— Eu sei tia. — ela disse com um sorriso enorme de felicidade. — Você viu? Ele me beijou na boca! — Any estava muito feliz com esse beijo.
Miranda quase ri. Se Any soubesse que ele a beijou apenas para provocar Vivian ela não ficaria assim. Mas era bom que ela pensasse isso. Queria que aquele casamento durasse o máximo que pudesse.
— É claro que eu vi. — Miranda sorriu, falsa. — Viu só?
Any assentiu e Joshua se aproximou.
— Vamos embora. — disse, olhando para os lados.
— Ok! — Any o olhou. — Tchau tia! — voltou a olhar para Miranda. — Obrigada por tudo! — abraçou a tia.
— Imagine querida. — Miranda lhe deu um beijo na bochecha. — Cuide bem dela Joshua.
Joshua a olhou e ergueu a sobrancelha.
— Vamos Josh. — Any o olhou e ele assentiu.
Os dois saíram do cartório e os familiares ficaram olhando o carro arrancar.
— Garanto que eles serão muito felizes. — Miranda deu um sorrisinho a Robert.
— É claro que sim. — Robert abraçou a esposa, aliviado por Joshua ter se casado com uma moça tão doce como Any. Só esperava de coração, que o filho desse valor a esse casamento.
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Durante o trajeto os dois não abriam a boca para absolutamente nada, Joshua porque estava muito irritado com esse casamento. E Any porque estava sem jeito, o silêncio estava muito desconcertante. Ela já estava incomodada.
— Você não vai falar nada Josh? — Any perguntou, quebrando o silêncio.
— Não. — ele disse seco, sem tirar os olhos do trânsito.
Any começou a brincar com os dedos, pensando em algum assunto para falar com ele.
— Er... Onde vamos morar?
— Em um apartamento. — curto e grosso.
Any suspirou fundo, parecia que Joshua não estava muito a fim de conversa e ela iria respeitar isso.
Não demorou e chegaram a um edifício bem localizado e muito bonito. Any olhava tudo maravilhada, parecia um conto de fadas. Josh estacionou o carro na nova vaga deles e o desligou.
— Vai ficar aqui? — ele disse tirando o cinto.
Ela negou com a cabeça e sorriu, abrindo seu cinto e em seguida a porta.
— Pega a sua mala e me segue. — ele disse abrindo o porta-malas.
Ela pegou a mala toda destrambelhada, estava pesando muito, colocou no chão com dificuldade e puxou a alça. Joshua pegou a sua e saiu mexendo no celular, deixando Any pra trás.
— Anda logo! — ele disse, sem paciência enquanto ia em direção do elevador.
Any foi arrastando a mala e o seguiu, sorte que tinha rodinhas. Joshua bem que podia lhe ajudar a carregar. Mas não, ele já estava carregando a dele, que também deveria estar pesada.
— Eu gostei muito desse prédio. — ela disse olhando ao redor. — É bem bonito!
— Alguma coisa quem tem que ser bonita no nosso casamento, não concorda? — ele ergueu a sobrancelha.
Ela ficou sem fala.
— Você me acha tão feia assim? — ela perguntou, depois que o elevador se abriu.
— O que você acha? — ele a olhou de cima a baixo e saiu do elevador.
Any ficou chocada e triste. Está certo que ela não era uma miss, mas tentava fazer o seu melhor, estava até vestindo uns vestidos que Vivian tinha lhe dado e parado de usar os macacões.
Parecia que Joshua não tinha curtido muito. Mas sabia que no fundo ele a amava e gostava dela como ela era. De qualquer forma, faria o melhor de si para ficar mais bonita. O que a pobre inocente não entendia era que os vestidos que Vivian lhe dera estavam todos feios e fora de moda.
Entrou no apartamento e seu queixo caiu, era lindíssimo, elegante, parecia aquelas casas que passavam na TV. Seus olhinhos estavam brilhando muito.
— Uau! — ela disse, olhando ao redor. — Que lindo!
Joshua negou com a cabeça, vendo a forma que a pobre coitada olhava o espaço. Parecia que nunca tinha visto nada igual.
Depois de conhecerem o apartamento, Joshua jogou a mala em um canto do quarto e se virou para Any, que olhava a cozinha, em admiração.
— Eu estou saindo. — ele anunciou e Any se virou para olha-lo. — Arrume nossas roupas e depois vá ao mercado fazer compras. — ele deixou um cartão de crédito em cima da mesinha de centro, e um papel que deveria ser a senha.
— Espera... — Any o chamou. — Você vai sair agora? — ela mordeu o lábio, sem acreditar.
— Sim, vou. — ele disse com uma cara feia. — E daí?
— É que... Eu pensei que ficaria comigo hoje. — ela mordeu o lábio.
— Até parece Any... — ele se aproximou dela. — Eu vou deixar uma coisinha bem clara pra você: Eu sou um homem livre! — ele disse quase pausadamente. — Eu vou continuar a viver como sempre vivi, e você vai ficar aqui. Não vai meter o bedelho na minha vida e vai fazer o que eu disser.
Ela o olhou com o semblante caído e a expressão chorosa.
— E quando vai ficar comigo? — ela pôs o cabelo atrás da orelha.
— Quando você se comportar bem, eu posso pensar em f********o contigo. — ele sorriu debochado e caminhou até a porta, saindo em seguida.
Quando a porta se bateu ela começou a chorar, não queria apenas f********o, ela queria um companheiro que cuidasse dela e lhe amasse. Pegou o telefone e viu que funcionava, ligou para sua casa e não demorou que sua tia atendesse.
— Tia... — ela disse aos prantos.
Miranda rolou os olhos ao ouvir a voz chorosa da sobrinha. Já devia imaginar que ela tinha tomado uns tocos de Joshua.
— O que houve Any? — disse cortando algumas batatas. — Por que você está chorando?
— O Josh... — ela dizia aos soluços.
Miranda negou com a cabeça.
— O que ele fez Any? Respire e diga para a titia...
— Ele saiu, m*l chegamos aqui no apartamento e ele largou as malas e disse que ia sair... Ele não me ama tia, ele disse que continuava como antes e que eu não deveria me meter na vida dele.
— Mas Any, todo casamento é assim querida! — Miranda mentiu.
— O que?
— Isso mesmo, hoje em dia é assim mesmo. Isso não significa que ele não goste de você. Ele só quer o espaço dele.
— Mas eu quero que seja como o casamento dos meus pais...
— Any não seja sonhadora. — Miranda ralhou. — Hoje em dia não existem mais casamentos assim. Acorde para a vida querida.
— Mas tia, Josh não tá nem aí pra mim... — Miranda a interrompeu.
— Não acha que está muito cedo para você julgar algo?
— Eu... — ela coçou a cabeça. — Eu não sei...
— Any, tome um copo de água. Respire. Essa gravidez está lhe deixando extremamente sensível. Respeite o espaço do seu marido e faça suas obrigações de esposa, quando ele lhe procurar, dê o que ele quiser. Nada de ficar com frescuras, lembre-se, ele é o seu marido.
— Você acha mesmo?
— Claro que sim, ouça a voz da experiência... Lembre-se que meu casamento só acabou depois que Simon morreu, senão estaria casada até hoje. E eu agia assim com ele.
— Sim, eu entendi. — Any assentiu. — Obrigada por me aconselhar tia. Estou me sentindo melhor.
— Imagine querida, não se deixe abater por isso... Homens são assim mesmo. Você é a esposa e não pode ficar agindo como criança. Faça o que ele ordenar!
— Tá... — Any assentiu. — Eu tenho que desligar por que eu tenho que fazer compras. Tchau!
— Até. — Miranda desligou o telefone e negou com a cabeça olhando o aparelho.
Any era realmente muito ingênua. Não podia deixa-la acreditar que Joshua não a queria, Any tinha que pensar que era amada e querida pelo herdeiro de Robert. Afinal de contas aquele casamento era bastante proveitoso para ela. Demais até.
A garota desligou o telefone mais aliviada. Falar com Miranda tinha lhe deixado mais tranquila. Joshua era homem e tinha que ter seu espaço. Ela estava sendo boba em estar chorando por isso. Ele só queria comemorar com os amigos o fato de ter se casado com ela.
Trocou de roupa colocando uma bermuda e uma blusa confortáveis e pegou o cartão de crédito. Olhou de novo aquele apartamento lindo, onde moraria com o homem que amava e respirou fundo, sorrindo de leve.
Pediu algumas informações ao porteiro e descobriu que tinha um mercado a duas quadras dali, ao chegar lá comprou o que precisava e enquanto voltava pra casa uma vitrine de uma lojinha de bebês chamou sua atenção.
Sorriu involuntariamente ao ver todas aquelas roupinhas. Tocou no vidro e ficou imaginando como seria quando o bebê nascesse, ela seria uma mamãe extremamente cuidadosa e babona.
— Lindas não é? — ouviu a voz e se virou, vendo uma mulher com um carrinho de bebê.
— Muito lindas. — ela sorriu.
— Eu adoro essa loja, as roupinhas são extremamente fofas, comprei todo meu enxoval aqui.
— É verdade. — Any olhou o bebê no carrinho. — Que fofa a sua bebezinha. — ela sorriu vendo a criança toda de rosa, com uma travessinha de lado.
— Obrigada. — sorriu. — E você? Tem filhos?
— Oh não... — Any voltou a olhar as roupinhas. — Ainda não... — mordeu o lábio. — Mas estou esperando um bebê.
— Meus parabéns! — cumprimentou.
— Obrigada.
— E você está de quantos meses? — a outra perguntou curiosa.
— Um. — Any riu. — Bom, quase dois, mas por enquanto é um. — estendeu a mão. — Sou Any, Any Gabrielly.
— Oh, que desastrada que eu sou... — pós a mão na testa e apertou a mão dela. — Não tinha me apresentado. — riu. — Sou Sofya e esta é Samantha.
— Muito prazer! — Any disse.
— Igualmente. — Sofya sorriu. — E você é nova por aqui? Nunca tinha te visto.
— Sim, eu me mudei para o prédio que fica na esquina hoje. Aquele branco.
— Não brinca, então somos vizinhas. — Sofya sorriu. — Eu sou do sexto andar e você?
— Sou do oitavo. — Any riu, feliz com a coincidência. — Que bom que somos vizinhas, pelo menos já tenho alguém pra conversar de vez em quando.
— E você mora sozinha Any?
— Não, eu tenho um marido. — ela olhou as unhas.
— Um marido? — Sofya estranhou o jeito que ela falou.
— Sim. — Any assentiu.
— Bem... O que acha de irmos caminhando e enquanto isso vamos nos conhecendo, o que acha?
— Eu acho legal. — Any sorriu, concordando.
Nesse ínterim as duas descobriram que tinham muito em comum, tinham os mesmos gostos musicais, gostavam dos mesmos seriados, tinham personalidades um tanto quanto parecidas e gostavam das mesmas comidas.
Sofya também era casada e parecia bastante apaixonada pelo marido, essa era outra coincidência entre as duas.
— Bem Any. — Sofya disse assim que o elevador abriu em seu andar. — Aparece aqui em casa depois, só não te convido agora porque está uma bagunça daquelas. — ela riu. — Mas vem aqui, tenho umas fitas do The Fresh Prince of Bel-air.
— Ah, com um convite desses como eu posso recusar? — ela sorriu. — É claro que eu venho sim, você também pode ir lá em casa se quiser.
— Beleza. — ela sorriu. — Até mais Any. — ela saiu do elevador e o mesmo se fechou.
Any voltou para casa e tratou de guardar suas compras, fez uma macarronada rápida e em seguida foi tomar um banho, já que o seu enjoou resolveu atacar, e forte. Passou alguns bons minutos embaixo da ducha gelada em uma tentativa de aliviar, mas não adiantou muito.
Vestiu um vestido e soltou seus cabelos, se olhando no espelho. Queria ficar bonita para seu marido, mas não sabia como fazia pra passar maquiagem, Vivian nunca quis ensiná-la. Também não sabia nada de moda.
Fechou os olhos com força, estava realmente muito enjoada. Respirou fundo e soltou o ar com força. Porque Joshua não chegava logo? Resolveu se deitar um pouco, estava exausta e enjoada. E não estava aguentando ficar em pé.
— Ai filho... — ela murmurou, tocando a barriga. — Está deixando a mamãe muito enjoada. — ela tentou sorrir e ficou se perguntando onde estava Joshua.
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— Quer dizer que você deixou a sua mulherzinha sozinha em pleno dia do casamento? — Pedro dizia aos risos. — Que falta de consideração Beauchamp. — tomou um gole de cerveja.
— Falta de consideração o c*****o. Falta de consideração foi o que o meu pai me fez. — grunhiu. — Me obrigou a me casar com a babaca da Gabrielly e ainda tenho que ir trabalhar todo santo dia. Ninguém merece.
— Gabrielly? — Noah perguntou.
— É esse o seu nome não é? — rolou os olhos, dando de ombros.
— Achei legal você falando Gabrielly. — Noah riu.