O motorista dos Beauchamp lhe deu uma carona até em casa e por sorte sua tia ainda estava dormindo, com certeza a farra do dia anterior tinha sido extensa.
Vivian e os gêmeos também dormiam, afinal a casa estava em um silêncio aconchegante, coisa que seria impossível, se eles estivessem acordados. Any tomou um banho e tratou de ir ao mercado comprar os ingredientes do almoço.
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Alguns dias se passaram e Any não tinha mais visto Joshua desde o dia em que transaram. Ele não a procurava e nem lhe telefonava como de costume, estava começando a se preocupar.
Certa tarde, voltando do trabalho ela o enxerga em frente a uma sorveteria, parecia distraído, rodando a chave do carro no dedo e encostado no veiculo. Sorriu abertamente e se aproximou dele.
— Oi Josh. — ela disse sorrindo, alegre.
Ele ergueu a sobrancelha e a encarou de maneira fria.
— Olá! — disse, sem se dar ao trabalho de sorrir para ela.
Any parou de sorrir ao notar a frieza do loiro.
— Está tudo bem? — ela cruzou os braços. — Você sumiu de repente. Fiquei preocupada.
— Estou ótimo, não está vendo? — olhou para si mesmo. — O que você quer?
— Como assim o que eu quero? — ela disse, já um tanto nervosa. — Você não se lembra que está saindo comigo?
— Pois é... — ele coçou a nuca. — Acho que você já deve ter se tocado que eu não estou mais a fim.
Any estava perplexa.
— O que? — foi a única coisa que conseguiu dizer, depois do choque inicial.
— Eu não quero mais ficar com você. — ele explicou. — Foi até gostoso o nosso sexo. — disse olhando para os lados. — Mas não daria certo. — apertou o nariz dela de forma debochada e em seguida lhe deu um fraco tapinha nos braços.
— Voltei gato! — ouviram a voz de uma loira peituda, que vinha chupando um picolé que parecia ser de chocolate.
— Demorou Lilly. — ele piscou.
— O que está fazendo conversando com essa aí? — a garota apontou Any de forma debochada.
Any olhava tudo completamente incrédula, não podia acreditar que Joshua estava fazendo aquilo com ela, depois de tudo o que ela fez por ele.
— Nada querida, só estava deixando umas coisinhas em claro com a nossa querida bruxinha. — ele disse e os dois gargalharam.
Any engoliu o seco. Ele estava mesmo rindo dela?
— Até qualquer dia Any. — ele disse abrindo a porta do carro e entrando.
— Tchau bruxinha! — a loira gesticulou e em seguida também entrou no carro.
Joshua arrancou, deixando-a ali, sozinha e machucada.
Any voltou para casa completamente decepcionada e triste. Estava se sentindo uma perfeita i****a por ter acreditado que um cara como Joshua Beauchamp quisesse algo com ela. A única coisa que ele queria era f********o, e infelizmente tinha conseguido.
— Any, onde você estava e por que demorou? — Miranda perguntou, saindo da cozinha.
Miranda (tia de Any)
— Desculpa tia, a dona Vera demorou um pouco mais hoje e só agora eu pude voltar.
— Hm. — Miranda a olhou, desconfiada. — Vá se arrumar que Vivian e Lucile estão sozinhas no restaurante.
— Tia, eu não estou passando bem. — ela mordeu o lábio, com os olhos fechados. — Eu posso ficar em casa hoje? Eu realmente não estou passando bem.
— O que você tem agora Any? — a mulher rolou os olhos com impaciência.
— Dor de cabeça. — inventou, com um nó na garganta. — Eu só quero tomar um banho e ir deitar, por favor.
Miranda suspirou e passou a mão nos cabelos.
— Tudo bem Any. — disse a observando. — Mas não se acostume a faltar trabalho.
A garota assentiu, indo para seu quarto.
Ao chegar lá trancou a porta e caiu no choro. Não podia acreditar que Josh tinha lhe dado um fora e o pior... Depois de ela ter se entregado a ele. Abraçou seu travesseiro e sentia as lágrimas quentes caindo pelo seu rosto.
Estava apaixonada por ele e não conseguia parar de pensar no loiro. E aquilo tinha lhe machucado por demais. Ficou alguns minutos chorando e se lamentando, depois enxugou as lágrimas se sentando na cama.
— Ah, o que eu estou fazendo? — ela disse pra si mesma. — Se Josh não quer nada comigo o que eu posso fazer? Ele não quer mais ficar comigo, deve ser porque tem outras mulheres mais interessante que eu. — assumiu tristemente e estendeu o braço, pegando a foto de seus pais que estavam na cômoda ao lado de sua cama. — Ah papai e mamãe... — disse chorosa. — Como eu sinto saudades de vocês. — beijou a foto. — Se estivessem vivos seria tudo tão mais fácil. Amo vocês.
Ela pôs a foto outra vez no lugar e abraçou o próprio corpo, não iria ficar chorando e se lamentando por Joshua. Não iria adiantar nada ficar se abatendo por isso, ele tinha lhe dado um fora e nada mudaria esse fato.
Ela era feia demais pra ele e talvez fosse até melhor mesmo, namorados davam muito trabalho! E ela não se achava preparada para assumir um compromisso com um rapaz.
Ela era trabalhadora e esforçada, um dia iria encontrar alguém que gostasse dela como ela era. Se Joshua estava lhe rejeitando, então não era pra ser e ela aceitaria aquilo. Resolveu tomar um banho e ir se deitar, sua cabeça estava doendo e ela estava fadigada.
Optou por não jantar, pois apenas ao pensar em comida sentia vontade de vomitar. Ficou pensando em Josh com aquela mulher e demorou um pouco a que pegasse no sono, quando isso aconteceu seus sonhos foram invadidos por ele.
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Joshua estava se amassando com Lilly em seu quarto, aquela v***a era realmente muito fácil, convencê-la a f********o fora mais fácil do que ele pensava. Aquilo era ótimo pra ele, mas jamais teria nada sério com uma mulher tão v***a.
Abriu a gaveta em busca de um preservativo e viu uma cartela delas. Pegou uma e logo viu que tinha feito uma cagada.
— Merda... — sussurrou pra si mesmo, soltando Lilly.
— O que foi gato?
— Nada, é melhor você ir embora. — dizia, andando de um lado para outro.
— Ah até parece que logo agora você vai me mandar embora e... — ele a interrompeu.
— VAZA LILLY! — disse sem paciência. — SAI DAQUI, SE MANDA!
A garota o encarou perplexa e pegou suas coisas, saindo do quarto dele, e o xingando de todos os nomes possíveis. Ele não deu a mínima e pegou o telefone, precisava falar com Bailey. Discou os números e ficou esperando aquele veado preguiçoso atender, mas nada!
— Merda, Cabello! — grunhiu, discando dessa vez os números de Pedro. Não demorou e ouviu a voz dele.
— Alô. — disse.
— Pedro, está fazendo o que? — ele coçou a nuca.
— Só jogando uns games. — deu de ombros. — Fala aí.
— Cara... Acho que fiz uma cagada. — dizia bufando.
— Que novidade. — o outro zombou aos risos. — Qual foi a cagada da vez?
— Vai se f***r Pedro, não é assunto pra rir. — disse irritado. — Lembra no dia que eu comi a feiosa?
— Como esquecer... — ele disse em um tom malicioso. — Toda vez que eu olho pra ela eu me lembro de como ela estava safadinha dando pra você.
Joshua sorriu, convencido.
— Pois bem, esse não é o problema. — ele rolou os olhos. — Não usei camisinha.
— Tá de zoa? — Pedro sentou na cama.
— Não... Até queria estar, mas eu realmente não me lembrei dessas desgraças, eu estava bêbado demais pra pensar em camisinha.
— Mas você é doido Beauchamp? — ele agora berrava. — E se a feiosa ficar grávida? Você gozou lá dentro?
— Gozei. — rolou os olhos. — Nem fala uma merda dessas. Não estou nem um pouco afim de ter um filho, pior ainda com aquela coisa.
— Então é melhor você torcer para essa garota não estar prenha. Porque se estiver você está muito fodido.
— Que nada... Se ela estiver grávida eu não vou assumir esse filho. Simples.
— Como é? — o outro perguntou. — Não vai assumir o seu filho?
Joshua riu.
— Mas é claro que não... — rolou os olhos. — Afinal, quem garante que esse filho é realmente meu?
— Não inventa Beauchamp, todos sabemos que você seria o pai. Quem seria o louco de comer a Any?
Os dois riram.
— Que se dane. — Beauchamp suspirou. — Se ela estiver prenha isso é um problema dela. Eu não quero saber de bebês na minha vida.
— Está certo... — disse olhando no relógio. — Se você que é o pai não se importa, por que eu me importaria?
— Não fale como se ela estivesse grávida. — Joshua repreendeu.
— Dane-se. — Pedro resmungou. — Onde está a Lilly? Ainda está com você?
— Que nada, mandei aquela p**a ir embora... — riu debochado. — Depois eu jogo um papo nela e a convenço a sair comigo outra vez, é muito fácil aquela v***a.
— Mais fácil que a Bárbara?
— Não... Ninguém é mais fácil que a Bárbara. — riu.
Os dois ficaram conversando besteiras e logo Joshua desligou e foi tomar banho.
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Alguns dias depois, Any estava brincando com as crianças e dona Vera chegou.
— Olá meus amores! — ela disse e as crianças correram alegres até a mãe. — Onw que saudade! — ela abraçou os dois. — Como está querida? — perguntou a Any.
— Estou bem. — ela disse, com meio sorriso. — Chegou cedo dona Vera.
— Pois é, sai mais cedo pra ficar com os meus filhotes. — ela pôs a bolsa no sofá.
Any se levantou.
— Ah não vai embora ainda. — ela disse em um tom de falsa irritação. — Quem disse que eu te dispensei? — Any sorriu. — Quero que fique pra lanchar com a gente.
— Ah, não quero incomodar.
— Ora essa. — a olhou com um olhar de repreensão.
— Fica tia Any! — Vick pediu, juntando as duas mãozinhas.
— É tia Any, você nunca diz não pra gente! — Milton fez um biquinho.
— Tudo bem eu aceito com uma condição. — ela disse e eles se entreolharam. — Eu ajudo a senhora a preparar o lanche.
— Bom, não concordo muito, mas já que você insiste... É bom que colocamos os papinhos em dia. — piscou.
Any sorriu e seguiu a mulher até a cozinha. Gostava muito de dona Vera e aquela era a única amiga que ela tinha, a única pessoa que realmente se importava com ela e lhe tratava com carinho, as vezes se sentia muito sozinha.
Desde que seus pais morreram ela sentia um vazio que não era preenchido por nada. Se sentia m*l com isso, mas o que podia fazer?
— Huum, olha como está gostosa essa calda. — dona Vera disse, enquanto mexia a calda de chocolate. — Coloquei bastante leite condensado e creme de leite, está quase um brigadeiro! Prova.
Any sorriu falsamente, só de sentir o cheiro da bendita calda seu estomago já estava revirando, imagine se provasse.
— Eu acho melhor não...
— Prova logo Any! — rolou os olhos, colocando um pouquinho em um pires.
Any engoliu o seco e mordeu o lábio. Não podia fazer aquela desfeita a dona Vera. Iria provar sim! Pegou uma pequena colherzinha e rolou os olhos disfarçadamente, qual era o problema? Ela adorava brigadeiro, por que isso agora?
Pôs um pouco na boca e pôs a mão na mesma, sentindo asco. Levantou arrancando olhares confusos de dona Vera. Correu até o banheiro mais próximo e vomitou não só o brigadeiro. Mas tudo o que tinha comido naquele dia.
Dona Vera foi atrás dela e viu sua situação, a olhando assustada.
— Está tudo bem Any? — perguntou, observando-a se levantar e lavar a boca. — Meu brigadeiro estava tão r**m assim?
— Oh não dona Vera. — negou com a cabeça, se abanando. — De uns dias pra cá eu ando um pouco enjoada. Nada para no meu estomago e com seu brigadeiro não foi diferente. — deu descarga e saiu.
Dona Vera a acompanhava.
— E por que está enjoando? — disse sem entender.
Any voltou a sentar na cadeira e Vera recolheu o pires.
— Não faço ideia. — ela mordeu o lábio. — Comecei a sentir há alguns dias. — pegou o bolo e o cortou ao meio.
— E você... — dona Vera a olhava. — Andou fazendo amor com alguém? — disse da maneira mais calma possível.
Any a observou e suspirou, assentindo com a cabeça.
— Pois é. — ela sorriu, de canto. — Acha que eu posso estar grávida?
— Eu acho isso bem provável. — sorriu de lado. — Nunca pensou na possibilidade?
— Já sim... — ela coçou a nuca. — Mas eu não tenho certeza, então prefiro não criar expectativa.
— Não está preocupada com o fato de estar possivelmente grávida?
— Não, eu deveria estar? — ela ergueu a sobrancelha e dona Vera sorriu.
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Pronto, hoje fui boazinha demais com vocês, agora quero muitos votos e comentários nos capítulos 5 e 6, pra saber se vocês estão gostando mesmo hein? haha
Beijooos meus amores! Até amanhã!