Daren O morro nunca fica em silêncio. Nem de dia. Nem de noite. É uma entidade viva, pulsando com o ritmo da vida de seus habitantes, um eterno burburinho de vozes, risos, choros, e o eco distante do samba que teima em não morrer. Mas naquela manhã em particular, o morro sussurrava algo diferente, algo que se infiltrava na alma antes mesmo de ser compreendido. Havia uma tensão palpável, escondida nas vielas estreitas e labirínticas que se entrelaçavam como veias de um corpo vivo. Um ruído abafado, quase inaudível, pairava no ar, disfarçado entre o canto dos pássaros e o latido dos cães. Era um som que se manifestava em cada troca de olhar apressada, em cada gesto contido, em cada porta entreaberta que rapidamente se fechava. Era um silêncio eloquente que dizia mais do que mil palavras, p

