Eva Amar Daren era como caminhar entre cacos de vidro. Às vezes eu esquecia que doía. Outras vezes… sangrava demais pra ignorar. Mas naquela semana, depois do confronto com Rocha e de ver o olhar frio de Daren diante da ameaça, algo dentro de mim pediu por respostas. E eu precisava entender. Não o homem que me protege… Mas o menino que aprendeu a matar. A ONG estava fechada naquele dia. Júlia tinha saído para resolver questões com patrocinadores — ou pelo menos era o que disse. E eu aproveitei o silêncio para ir até um lugar que evitava há semanas: o centro comunitário velho. Lá ficavam arquivos antigos da favela, muitos sem ordem. Jornais guardados, boletins de ocorrência esquecidos pela justiça. No meio de tantas pastas empoeiradas, achei um recorte do ano em que Daren tinha

