— Não querida. — tocou de leve seus cabelos. — Mas a maioria das jovens ficariam meio que desesperadas por saber que podem ter um filho na sua idade.
— Deve ser por que elas tem uma vida boa e na cabeça delas um bebê seria um fardo... Acabariam as festas, acabariam as diversões, os namoros e o sexo sem compromisso e a vida maravilhosa sem responsabilidades. — ela pôs a metade do bolo em outro prato. — Mas eu não tenho nada disso. Eu não tenho ninguém que realmente se importe comigo, e se eu tiver um filho, eu vou ter algum motivo pra me levantar todos os dias.
— Você é muito madura para a sua idade. — ela elogiou. — Meus parabéns.
— Obrigada. — Any sorriu.
— Amanhã vamos ao médico tirar essa dúvida, o que você acha?
— Não quero incomodá-la dona Vera, depois eu darei um jeito de fazer esses exames.
— Imagine, eu faço questão. — negou com a cabeça.
— Obrigada por ser tão boa comigo. — sorriu agradecida.
Vera lhe abraçou de lado.
— Gosto de você como se fosse uma filha.
— E eu gosto da senhora como se fosse uma mãe. — Any disse, com meio sorriso.
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No dia seguinte, Vera pediu uma folga no período da manhã e foi com Any ao consultório de um amigo seu. Fizeram os exames em Any e meia hora depois foi confirmada sua gravidez de quatro semanas.
— E então Any? — Vera perguntou enquanto saiam do laboratório. — O que está sentindo?
— Felicidade... — ela disse, sem tirar o sorriso do rosto. — Saber que eu vou ter um bebezinho me deixa muito alegre.
— E o pai do bebê? — Vera comentou e a garota ficou calada. — Ele já estava informado da sua suposta gravidez?
— Não... — Any negou com a cabeça, arrumando os óculos. — Ele não sabe e sinceramente eu acho que se ele soubesse não faria muita diferença. — ela admitiu com certa tristeza. — Eu não me importo... — abraçou o próprio corpo e voltaram a caminhar.
— Mas ele tem que saber querida. — Vera dizia, enquanto a abraçava pelos ombros.
— Eu prefiro que ele não saiba. — Any suspirou. — Eu vou cuidar do meu bebê sozinha, eu consigo. — garantiu.
— Bem, saiba que pode contar comigo para o que você precisar viu? — disse, observando que para Any não era nada cômodo falar sobre o pai do bebê que carregava.
— A senhora é um anjo. — ela sorriu de leve.
— Não sou não querida. — Vera lhe sorriu ternamente. — Bem, vamos comer algo que eu tenho que voltar ao trabalho.
— E eu tenho que pegar a Vick e o Milton no colégio... Já deve estar quase acabando a aula deles.
— Meus filhos te adoram. — Vera riu.
— E eu também adoro aqueles dois... Sempre tive muito jeito com criança, só os meus sobrinhos que não gostam muito de mim... Deve ser por influencia da minha irmã.
— Não vou com a cara da sua irmã. — Dona Vera fez careta e Any riu.
As duas foram a uma cafeteria comer alguma coisa e conversar um pouco sobre a gravidez e o bebê, dona Vera deu algumas dicas a Any e logo teve que se despedir, pois estava atrasada para o trabalho. Any foi pegar as crianças na escola e as levou para casa.
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À noite, Any retornou para casa e viu Miranda descendo as escadas com a cara cheia de creme.
— Onde foi pela manhã? Por que não apareceu no restaurante? — a tia perguntou, com certa insatisfação.
— Tem um rosto no seu creme. — Any apontou.
Miranda rolou os olhos.
— Não venha com gracinhas Any. — a mulher ralhou. — Eu fiz uma pergunta.
— Tia, eu não tinha te dito ontem que eu precisava resolver um assunto? — ela disse sentando no sofá.
— Ah... — a mulher suspirou. — É verdade. E que assuntou tão importante foi esse que você teve de faltar com seus compromissos no restaurante?
— Nada demais. — Any engoliu o seco e passou por Miranda. — Eu preciso tomar um banho, tia. Depois nos falamos.
— Ei espera ai! — Miranda a puxou levemente pelo braço. — Que envelope é esse na sua mão?
Any olhou para o seu exame de gravidez e gelou. Aquele não era o momento de Miranda descobrir que ela estava grávida, deixaria pra contar em um momento mais apropriado.
Sua tia não gostaria nada de saber do bebê e Any não tinha muito o que temer, não dependia da tia para nada, desde muito novinha trabalhava para se sustentar e aquela casa era de seus pais. Mas naquele momento o que ela menos queria era uma discussão.
— Er... — coçou a nuca. — Não é nada demais, são apenas alguns desenhos da Vick e do Milton, eles fizeram pra mim. — mentiu.
Miranda a olhou desconfiada, não estava acreditando em nenhuma palavra que saia da boca da sobrinha.
— Eu posso subir agora? Ou tem mais alguma pergunta? — ela cruzou os braços.
— Você pode subir, vá tomar um banho e depois vá levar os gêmeos para tomar sorvete, Vivian saiu e até agora não voltou e eles estão fazendo a maior bagunça no quarto dela.
— Tia eu não estou com disposição para sair. — Any disse. — Eu não sou babá dos filhos da Vivian, ela que fez ela que cuide!
— Ah é assim que você paga a sua irmã? Ela passou a manhã inteira no restaurante cobrindo o seu horário sozinha, e você se recusa a levar os filhos dela até a esquina para tomar uma droga de sorvete?
Any respirou fundo e rolou os olhos.
— Ok tia. — disse enquanto subia as escadas. — Eu só vou tomar um banho.
Disse vencida, afinal sabia que Miranda não lhe deixaria em paz se ela não levasse os sobrinhos à sorveteria, e a última coisa que queria era passar nervoso. Segundo o doutor ela tinha que fugir de chateações para não prejudicar o bebê.
Tomou um banho demorado e quando saiu do banheiro vestiu uma jardineira surrada e uma blusa branca, fez um coque desajeitado com a caneta e pegou um pequeno paninho para limpar os óculos. Ouviu alguém bater na porta e abriu, dando de cara com os sobrinhos.
— Titia você demora demais. — disse a pequena que tinha os cabelinhos negros e curtinhos, e uma franjinha de índio. — Eu quero tomar sorvete! — com bico.
— Já estou terminando Mi. — ela forçou um sorriso.
— Então anda logo titia! — o menino reclamou.
— Já vou! — ela pôs os óculos no rosto e rolou os olhos de leve.
Não é que ela não gostasse dos sobrinhos, mas Fisher e Michelle eram crianças bem "chatinhas", e viviam fazendo pirraça e lhe irritando do jeito que podiam. Eram frutos do primeiro casamento de Vivian, que fracassara devido aos ciúmes excessivos da mesma.
Lucky, o pai dos gêmeos aparecia raramente para vê-los e ela achava que todo aquele comportamento dos dois era carência de uma figura masculina.
Levou os sobrinhos até a sorveteria da esquina e quando chegou lá viu a mulher com qual Joshua estava outro dia. Estava usando uniforme e parecia trabalhar por ali.
Serviu os gêmeos e depois se serviu, sentando em uma das mesas. A garota ainda não tinha notado sua presença e ela agradecia mentalmente por isso.
— Titia, você vai com a gente pra praça amanhã? — Fisher perguntou.
— Não meu amor, a titia não vai. — ela sorriu de canto. — Mas com quem vocês vão?
— Com a mamãe e o novo namorado dela, o Tom.
— Vivian está namorando? — os dois assentiram.
— Tá sim, ela não é feia igual a você e tem um monte de namorados! — Michelle disse, sendo acompanhada por risos do irmão.
Any respirou fundo, e tentou ignorar, afinal eram duas crianças.
Joshua estacionou o carro na frente da sorveteria, tinha que pedir desculpas àquela v***a da Lilly, afinal ele estava muito afim de comer aquela safada. Antes de entrar na sorveteria viu Any, com os sobrinhos em uma das mesas.
— Mas que merda, era só o que me faltava. — ele grunhiu. — Parece que essa garota está seguindo meus passos. — bufou, insatisfeito.
Resolveu ignorar Any e fingir que ela não estava ali. Caminhou até o balcão de atendimento, que era onde Lilly estava e sentia o olhar de Any queimando em suas costas. Dane-se essa feiosa.
Any o viu entrar e ficou perplexa ao ver que ele sequer dirigiu o olhar a ela. Abaixou a cabeça, sem esconder a tristeza que sentia, sua esperança era que ele a visse e ao menos sorrisse para ela. O que é claro, não aconteceu.
Ele ficou um bom tempo conversando com aquela garota metida, ria e acariciava sua bochecha... Cada ato de carinho que ele dirigia a ela era como se cravasse uma faca em seu coração. Será que ele estava apaixonado por aquela mulher?
— Anda Lilly, desculpa. Naquele dia eu me lembrei de uma coisa que eu tinha feito, infelizmente descontei em você. — tocava a bochecha dela. — Vamos lá gata... Não vai se arrepender da noite de hoje. — ele piscou.
— Você foi realmente um ogro... Mas é impossível dizer não a um cara como você. — ela passou a mão no braço dele e mordeu o lábio. — É claro que eu aceito.
— Beleza.
— Espera só um pouquinho que eu vou falar com o meu chefe pra ele me liberar ok? — ela piscou e saiu rebolando.
— v***a safada... — ele disse baixinho, olhando para o bumbum da loira. Se virou e viu que Any não estava mais ali, ele respirou fundo e negou com a cabeça.
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Any chegou em casa e viu sua tia em seu quarto, parecia procurar alguma coisa.
— Tia? — ela disse e Miranda deu um salto.
— Ai Any, mas que susto que você me deu! — com a mão no peito. — Quer me matar do coração menina?
— O que está fazendo aqui?
— Ah... — Miranda se enrolou. — Eu estava procurando uma pulseira minha, que perdi há alguns dias, e seu quarto era o único lugar que eu ainda não tinha procurado. Pensei que pudesse estar aqui. — mentiu.
— Tia, eu estou muito cansada... — disse com a voz fraca. — Meu deixa sozinha, por favor? — pediu. — Amanhã você procura isso.
— Claro. — assentiu. — Mas onde estão os gêmeos?
— Na sala, estão vendo TV. — Any informou, enquanto a tia saia. — Boa noite! — fechou a porta.
Miranda se irritou pelo fato de não ter achado o bendito envelope. Mas ela iria encontrar... Ah se ia.
Any fechou a porta e deitou em sua cama, logo as lágrimas chegaram. Joshua sequer lhe olhou, não era possível que ela tivesse se tornado um ser tão insignificante pra ele, a ponto de nem um sorriso merecer. Não queria que ele a beijasse, ou lhe dissesse coisas bonitas, como provavelmente estava dizendo àquela garota, mas poxa, o que custava sorrir?
Abraçou seu ursinho com força, buscando algum consolo, mas nada amenizava sua dor. Por um momento lembrou-se de seu bebê e sorriu. Ela estava grávida de Josh e era em seu filho que ela tinha que pensar.
— A mamãe ama você. — ela sussurrou baixinho, acariciando seu ventre. — Você já é um bebê muito amado por mim, e eu vou fazer tudo que eu puder para que você seja feliz, e você vai ser muito feliz ao contrário da sua mãe. — ela enxugou as lágrimas e fechou os olhos, com um sorriso forçado.
Depois de muito pensar nele, Any pega no sono. Sonhou com Josh lhe dizendo coisas bonitas, lhe beijando, lhe amando e com o filho deles nos braços. Quem dera se sonhos fossem reais.
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Na manhã seguinte, Any desce e encontra a tia e a irmã tomando café.
— Bom dia Any? — Miranda disse enfezada ao ver que ela estava saindo sem ao menos lhes cumprimentar.
— Perdão, eu estava um pouco distraída. Bom dia! — ela suspirou se aproximando.
— Você não vai tomar café?
— Não, eu como alguma coisa no restaurante... Não estou com fome. — ela fez uma caretinha coçando a nuca. Aquele dia amanheceu muito enjoada. — Eu espero vocês lá. — ela se despediu e se retirou.
Miranda encarou Vivian que a olhava sem entender.
— Você não acha que sua irmãzinha está um pouco estranha? — Miranda indagou.
— Acho sim, já estou notando que ela está diferente há algum tempinho. — tomou um gole de café.
— Ontem ela chegou aqui com um envelope muito suspeito. — Miranda ergueu a sobrancelha. — Acha que pode estar escondendo algo?
— É bem provável que sim.
— Ontem fui procurar o envelope e não achei. — pensativa. — Me ajude a procurar, ele está no meio das coisas dela.
— Mas se você não achou ontem, é provável que não esteja.
— Não achei por que Any interrompeu... Não tive chance de procurar em outros lugares. — rolou os olhos. — Anda, vamos procurar!
— Tudo bem!
As duas subiram e entraram no quarto de Any, vasculharam tudo em busca do maldito envelope.