A semana foi muito difícil, estudar e voltar para casa sem a presença de Rômulo, mas nos falávamos todas as noites, ele estava empolgado e feliz com o novo time e os jogadores, eu desanimada por não poder fazer o que queria e não tê-lo por perto, e assim seguiu minha vida, e seis meses se passaram, fui a Denver assistir dois jogos de Rômulo, mas ele estava muito mudado e e******o e isso me entristeceu e muito, a última vez que ficamos juntos, ele me machucou, mesmo pedindo desculpas e eu aceitando, não me senti segura para ir vê-lo novamente, colocando desculpas no meu estágio e nas minhas aulas.
Minha mãe chegou a dar uma melhorada, e nunca mais falei com Lena e Peter, e Brigite também se distanciou, e segui minha vida assim, até que uma foto de Rômulo com uma modelo lindíssima e morena surgiu nos jornais, o caso estava assumido pelo que li, aquilo cortou o meu coração, passei uma semana muito triste e chateada, mas eu mesmo tinha me distanciado e aceitei meu destino, eu precisava seguir em frente, com a vida simples e tranquila como enfermeira, James se casou, Joe também se casou e ficou morando na casa dos meus tios, Nigel era o único que eu sabia muito pouco, mas pelo que ouvia nos comentários, ele estava se dando muito bem nos negócios e estava fazendo fortuna rapidamente, tinha dado sorte de arrumar um bom emprego e conquistar o dono da empresa e ganhar um cargo bom.
Me formei em um ano de curso e estágio, amava o que fazia, trabalhava no hospital em Deville, 12x36 e era a noite, não me relacionei com mais ninguém depois de Rômulo, não queria me apaixonar novamente, fiquei sabendo que ele veio duas vezes a cidade e que me procurou, mas meus pais disseram a ele que tinha ido embora, que estava fazendo universidade em Washington, mas m*l sabia ele que todo o dinheiro destinado a minha faculdade, estava indo para o tratamento de minha mãe, meu salário para sustentar a casa, meu pai teve que parar de trabalhar para cuidar dela, e mais um ano se seguiu assim até ela falecer.
*
"Tem certeza que quer ir para a Filadélfia?", perguntou meu pai passando o braço pelos meus ombros.
"Tenho!... Me disseram que tem muitos hospitais lá e que pagam muito bem!".
"Por que tão longe?".
"Por que vivi toda a minha vida aqui e quero ver o mar!", descansei a cabeça em seu ombro, "Pai!?... Por que não vem comigo?".
"Por que aqui é meu lugar!", disse ele acariciando minhas costas, "E você precisa ter sua vida e sua liberdade!... Podamos você nesses três anos... Está na hora de você se cuidar... Eu vou voltar ao meu antigo emprego que é ao lado de seu tio".
"Tudo bem!", sorri e beijei seu rosto, "Vou me deitar!... Amanhã acordo cedo para pegar a estrada!".
"Boa noite!".
Me levantei e segui para meu quarto, voltei a dormir no que dava para o quintal dos fundos, eu não podia dormir na mesma cama que fiz amor com Rômulo, entrei no quarto e fechei a porta, a traz um pôster gigantesco dele, passei a mão na imagem, ele estava fazendo sucesso e como estava mais forte e bruto, adotou a barba para fazer e parecia mais másculo e feroz, segui para a minha cama, abri a janela e olhei para os fundos do quintal e as arvores, me vi como a adolescente correndo de mãos dadas com o primo para ganhar os beijos calorosos e as mãos bobas brincando nos meus s***s, - como o tempo tinha passado! - eu me sentia tão velha naquele momento, suspirei, eu não tinha sorte no amor, todos os dois que eu cheguei a amar, estavam longe, tiveram que se mudar, estavam bem de vida e tinham se esquecido de mim por completo, fechei a janela e arranquei a roupa e me deitei, e logo dormi.
A despedida foi calorosa, só os meus tios que vieram se despedir, meu pai me deu um forte abraço e eu parti estrada a fora, deixando para traz minha infância e minha adolescência, curti e muito a viagem, quanto mais me aproximava do mar, eu sentia a umidade no ar, foram dois dias de estrada e meu carro chegou completamente cansado, ainda rodei um bom tempo para achar um lugar para alugar um apartamento pequeno no subúrbio, o lugar não era lá aquelas coisas que estava acostumada, mas dava para começar a vida, eu estava ansiosa e feliz, e esperava que minha vida mudasse.
Assim que me instalei, fui até meu emprego novo, o Hospital Pensilvânia era chique e muito bem estruturado, iria começar meu turno naquela noite, mesmo assim eu quis ir umas horas antes para conhecer o local, os profissionais que iria trabalhar e o andar. Entrei e apresentei meu crachá e segui com o segurança até a sala da diretoria, lá fui informada para esperar pelo diretor, me sentei e esperei, reparei que a sala era bem aconchegante e nem parecia um hospital, a secretária diante de mim às vezes lançava um sorriso tranquilizador, até que o Dr. Marlon Smith surgiu, um homem n***o e alto e com um sorriso simpático, eu gostei dele logo de cara, ele veio me atender e apertou minha mão e sorria de lado surpreso.
"Seu turno só começa dentro de duas horas!", ele olhou no relógio pra conferir.
"Eu não gosto de chegar em cima da hora Dr. Smith!".
ele me puxou pra sua sala.
"Gosto disso!", disse ele fechando a porta a traz de mim e me oferecendo uma cadeira, me sentei e esperei que se sentasse e se acomodasse. "Espero que seja assim sempre em seu trabalho!... Pontual!".
"Não tenha duvidas disso!", sorri.
Dr. Marlon Smith me passou folhetos do hospital e conversamos sobre meu setor, começaria na emergência, depois com o tempo veria outro setor em que poderia me encaixar, mas eu gostava da emergência e era um dos lugares que mais se aprendia o oficio da medicina, ficamos praticamente uma hora conversando sobre meu currículo e quem tinha me indicado, e nos gostamos logo de cara, depois da nossa conversa seguimos para a emergência, lá fui apresentada a equipe que estava começando a chegar, e ele me deixou com a equipe que me apresentou as dependências e os locais de medicamentos e almoxarifado e onde eu iria deixar minhas coisas e me trocar, e comecei o meu turno dentro do meu horário sem perder um minuto se quer, e já peguei um caso de tiro, foi uma correria e praticamente seguimos para a cirurgia comigo sobre o homem fazendo massagem cardíaca, minha roupa ficou suja de sangue, tomei um banho e voltei para a emergência e fiz o meu relatório, Becky, uma das enfermeiras se aproximou e me olhou por um bom tempo, "Você é bonita demais para estar aqui!".
Comecei a rir e parei de fazer meu relatório, "E você também é muito bonita para estar aqui!... Estamos empatadas!", continuei a rir e voltei para o meu relatório.
Becky se aproximou, "Eu alivio seu trabalho se você aliviar o meu!?", disse ela baixinho, nossos olhos se encontraram.
"O quê?", olhei em volta achando aquilo um absurdo.
"Escuta só!", ela me puxou e me pôs a traz de uma das gôndolas vazias, "Eu não consigo atender casos... Bizarros!".
Eu franzi o cenho não entendendo, ela pegou no meu braço e colou em mim, comecei a achar que aquela garota era maluca, "Vem comigo!", Ela abriu a cortina e me puxou até o fim do corredor e apontou para a última gôndola, "Vá e veja com seus próprios olhos!... Depois me diz se consegue atender um caso assim!".
Fiquei curiosa, cheguei a achar que era pegadinha de novata, caminhei devagar e olhando para traz, mais duas enfermeiras se juntaram para me ver ir até lá, o médico saiu da gôndola nervoso e parou ao me ver, "onde você estava?", e me puxou para dentro.