sob o olhar espantado e curioso de Steven – Realmente é um imprevisto muito urgente. Assim que possível marcarei outra conferência para resolvermos as pendências. Tenham um bom dia.
Finalizou desligando o monitor.
- Steven, o que foi isso na sua mão? – disse Caminhando até ele e segurando sua mão machucada.
- Não foi nada, Mia. – O rapaz disse sem jeito, puxando a mão de volta – Um dos cachorrinhos me mordeu.
- O que? E você só me diz isso agora? Você deveria ter ido à um hospital, Steven!
- Não foi tão grave assim, não precisa se preocupar.
- Sua mão está encharcada de sangue! – disse apontando para o sangue que já escorria pelos seus dedos.
Steven olhou assustado.
- Venha – disse segurando o rapaz pelo braço – Nós vamos até um hospital, já!
***
- Prontinho. – disse a jovem enfermeira que atendeu Steven, segurando sua mão já remediada e enfaixada – Agora tome mais cuidado com os cachorrinhos que o senhor brinca. Alguns cachorrinhos são inofensivos e fazem até um carinho, só precisa escolher direitinho com quem brincar.
A enfermeira olhava fixamente para Steven, que por sua vez tinha os olhos semicerrados em confusão.
Ao observar a cena, Mia, que estava de pé logo atrás com os braços cruzados, revirou os olhos desacreditando no que acabara de ouvir.
- Ok! – disse em um tom suavemente grosseiro – Se a senhora já terminou... - Segurou no braço de Steven a ajudando a descer da maca.
- Senhor Steven, se precisar de algo ou se você se sentir m*l pode me ligar. – Estendeu a mão entregando a receita que prescrevia os remédios que Steven precisaria tomar – A qualquer hora do dia ou da noite, sempre que precisar.
Mia a fitou com uma sobrancelha arqueada enquanto Steven lhe deu um meio sorriso pegando a receita.
- Obrigado. – disse observando o verso da receita onde havia escrito um número de celular.
*
- Eu não acredito que aquela enfermeira estava dando em cima de você – disse Mia quando já estavam dentro do carro.
- O que? – Steven arregalou os olhos – Não... Dando em cima de mim?
- Ela estava te comendo com os olhos, Steven!
- Ela só estava sendo gentil, Mia.
- Gentil? – soltou uma risada sarcástica – Sou mulher, Steven... Aquilo não é gentileza. Enfim, aquela enfermeira não é uma profissional. Antiética. Flertando com pacientes no local de trabalho, francamente.
Steven sorria achando graça do tom indignado de Mia. E assim que abriu a boca para protestar foi interrompido.
- George, por favor, vá para o condomínio do senhor Harris.
- Sim, senhorita Foster – disse o motorista olhando pelo retrovisor.
- Para minha casa?
- Sim. Você não trabalha mais por hoje.
- Mia, nós teremos a reunião com o Conselho hoje à tarde. Não posso ir para casa.
- Eu sei lidar com o Conselho, Steven. Você está de atestado médico, não pode trabalhar nessas condições.
- Eu estou ótimo, Mia! Foi só uma mordida de um cachorrinho, um filhote!
- Não discuta comigo. Tenho certeza que a senhora enfermeira concordaria comigo, até viria cuidar de você pessoalmente se fosse possível – disse com ironia.
- Mia...
- Está decidido! Isso é uma ordem, eu sou sua chefe e estou dispensando você por hoje. E não discuta comigo, você sabe que eu odeio que me contrariem.
O resto do caminho até a casa de Steven foi silencioso.
- George, – disse Mia enquanto o motorista abria a sua porta – vá até a farmácia e compre os remédios que o senhor Harris precisa.
- Não é necessário, George, obrigado. Eu mesmo posso ir até lá comprá-los. – disse olhando desafiadoramente para Mia.
- Steven... – Mia o repreendeu demonstrando impaciência.
Steven, que ainda tinha a receita em mãos, a fitava sem desviar os olhos.
- Ok... – respirou fundo – George. – Mia disse acenando a cabeça na direção de Steven.
George foi até ele com cautela e o observou. A diferença de altura entre os dois não era relevante.
- Senhor Harris, me desculpe. – disse olhando – Com licença. – Tomou a receita de suas mãos.
Steven não se atreveu a protestar. Observou o homem de cabelos castanhos entrar no carro e partir, e logo se atentou para Mia que a fitava com seriedade.
- Nós não estamos na empresa e aqui você não é minha chefe, só para te lembrar – Steven disse entrando pela porta de sua casa sendo seguida por Mia.
- Sim, eu sei.
- Quer beber algo?
- Não, obrigada. Você devia descansar um pouco.
- Eu estou bem. Sente-se, fique à vontade. Não estamos na empresa, mas sinta-se em casa. – Steven disse dando as costas para a morena.
*
Foi em direção à área de serviço retirando a blusa que a secretária de Mia havia providenciado para que ele vestisse e a colocou na máquina de lavar.
Mia, que estava sentada no sofá mexendo em seu celular, observou um vulto passar em direção à cozinha e ficou surpresa ao ver Steven sem camisa. Ouviu o barulho de uma garrafa em contato com um copo e partiu para a cozinha.
Ao chegar à porta da cozinha parou surpresa com a cena que via. Steven estava recostado à beira da pia apoiando-se com a mão enfaixada, a outra mão segurava uma taça com o vinho da garrafa que estava ao seu lado. Ele estava com a cabeça baixa enquanto parecia relaxar com aquele momento.
Mia não conseguiu se pronunciar por alguns instantes. Observava cada detalhe de Steven. O peitoral definido, os braços fortes...
“Nossa!”. – Pensou.
Ao perceber que estava sendo observado, Steven levantou sua cabeça e ajeitou sua postura. Mia saiu de seu transe e logo arqueou uma sobrancelha em tom de reprovação.
- O que pensa que está fazendo? Steven cruzou os braços instintivamente.
- Vinho. Quer? – a olhou sem jeito.
- Não, eu não quero vinho e o senhor também não deveria. Acabou de sair do hospital onde tomou duas injeções antirrábicas e está ingerindo álcool?!
- Eu não ouvi a enfermeira me restringir nada. – Steven disse terminando o seu vinho em um gole só.
- É claro que ela não fez isso. Estava preocupada demais flertando com você. Steven soltou uma risada sarcástica e depositou sua taça na pia.
- Ela não estava flertando comigo, Mia, e se tivesse, qual o problema?
- Qual o problema? Ele não é pago para dar em cima de pacientes. Ela é paga para cuidar da saúde das pessoas, da sua saúde no caso. E se ela fizesse algo de errado por prestar mais atenção nos seus músculos do que no seu ferimento? Teríamos um problema, Steven. – Mia se mantinha calma, mas sua irritação era visível.
Steven saiu em direção à sala.
- Nós temos um problema. Sabe qual o problema, senhorita Foster? O problema é que você quer controlar tudo. Até mesmo o que não tem poder para controlar. Mas sabe de uma coisa? Você pode fazer o que quiser na sua empresa, mas aqui na minha casa, não. Na minha vida, não! – Steven estava alterado e com raiva – Se eu quiser sair com a enfermeira que estava me cantando eu vou sair. Se eu quiser encher a cara e ir trabalhar de ressaca amanhã eu vou fazer isso. Porquê da minha vida cuido eu!
- Ah, agora você admite que estava sendo cantado! – Mia sorriu ironicamente. – Sabe de uma coisa, Steven? Você tem razão. – Dizia enquanto se aproximava do rapaz. – Eu não mando na sua vida, nem na sua casa e nem no que você faz ou deixa de fazer. Eu estive todo esse tempo tentando ser uma boa chefe, cuidar de você porque você é o meu braço direito na empresa. Mas você tem razão, na sua vida particular eu não mando. Então faça o que bem entender, se quiser sair com a enfermeira, saia! Se quiser encher a cara e atrapalhar o efeito dos remédios, vá em frente. Faça como bem entender.
Ao terminar estavam tão próximos o suficiente para sentirem a respiração um do outro.
- Ótimo! – disse Steven olhando nos olhos de Mia.
- Ótimo! – Mia retrucou já perdendo seu olhar nos lábios de Steven.
Entreolhares que oscilavam entre seus olhos e bocas, Mia respirava em descompasso, enquanto Steven já não respirava. Até que a campainha foi ouvida, interrompendo o momento.
Mia se afastou rapidamente dando as costas para Steven, que por sua vez foi abrir a porta.
- Aqui estão seus remédios, senhor. – George entrega uma sacola com os remédios.
- Obrigado, George. – Ele assentiu e se retirou.
- Preciso voltar para a empresa. Cuide-se, Steven, já que não precisa que ninguém cuide de você.
Steven não teve tempo de retrucar.
- Amanhã não precisa ir trabalhar caso não esteja se sentindo bem. É sexta-feira e o dia será tranquilo. Se precisar de algo, me avise. Até mais.
- Até. E obrigao. Me desculpe pelo que eu disse, é... eu me exaltei.
- Não se preocupe. Imagino que as injeções antirrábicas que tomou fizeram efeito contrário e por isso vou relevar. – disse em seu tom sarcástico habitual.
***