Entrei em meu carro, era um corolla preto e segui para o famoso Pub Sancho Panza. Estacionei e fiquei olhando aquele pub criando coragem para entrar. Respirei fundo, parei de enrolar e saí do carro.
Entrei no pub e tocava uma música boa, o local ainda não estava cheio, talvez por ser uma segunda-feira. Meus olhos encontraram com Jhonny e Amanda sentados em volta da mesa do pub, Eles bebiam uns choops e eu me preparei para encenar.
Me aproximei um pouco nervoso, os olhos azuis de Amanda encontraram os meus olhos e semblante dela caiu.
- Jhonny? Que coincidência! - Odiava fingir encenação, mas era por uma boa causa.
- Nicolás!? Não sabia que você estava por aqui! Se junte a nós. - Percebi os olhos da Amanda encarar seu irmão irritada. Não me importei e sentei ao lado do Jhonny.
- Jhonny eu..
- Só um minuto! Preciso ir ao banheiro. - Jhonny interrompeu sua irmã se levantando fingindo estar apertado e apressou seus passos em direção ao banheiro.
Olhei Amanda e ela parecia tensa encarando sua cerveja.
- Você está bem? - Tomei a iniciativa.
- Não. Você está aqui. - Finalmente ela voltou a olhar nos meus olhos.
- Eu sinto muito por ontem Amanda. Não queria ser invasivo.
- Ótimo! - Ela respondeu um pouco seca e voltou a beber seu choop. Percebi o braço dela com cicatrizes.
- Eu não sou como o meu pai. - Falei em fio de voz e consegui sua atenção novamente.
- Eu não quero ouvir sua voz! Será que é possível? - Ela se irritou.
- Tudo bem. - procurei não ser invasivo. Minha intenção não era incomodar ela.
Fiquei calado olhando para a mesa e percebi ela me encarar com os braços cruzados, olhei para ela e forcei um sorriso, ela suspirou irritada colocando a mecha do seu cabelo atrás da orelha. Ela ficava muito charmosa mexendo nos cabelos!
- Eu estou tão irritado! Ontem recebi uma notícia desagradável! - Joguei um verde e percebi seus olhos curiosos. Coloquei meus braços cruzados na mesa e deixei meu semblante caído. Ela ficou em silêncio mas depois de um tempo ela não aguentou segurar sua curiosidade.
- Que notícia? - Ela perguntou seca.
- Meu pai quer fechar o leilão do meu casamento. Eu não quero me casar!
- Leilão? - Vitória! Atraí sua atenção.
- Sim. Nasci e fui criado para um único propósito, para dar dinheiro para a máfia dos meus pais, eles anunciaram o leilão quando eu tinha 15 anos de idade e sempre se divertiam com o desespero dos magnatas. - Amanda descruzou os braços e me olhou mais curiosa.
- E por que você permite? - Ela perguntou incomodada. Bufei e levantei as sobrancelhas.
- Se eu pudesse... Mas não tenho escolhas, apenas obrigações.
- Por isso eu odeio esses negócios de máfia! Isso não existe, eles se sentem melhores do que os outros e ainda acham que podem mandar na vida das pessoas. - Amanda carregava raiva em sua voz.
- Fala não... Hoje precisei almoçar arroz integral e odeeio arroz integral! Eles estão me obrigando a fazer uma dieta para ficar mais apresentável para a futura noiva.
- Que absurdo! - Falamos em coro e por um segundo percebi querer vazar de seus lábios um pequeno e sorriso mas ela não abaixou a guarda e voltou a ficar séria.
Jhonny voltou e sentou ao meu lado.
- Quer pedir alguma coisa? - Jhonny Perguntou tomando seu choop. Olhei para trás e não vi ninguém me vigiando...
Me levantei, fui até a atendente e sorri.
- Gostaria de pedir uma porção de batatas fritas. - Pedi sentindo muita fome. Ela passou o pedido para a cozinha e voltei para a mesa deles ansioso para comer.
- Nicolás... Fiquei sabendo que seu pai pretende encerrar o leilão. - Jhonny comentou estudando minha expressão, aposto que ele notou a tristeza em meus olhos, respirei fundo e pigarreei para falar.
- Sim. Isso é r**m muito r**m! - Senti meus olhos ficarem úmidos com aquela conversa.
- Pode ser que você se apaixone por essa tal noiva. - Olhei Amanda em minha frente e ela não me olhava com raiva, pelo menos não mais...
- Talvez. - Falei com um fio de voz.
Fiquei aliviado quando a garçonete colocou a porção de batatas fritas em minha frente.
Ela saiu e Jhonny roubou uma batata e mastigou sorrindo. Iria fazer o mesmo, mas fui interrompido quando um homem alto provavelmente um dos capangas do meu pai. Ele empurrou com força o prato de batata frita no chão o. quebrando e me encarou irritado.
- Já foi avisado sobre sua dieta Nicolás, vou deixar essa lista do que você pode comer e na próxima não será uma conversa saudável! Quem exige essa dieta é o seu futuro sogro e ele já avisou que se você quebrar as regras podemos te castigar. - Eu perdi a fala e olhei Amanda que olhava aquele homem totalmente assustada.
- Não precisa ser assim. - Abaixei e ajudei a garçonete a catar o prato quebrado e as batatas.
- O recado está dado! - Ele apontou para mim e saiu. Eu sentia vergonha, meu rosto adormeceu ao saber que Amanda e Jhonny assistiram aquela opressão. Eu estava acostumado... Mas não queria que acontecesse em público. Depois que ajudei a garçonete eu não tinha mais cara para ficar com eles, os dois me olhavam sentindo pena.
Forcei um sorriso fingindo que aquilo não me atingiu.
- E-eu vou voltar para a fazenda. Preciso dormir cedo, amanhã o trabalho será puxado demais... Tenha uma boa noite para vocês. - Forcei um sorriso e saí do pub quase correndo constrangido com os olhares de todos que estavam alí. Entrei em meu carro e dirigi, comecei a chorar... Meu peito queimava e sentia que eu não iria ser feliz em nenhum momento da minha vida. Acelerei o carro, queria tanto ter coragem de simplesmente jogar meu carro contra um muro e acabar com tudo isso logo. Acabaria com a graça dos meus pais! Mas eu era um covarde e tinha medo da morte... Sequei meus olhos procurando não pensar mais na minha tristeza