Naquela noite eu não consegui dormir muito bem.
Primeiro porque meus pensamentos não paravam de repetir a voz do meu pai afirmando querer fechar o leilão, e outra coisa era Amanda. Ela não saía dos meus pensamentos! Queria pode ajudá-la de alguma forma. Eu não sabia como, mas eu queria! Eu estava determinado a me aproximar mais dela.
Me levantei mesmo ainda me sentindo cansado e saí do meu quarto de luxo. Sim, o meu quarto era o quarto mais luxuoso e maior do que qualquer um... Eu não me importava com tanto luxo e regalias. Mas era decisão do meu pai, ele queria que eu fosse tratado como um rei pelo chefe Maurício, mas eu gostava do oposto. Sempre gostei da simplicidade, e amizade para mim já era o mais importante!
Eu estava faminto e passei pelo corredor longo onde tinha alguns quadros na parede branca e o chão era de piso de mármore. Entrei na cozinha e peguei uma maçã na fruteira, abocanhei antes de me sentar a mesa que já estava pronta para o café da manhã. Fui até a cozinheira antiga da fazenda, ela era gordinha e baixinha, mas e eu gostava muito dela, ela era dona deum carisma, parecia uma de mãezona, me tratava como um filho, 3la era a mãe que eu nunca tive.
- Bom dia! - Beijei sua bochecha de surpresa lhe fazendo rir.
- Nicolás, Nicolás... Tome seu café da manhã rapaz. Seu pai deixou avisado que você precisa comer proteínas e grãos de aveia na parte da manhã.
- Agora ele quer monitorar meu café da manhã? - Perguntei incomodado.
- Almoço também! Quer selecionar a comida ideal para o seu corpo estar apresentável para sua noiva na lua de mel. - Mais uma sensação r**m tomou conta de mim ao imaginar me casando com uma desconhecida.
- Pois hoje estou sem fome. - Respondi pronto para desobedecer as regras do meu pai. Patrine, a cozinheira me olhou preocupada, eu sorri lhe mostrando a maçã mordida e saí do casarão.
Passei a tarde com os capangas trabalhando pesado na fazenda e na hora do almoço meu estômago literalmente gritava! Eu estava faminto e larguei, enchada e segui para o casarão direto para a cozinha. Eu olhei as comidas prontas, todas feitas no fogão a lenha, tinha couve refogado, um apetitoso frango com batatas e o arroz estava tomados por brócolis.
Sorri com vontade de pegar um pedaço da batata e quando eu ia pegar, Patrine a cozinheira deu um tapa em minha mão, eu a olhei surpreso.
- Não posso? - Perguntei constrangido, afinal eu tinha costumes de beliscar a comida antes de almoçar.
- Não. Sua comida já está na mesa. - Ela respondeu sem olhar para mim. Eu poderia jurar que a sensação que ela passava era de pena.
- Tudo bem. - Amarrei meus cabelos e me sentei na cadeira, olhei o meu prato com o semblante totalmente caído.
Havia arroz integral, legumes, verduras e uma coxa de frango sem nenhuma batata.
- Sinto muito Nicolás! Mas são ordens do seu pai. - Patrine falava limpando a bancada da cozinha.
- Tudo bem... Eu adoro arroz integral. - Na verdade eu odiava arroz integral. Comi somente para não ficar com fome, mas eu sentia vontade mesmo era de comer as outras comidas, elas sim estavam gostosas. Fiquei desejando aquele molho com batatas.
Terminei de comer, fui até a pia e lavei meu prato e o deixei no escorredor como de costume para não sobrecarregar Patrine.
Eu iria para a geladeira pegar uma água mas Patrine segurou meu braço.
- Nico... Infelizmente só depois de meia hora. - Ela me olhou com tristeza e sorri.
- Claro! Eu entendo. - Eu não entendia nada . Saí do casarão sem matar minha sede, fui tentar distrair minha cabeça com os coelhos da Liz. Depois que ela e Gabriel tiveram Davi, ela ficou muito sobrecarregada para cuidar dos coelhos. Mas não era a toa! Meu afilhado era muito animado e engraçado. Mas por incrível que pareça, também era calmo...
Cuidei dos coelhos e os alimentei, eu estava com a boca seca desejando água.
Olhava o relógio a cada cinco minutos para ver se já se passaram meia hora para poder matar minha sede. E finalmente aconteceu e eu pude tomar água! Depois voltei para o trabalho árduo, Jhonny apareceu entre os capangas para ajudar a carregar o tronco de uma árvore antiga que estava cheia de cupins.
Jogamos em um açude e limpei minhas mãos sentindo o suor escorrer pela minha testa.
- Jhonny sua irmã está bem? Ela conseguiu levar o filho dela para o pediatra?
- Está sim... Não, ela ainda não levou. Deve levar hoje.
- Eu queria me desculpar com ela.
- Porque? - Jhonny me olhou curiso.
- Bom! Acho que a irritei ontem e ela ficou um tanto brava. Eu só gostaria de me desculpar. - Minhas palavras carregavam sinceridades. Jhonny suspirou e olhou para os lados.
- Hoje pretendo sair com minha irmã. Ela só sai comigo. Jade sabe que saio todas as segundas-feiras a noite para levar Amanda para sair. Se quiser posso te levar! Ela de fato tirou conclusões erradas sobre você. Ela acha que você é como o seu pai. - Ri com o comentário do Jhonny.
- Faz o seguinte! Me encontre no pub Sancho Panza ás vinte horas, vou fingir demência e dizer que não sabia que você estava por ali.
- Certo... Eu também vou dizer " Nossa que surpresa te encontrar por aqui com a sua irmã " - Fiz Jhonny rir e voltei para o meu trabalho.
Depois daquele dia trabalhoso eu voltei para o casarão e tomei um banho bem demorado. Meus cabelos já batiam no meio das minhas costas, eu gostava da sensação dos cabelos e barba grandes. Saí do banho enrolado na toalha e procurei uma roupa apresentável para sair.
Coloquei uma camisa branca, uma calça jeans e um jaqueta preta de couro. Escolhi um sapato social e deixei meu cabelo penteado como um samurai.
Saí do casarão pronto para encontrar com eles novamente.